Lumege

Lumege

20 de Julho de 1969, data em que desembarcámos em Luanda, está registado a letras de ouro na História da Humanidade. Porque foi o dia em que o Homem desembarcou na Lua! Depois do Grafanil veio o Lumege e mais tarde o Forte República. Éramos a CCaç. 2544 do Batalhão de Caçadores 2878, jovens apanhados na curva serôdea do colonialismo. Não desejámos a Guerra Colonial, mas participámos nela. Com que proveito? O da amizade que construímos e mantemos.

Domingo, Julho 05, 2009

Buarcos, 2544
Câmara Oculta

Domingo, Junho 21, 2009

A crónica quase autêntica
C.Caç. 2544 confraternizou em Buarcos

Em cima: Freitas, Pinheiro, Escrita, Matos, Tangarrinhas, Cardoso, Américo, Leal, Castro, Correia, Abílio, Vieira, Maia e Fragoso; Em baixo: Figueira, Baptista, Oliveira, Numídio, Santos, Alho, Almeida, Fernando, Machado, Barandas, Rocha e Hipólito

O Hipólito diz que o almoço de confraternização/2009 da C.Caç.2544 foi em Buarcos, ali um nadinha a norte da praia da Figueira da Foz, e eu, que não estive lá, até acrediro (porque o mentiroso sou eu, não é o Hipólito). Agora o que me baralha um bocado, é que ele diz que a coisa decorreu no restaurante Metinha 3, mas, se acreditarmos na foto, a confraternização aconteceu no Cameia Bar.

Segundo a crónica do bom malandro, "apesar de a crise afectar os ausentes, os presentes estão dispostos a acabar com a crise, para que os ausentes possam estar presentes". Diz ele. Mas isto é discurso de 30 de Maio e a crise continua. Porém até nem admira, porque isto é discurso em estilo político (aliás em pleno período de campanha eleitoral) e, para que não haja dúvidas quanto ao carácter político do discurso da crise, as mesas estavam fartas. O mentiroso sou eu, não as fotos.

Os oficiais estiveram a 100%, diz o cronista. E os furriéis a 40%. Não há estatística acerca dos restantes efectivos, mas pelos dados disponíveis pode concluír-se que a crise não é geral. Se as estatísticas não mentirem tanto como mentem as sondagens, não há crise ao nível da classe de oficiais.

Há mais de 15 anos que o alferes Almeida não participava nesta peleja gastronómica, conforme assinala o Fernando Hipólito, que acrescenta um "seja Benvindo", coisa que me confunde um bocado e, aliás, sendo uma afirmação de furriel do pelotão do alferes Almeida, cheira-me a insurreição; Por que carga de água há-de o homem ser Benvindo?!... Então a gente quando olha para ele não vê logo que ele tem cara de Almeida?!... Mas, escrevendo como deve ser escrito, aqui fica a saudação: Bem-vindo, alferes Almeida!

O 1º Pelotão liderou a quantidade de presenças, com oito elementos.

Já ficou marcada data para a próxima confraternização: 29 de Maio de 2010.
Se não houver alteração, o golpe de mão será na Pateira de Fermentelos.


A Nova Gente não mandou nenhuma equipa de reportagem.

A Vip também não se fez representar.

A revista Exame também cometeu o imperdoável lapso de não mandar repórter.

A TV Guia também não compareceu.

A Caras ignorou igualmente o acontecimento.
Não fazem ideia do que perderam!

Fica, assim, o exclusivo desta festa mundana integralmente por conta do Blog Lumege!

Entre o almoço e o lanche, o pessoal disputou uma partidinha de futebol de praia, que contou com o reforço muito especial de um jovem que na altura passava por ali, em trânsito de Inglaterra para Madrid.

Esta é a foto obtida antes do início do jogo.
Imaginem agora o que é que as revistas cor-de-rosa perderam!...

Sábado, Junho 20, 2009

Esta frase faz 40 anos de hoje a um mês:
"Um pequeno passo para mim, um grande salto para a Humanidade"

Completam-se de hoje a um mês 40 anos sobre a data do desembarque dos homens do B.Caç.2879 em Luanda, apeados do navio "Vera Cruz".

Completam-se de hoje a um mês 40 anos sobre a data do desembarque dos homens da primeira missão interplanetária na Lua, apeados da nave Apolo 11.

Curiosa a coincidência de verificarmos que a Luanda que nos recebeu começa o seu nome com o nome da Lua.


Para Neil Armstrong, "foi um pequeno passo para mim, um grande salto para a Humanidade".
Para a quase totalidade de nós, que pisávamos outro continente pela primeira vez, foi "o primeiro grande salto da nossa vida". Há 40 anos, a completar dentro de um mês.


Estas fotos, amavelmente enviadas pelo Almeida das Transmissões da CCS a partir dos EUA onde reside, reportam a confraternização da Companhia de Comando e Serviços ocorrida há poucos dias.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Obrigatório ouvir
Reflexão acerca dos tempos coloniais
Sem fazermos juízo de opinião, recomendamos vivamente que se ouça a edição do passado domingo do programa de Paulo Coelho na Antena-1 "Memórias Vivas".
Concorde-se ou não com o que ali é afirmado, a nossa opinião acerca da guerra colonial em que estivemos envolvidos não continua exactamente a mesma depois de ouvirmos o depoimento do almirante Nuno Vieira Matias.
Acerca de África propriamente, ele só fala nos últimos 30 minutos. Mas é importante que se ouça também o primeiro quarto de hora.
Excelente programa de rádio.
Aqui:
http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?prog=3477
Se não entrar directo, procure "Memórias Vivas" e clique em [Audio WMA].

Quinta-feira, Maio 28, 2009

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Autor foi furriel das oficinas auto da C.Caç.2544

Poemas de Miranda em livro

"Terras de Mar" é o título do primeiro livro de poemas de João Miranda, que foi responsável pela secção auto da C.Caç.2544.

Segundo palavras do autor, estes poemas são "olhares às minhas ilhas e gentes", olhares carregados da nostalgia de quem aprende o concreto da saudade quando aos 18 anos tem de abandonar a sua terra para "reforçar os estudos no estrangeiro" - outra vez palavras suas.

Confrontar com o outro
Aprendera com um professor de S. Vicente que "para dar valor ao que é nosso, temos de o confrontar com o outro, mas nunca negar o que de bom temos".
E foi a partir dessa premissa que escreveu "Terra e Mar". TALVEZ

Este desassombro clareante
E este voar, pairar sem asa
Este sofrer sem dor nem mágoa
Este sentir as coisas com mal.

Este estupor do mundo real
Um tanto longínquo
Este querer imperativo
Quando o mundo pisado é irreal.

Talvez e bem desejo
Me faça compreender o meu mundo

E irão as desilusões de imponência
E talvez quem sabe
Se este mundo de valores
Me venha a dar o valor que em mim julgo.
E do ajuizar do não subjugo
Despertará em minha vida.
Talvez...

Angola, 1970

Poeta caboverdiano

Este poema, reproduzido de "Terra e Mar", foi escrito por João Miranda durante a nossa permanência em Angola.
Desculparão que eu dê a esta prosa um tom algo pessoal, mas não poderei esquecer as longas conversas mantidas com o João Miranda, umas nos serões do aquartelamento do Lumege, outras durante o calcorrear dos centos de metros que iam do quartel até ao Cameia Bar do senhor António Videira e continuavam entre uma bica e duas cervejas.
João Miranda, africano de Cabo Verde, não era homem de grandes expansões, nunca saberei se por ser ilhéu, se por ser poeta ou se por ser um africano inserido a contra-gosto nas fileiras de um exército colonialista, portanto sujeito à disciplina da prudência no que toca a explanar ideias. Mas percebi nele, já nessa altura, uma indisfarçável admiração por Amílcar Cabral.
Depois marchei para o Luso com o encargo de fazer o jornal do Batalhão e foi com os poemas de João Fiel Miranda que iniciei uma rubrica de página inteira que se chamava "Revelando".
Passados quase 40 anos, poderei dizer com indisfarçável vaidade que revelei um poeta.

Agora, cabe a cada um de todos nós adquirir o livro. Porque um poeta, quando edita os seus poemas, fá-lo para que os outros os leiam. E não esqueçamos que cabe aos leitores custear o pagamento à tipografia. Não é justo que um autor tenha de desempenhar dois esforços: a produção intelectual de uma obra e também o pagamento da sua edição.

O João Miranda não nos pediu que dissessemos isto, mas certamente o livro dele poderá ser pedido directamente ao autor ou mesmo através deste blog, usando a zona de "Comentário" (linha a seguir a este texto).

Aqui fica um abraço para João Fiel Miranda, como estímulo para que em breve nos surpreenda com outra colectânea de poemas.

José Oliveira


Quinta-feira, Maio 21, 2009

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Na Biblioteca-Museu da República e Resistência
Memórias da Guerra Colonial


É na próxima quinta-feira dia 28, a partir das 19h00. Na Biblioteca-Museu República e Resistência, na Estrada de Benfica nº 419, Henrique Antunes Ferreira profere uma palestra integrada no 2.º Ciclo de Conferências «Memórias literárias da guerra colonial».


Jornalista, Romancista...
Henrique Antunes Ferreira, de quem se pode ler mais neste blog, é autor do romance "Morte na Picada", obra que se recomenda sem favor. Embora ficção, espelha com fidelidade os dois lados da guerra, uma fidelidade objectiva a que não será alheio o facto de Antunes Ferreira ser protagonista de uma longa carreira de jornalista, que culminou no lugar de chefe de redacção do Diário de Notícias.
Quem ainda não comprou o livro, talvez consiga comprá-lo no local da palestra.Trata-se de uma leitura obrigatória para quem viveu a experiência da guerra colonial.
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...e Cartoonista

Também já falámos disso neste blog. Aliás, coube-nos o prazer de trazer à luz do dia a identidade do Rico, assinatura de muitos desenhos satíricos que bastante intrigava os investigadores da matéria, que não lhe encontravam o rasto... Mistério que o próprio cultivava.

Acima, vê-se o Rico (abreviatura de Henrique) a ser caricaturado na redacção do seu jornal A Palavra (que foi fundado em Luanda quando estávamos em Angola) por Fernando Gonçalves, aquele que desenhava o Zé da Fisga (no Miau, na Notícia, nos anúncios das pilhas Tudor, etc...) que rubricava com Nando.

Domingo, Outubro 12, 2008

Almeida, alferes
Convívio com a população
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Para ampliar, clicar sobre a imagem

Esta foto, também trazida pelo Fernando Teixeira, mostra-nos o Almeida confraternizando com crianças e adultos. Se o Teixeira, o Almeida ou qualquer outro camarada nos puderem relatar as circunstâncias em que esta imagem foi obtida, trataremos de inserir essa informação.

Sempre que nos enviarem fotos, por favor escrevam algo que nos ajude a conhecer o melhor possível aquilo que elas retratam.

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Por causa do cachipembe.
Maka na escola
O Fernando Teixeira fez-nos chegar esta carta, datada de 1970, endereçada pelo professor da escola do Lumege ao comandante da nossa Companhia.

Para ler, clicar sobre a imagem

Trata-se de um documento curioso, que ajuda a perceber várias coisas: a conflitualidade entre a própria população, designadamente com o professor, que era um autóctone; a precaridade da formação de alguns professores, a precisarem, eles próprios, de aprender os rudimentos da arte de bem escrever; o refúgio de alguns no cachipembe, uma aguardente de produção artesanal obtida a partir da fermentação do milho.

Quinta-feira, Setembro 04, 2008

O Pinela vive em Mirandela
Publicámos em 15 de Julho passado um apelo que nos chegou: antigos camaradas de armas tentavam encontrar o alferes Pinela, que foi da C.Caç 1537. Apesar de anónima, a informação agora recebida aí fica, porque talvez seja útil a alguém:

bom encontrar alguém que andou por onde nós andámos nos tempos da nossa juventude.

O ex-alferes Pinela vive em Mirandela. Ele nunca foi aos nossos encontros por motivos familiares, espera ir ao primeiro no próximo ano no Porto. Eu nunca mais o vi mas tenho o contacto dele.

Todos os que conviveram com ele estão desejosos de o ver.

Um abraço"
(Anónimo)

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

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Alferes Cardoso fala da guerra de Patuleia
Há uns meses, divulgámos que a RTP iria transmitir uma entrevista com o Alferes Cardoso daí a um dia ou dois. Mas, em boa verdade, foi ontem que os telespectadores puderam ver o Alferes Cardoso. Não propriamente numa entrevista em que contasse as peripécias da sua aventurosa carreira militar no Leste de Angola (designadamente no Lumege), mas sim em curtíssimos minutos (segundos?) nos quais ele fala de Manuel Patuleia Mendes.


Alferes Cardoso prestando declarações à RTP


De Patuleia Mendes fica-nos esta frase: "Ninguém gosta mais de paz do que aquele que fez a guerra".

Para ver esse programa, basta clicar nas linhas sublinhadas aqui em baixo e esperar que passem duas entrevistas (uma com Carlos Lopes, psicólogo e atleta cego, outra com uma nédica a quem falta uma mão):
http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=23840&idpod=16979&formato=flv

Sábado, Agosto 23, 2008

Regressámos há 37 anos.

Todos

Faz hoje, dia 23, trinta e sete anos que desembarcámos em Lisboa regressados de uma campanha de dois anos vividos sem sentido. Mas regozijamo-nos, nós os da Companhia de Caçadores 2544, de termos regressado todos.

Esclareço o parágrafo anterior: em bom rigor, não foram desprovidos de sentido os anos que vivemos (no Lumege... no Forte República... Também no Luso e Malange no que me toca a mim...). O que não teve sentido, foi a missão que nos impuseram cumprir. Porque existiu sentido de facto na nossa vivência por ali. Existe sentido na vida, quando a vida se sente; se vive. E nós vivemos a vida, durante aqueles dois anos, criando laços de camaradagem que hoje perduram e se celebram anualmente, criámos climas de convivialidade com as populações, de que é exemplo o texto que abaixo se reproduz. Escrito por uma Adelaide que presentemente vive em Fátima, fora nascer ao Luso filha de um casal de habitantes do Lumege e ali regressou com meses para só vir embora aos sete anos, em 1966. É prima do senhor Costa, que já completou um século de vida e vive salvo erro em Mindelo (Vila do Conde). Senhor Costa de quem já aqui publicámos fotografias e textos a referenciá-lo.

Também não esquecemos a história da Fernanda Brásio, relatada profusamente aí para baixo.
Igualmente tivemos aqui a surpresa do reencontro virtual com o Senhor Videira do Cameia Bar.
Se estas pessoas se reencontram aqui connosco, partilhando connosco as emoções da saudade, então é porque a nossa passagem por Angola não foi em vão. Não foram dois anos perdidos, foram dois anos vividos. Em tranquilidade, porque fomos comandados por um capitão que, poucos dias depois da nossa chegada, definia, durante a bica do almoço tomada no bar Cameia, o essencial da nossa missão: regressarmos todos.

E regressámos. Todos. Faz hoje 37 anos.

José Oliveira


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Memórias do Lumege
E a história que vos queria
contar é a seguinte...

Texto de Delay
(Dedicado a seu primo, o Sr. Costa, que já completou cem anos)


Um dia, esta menininha viveu os mais lindos dias de sua vida... de sua infância... numa terrinha lá nos fins de África... uma terrinha que tinha por nome Lumeje, em Angola... terra linda, pequenininha, vermelha de chão, verde de matos e jardins, coberta por céu azul, que se transformava ao final do dia em cores de fogo, quente, lindo, de um pôr do sol mágico... anoitecia banhada por reflexos de uma lua quase bandida, que me embalava no meu nanar de criança... e me enfeitiçava embrenhando-me em sonhos... e em sonhos reais acordava...

acordava entre essências de flores, essências de croeira, montinhos de pedacinhos brancos ressequidos, que pareciam montes de neve vistos ao longe... acordava com o apitar do camacove que ressoava lá bem longe... e o mala que ressoava bem juntinho de mim... de meus pensamentos de criança... voando na minha imaginação no soar do apito e no embalar do comboio... que adorava... olhar... ver chegar e partir... lá naquela estação de tantos sonhos descidos e outros tantos partidos... idos... jamais por mim esquecidos...

Fui feliz a cada despertar... fui feliz a cada caminhar... fui feliz a cada embalo de baloiço em seus jardins, lindos por certo... fui feliz em cada passear com minhas primas... fui feliz em cada miminho recebido de um Padre que não esqueço de seu nome (Estêvão) por certo meu vizinho lá...Fui feliz, e principalmente no colinho de um Primo muito especial... que não esquecerei jamais... seus mimos, sua preocupação, suas brincadeiras... o Pexão (o nome por mim utilizado para carne, peixe) que ele nas suas mercearias dava para a Laizinha cozinhar nos seus tachinhos... Não esqueço quando ele me dizia que eu tinha um pau nas pernas... a brincar e para me irritar... não esqueço quando ele fazia que me arrancava o nariz e me punha à procura dele... não me esqueço... não me esqueço... tanta coisa...detalhes que me marcaram... e que recordo com tanta saudade... não me esqueço... não me esqueço...


Desta pessoa que para mim, foi como o meu pai naquela etapa da minha vida... Mas também nunca lho disse... e por isso estou aqui, e feliz por lhe fazer esta pequenina homenagem... a este senhor que vim descobrir que aqui se falava dele...
Meu primo Costa... há muito que lhe quis dizer tudo isto, mas distanciámo-nos e a vida por vezes tira-nos as chances de dizermos o que nos vai na alma... ou calamos porque pensamos que não é necessário que a outra pessoa saiba o que nos vai na alma...


Mas outras vezes, creio que é os jogos, que o tempo nos prepara...
Tudo tem o seu tempo certo, e acho que este foi o escolhido pelo Universo para eu dizer o quanto foi importante nessa etapa da minha vida... foi tão importante que e passados 45 anos lembro cada detalhe, cada gesto, cada carícia, cada palavra, cada sorriso... que tanto me aconchegaram... Obrigada por tanto que me deu...

Contudo não vou aqui esquecer de falar na minha prima Nini, sua esposa, nem poderia, já que a prima Nini foi sempre o sorriso aconchegante para todos os que recebia em sua casa... e para mim, e desculpem todas as outras primas, foi o meu afago bom, porque lembro como me afagava com tanto carinho...
Que lindos 100 anos de vida, Primo Costa... 100 anos de sabedoria... e mais que tudo 100 anos de carinho tão doces, distribuídos a todos os que têm a felicidade de ao seu lado estar...



Lembra-se de mim?
Fico à espera de uma resposta, pois sei que alguém a irá ler a si...
Esta é parte da história de uma menina que, apenas com semanitas de idade, foi para o Lumeje e lá viveu feliz até os seus sete anitos de vida... e que hoje em sonhos revive cada detalhe daquela cidadezinha como se por lá deambulasse pela calada da noite mas com coloridos de dia...
Mas lembro de muito mais coisas e de muitas mais pessoas que logo falarei delas noutra histórinha...
Beijinhos de ternura especialmente para si e prima Nini... e beijos a todos os outros primaços(as)


Lay

(ou Lay-Lay... não é, primo Costa?)

Quarta-feira, Agosto 20, 2008

"Sangue na Picada"
Próximo Domingo

em Alcobaça

Foi cartoonista e jornalista. Fundou em Luanda o semanário A Palavra na altura el que estávamos no leste. Desenhou e escreveu no jornal satírico O Miau (Luanda)
Viveu a experiência da Guerra Colonial em Angola e conta "tudo" no seu livro "Sangue na Picada".

No próximo Domingo estará em Alcobaça para uma sessão de autógrafos.
Para saber horas e local, visitar o blog do autor em
http://travessadoferreira.blogspot.com

A seguir contamos mais sobre o autor e o livro.


Ler mais acerca da sua veia humorística em http://chavedoburaco.blogspot.com/

Sábado, Agosto 16, 2008

O livro de Antunes Ferreira
Os dois lados da guerra
Texto: José Oliveira

Já não me lembro como é que tomei conhecimento da edição de Morte na Picada, que aqui divulguei antes de ter lido.

Depois dessa divulgação, acabei por estabelecer contacto com o autor, Antunes Ferreira, que conhece "as mesmas pessoas" que eu. Mas isso é conversa para outra altura.

Para surpresa minha, foi-me fácil adquirir o livro. Comprei-o no Continente, embora seja daqueles que preferem comprar livros nas livrarias tradicionais. E fui-me à leitura. Faço parte daquele grupo de leitores que têm três ou quatro livros na mesa de cabeceira, mas este não intercalou com mais nenhum! Foi lido de fio a pavio. Constituído por um conjunto de contos (relatos?) de meia dúzia de páginas cada, é, como diz Joaquim Vieira, "uma curiosa combinação de ficção e testemunho, deixando ao leitor, se o entender necessário, a tarefa de destrinçar uma coisa e outra".
Sem rodeios de linguagem ou enredo, estes mais de trinta textos poderiam ser relatos verídicos de episódios ocorridos, porque os houve tal e qual assim, repetidos, entre 1961 e 1974. Mas Antunes Ferreira não chega a chocar-nos com as notas de realismo que imprime à prosa, porque sabe "cortar os planos" a tempo. Ou intercalar notas de humor que desdramatizam no momento certo. Aliás, só a meio do livro, e depois de me ter dado ao trabalho de uma "investigação" quase policial (mas não terminada ainda...) é que me dei conta de estar perante um jornalista que também passara pela carreira de autor de textos satíricos.

É certo que não li muitos livros de ficção sob o tema guerra colonial. Mas já li alguns (inclusivé um em original, por sinal muito bom), e é a primeira vez que me deparo com relatos que ficcionam os dois lados do conflito bélico. E com uma verosimilhança tal, que ficamos finalmente a conhecer, tantos anos depois, como funcionava "o outro lado".

Escreveria muito mais, mas contenho-me. Porque sei que, neste género de suporte, "ninguém" lê postagens longas. E eu quero que me leiam esta prosa. Para que leiam o livro e o recomendem. E saliento isto, em abono da minha isenção: não conheço pessoalmente o autor.

clicar na imagem para ampliar

Quem junta papéis velhos tem frequentemente gratas surpresas! (...e a mulher a azucrinar-lhe a cabeça!...).

Quando em 1970 (mais um ano, menos um ano) guardei o suplemento satírico O Lacrau do número de 1º aniversário do jornal angolano A Palavra, estava longe de imaginar que estaria hoje aqui a usar esta caricatura de um dos responsáveis do semanário luandense, a ser desenhada pelo Nando, aliás Fernando Gonçalves (criador do inesquecível Zé da Fisga que todos recordamos das páginas da revista Notícia, embora tivesse nascido no jornal O Miau em 25/11/64). O Nando é hoje violinista na orquestra do casino da Póvoa de Varzim e o caricaturado é exactamente Antunes Ferreira, o autor de Morte na Picada.

Nota um: Antunes Ferreira assinava com o pseudónimo Mutamba Shmit divertidos textos satíricos em O Lacrau. E tem no seu curriculum um passado como cartoonista (ele escreve cartunista).

Nota dois: Colocando-se na pele de um outro narrador, o próprio Antunes Ferreira escreve assim no seu Morte na Picada: "(...) Nisto tudo pensa João Caxiné, preto cafuso, natural de Benguela, admirador do mulato Aires de Almeida Santos, poeta entre os poetas, preso uns anos em São Nicolau, solto depois, agora jornalista de "a Palavra" do Renato Ramos e do gordo, o Antunes Ferreira."

Nota três: O Nando é cunhado do Castro Lopes, que foi furriel miliciano na CCS do nosso Batalhão. Na confraternização da CCS no ano passado, em Esposende, tive a oportunidade de abraçar o criador do Zé da Fisga, que foi beber um copo connosco no final do almoço. Mas disso falarei um dia destes.

Nota quatro: A montagem da foto de Nando sobre a sua caricatura de Antunes Ferreira foi reorganizada por nós, pois no desenho original figuram 15 caricaturados.

Z.O.

Sexta-feira, Agosto 15, 2008

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Finalmente!

Lisboa, Agosto de 1971


Entre esta multidão, estão os nossos familiares que nos esperavam em Agosto de 1971 na Doca do Conde de Óbidos.

É uma imagem colhida do alto do Vera Cruz, momentos antes de termos começado a desembarcar.

A foto foi recolhida no blog http://bcac2877.blogspot.com, depois de amavelmente nos ter sido chamada a atenção para ela (e texto acompanhante) pelo camarada Brás Gonçalves do B.Caç.2877, que embarcara connosco em Luanda no Vera Cruz, a 11 de Agosto de 1971. Também na ida tinham sido nossos companheiros de viagem.


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O Vera Cruz

Texto: José da Silva Marques

(www.vianasocialecultural.com)

Até 1974, o mar era a grande via de ligação ao império. Mais de 90% da carga e de 80% do pessoal metropolitano empenhado na guerra, tinha sido transportado em navios. Os paquetes mais requisitados na ligação a África foram o Vera Cruz, o Niassa, o Lima, o Império e o Uíje. O Niassa foi o primeiro paquete fretado como transporte de tropas e de material de guerra, por Portaria de 4 de Março de 1961, mas seria o Vera Cruz a fazer mais viagens, chegando a realizar treze num ano. Em 1961, efectuaram-se dezanove travessias em nove paquetes em missão militar e o ritmo aumentou à medida que crescia a força expedicionária em África.
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A sua imponência e beleza como navio de linhas elegantes eram motivo de registo

O Vera Cruz, antigo paquete de luxo, fez a sua primeira viagem inaugural ao Rio de Janeiro em 1952. Com lotação esgotada, entre os muitos convidados encontrava-se o Almirante Gago Coutinho. Em 1954, juntamente com seu irmão gémeo, o paquete Santa Maria, iniciou a sua carreira com ligações aos portos da América Central. Em qualquer um que atracava era motivo de interesse.
A sua imponência e beleza como navio de linhas elegantes eram motivo de registo. Mantendo as viagens regulares ao continente americano, o Vera Cruz em 1956, realizou um périplo por África de oito de Agosto a 29 de Setembro. Só em 1959 é que realizou a sua primeira viagem a Angola. Com o início da guerra colonial nessa colónia, o governo de Salazar para fazer frente aos acontecimentos, requisitou diversos navios para o transporte de tropas e material de guerra, passando a ser uma das principais ocupações dos navios portugueses. O Vera Cruz não foi excepção. Adaptado para o transporte de tropas, com a instalação de alojamentos nas cobertas, a 5 de Maio de 1961, largou de Lisboa rumo a Luanda tendo no mastro principal hasteada a flâmula verde e encarnada, habitual nos navios de guerra. Em 1962, o Vera Cruz é requisitado para se deslocar ao Paquistão com o fim de recolher os militares feitos prisioneiros, devido à invasão da Índia Portuguesa pelos indianos.

Largou de Lisboa rumo a Luanda, tendo no mastro principal hasteada a flâmula verde e encarnada

Estava ali imponente atracado no Rio Tejo para mais uma missão que a guerra lhe destinava, embarcar tropas para o ultramar. Seria das últimas viagens que faria, pois em 1972 seria vendido para abate desaparecendo um dos símbolos da Guerra Colonial.

Segunda-feira, Julho 28, 2008

Opinião Contributos para a história
A História necessita de perspectivas honestas

Escrito por Ayres Guerra Azancot de Menezes
Há um testemunho muito importante para a verdade histórica.
Não é fácil realizar uma pesquisa desta envergadura.
Não podemos deixar de apontar um certo subjectivismo pró-Viriato da parte do Dr. Edmundo Rocha por ter sido seu admirador real e fã e ter absorvido bons exemplos e ensinamentos. É um testemunho que terá cada vez mais valor pela pessoa do Viriato e pela coragem do DR. Edmundo Rocha em ter reconstituído parte da trajectória desta figura impar do nacionalismo Angolano.
A subjectividade por parte é redutora de certos realismos e declara ao longo desta exposição correntes ideológicas incompatíveis cujos contornos poderiam não ser reflexo de melhor visão estratégica para a o futuro do partido. Ainda é muito cedo e à medida que os anos vão passando os fatalismos têm que ser bem ponderados. Os subjectivismos aliados a jogos de poder condicionam muito as abordagens. Os favoritismos poíticos aliados a certas compensações de carácter literário muitas vezes denunciam jogos de contra poder que podem ser ajustados com o tempo. O maior ou menor contributo histórico deve resultar de perspectivas honestas. Só com o tempo e a confrontação de percursos dinâmicos de cada interveniente deste patamar se poderá postular sobre grandes teses.
A desonestidade aliada a recursos alternativos de sucesso bibliográficos e alianças, muitas vezes desvirtuam o verdadeiro carácter da honestidade histográfica. O ideal não será ajudar ou travar o percurso histórico dos correligionários para projectar livremente certas obras, mas sim permitir uma maior confrontação para enrriquecer e fortalecer o projecto comum. Desejando que outros livros ou memórias sejam rapidamente e honestamente publicadas, e que várias perspectivas sejam abordada para se poderem destrinçar também factores de ordem psico-sociais dos vários intervenientes.

Notas da Redacção

1 - O título é da responsabilidade do blog Lumege

2 - Este texto, como muitos outros de semelhante interesse, chegou-nos sob a forma de comentário inserido num post já antigo. Teria diminutas probabilidades de ser lido, se não fosse transferido para aqui, para a página principal do blog.
Foi inserido a 27 de Julho de 2008.

3 - Devido a incompatibilidades técnicas, o texto teve de ser re-escrito (por exemplo, a palavra "confrontação" aparece escrita "confrontação", problema que se repete de cada vez que surge uma palavra acentuada ou cedilhada. A conversão foi feita cuidadosamente, mas, apesar disso, pode ter existindo algum erro de conversão. Quanto ao mais, o texto foi transcrito ipsis verbis.

4 - Há mais textos que ainda não foram transcritos da zona de comentários, apenas por falta de tempo. Contamos não demorar muito mais a fazer isso. Se ficar prejudicada a sequência dos temas tratados, pedimos desculpa. Para diminuir esse incómodo, passaremos a encerrar cada texto com a referência da data de chagada.

Sexta-feira, Julho 25, 2008

Cavalaria e outras fotos
Fotos do Lumege neste endereço:
http://groups.msn.com/Osluenas/lumege.msnw?action=ShowPhoto&PhotoID=6018
À excepção da foto do Cameia Bar, obtida aqui no nosso blog, são todas de "Delay", uma ruiva natural do Lumege que tem tentado entrar em contacto connosco.

A informação supra foi-nos comunicada por Armando Monteiro (que foi alferes de transmissões no Batalhão que nos rendeu). Graças a ele, haveremos de ter aqui em breve mais novidades de "Delay".

Domingo, Julho 20, 2008

Lumege: nosso quartel

No tempo do preto e branco

Armando Monteiro, que foi alferes de transmissões do Batalhão que nos rendeu, tem tido períodos de colaboração regular com o nosso blog, com óbvio enriquecimento deste espaço, coisa que agradecemos.



Mandou-nos agora esta foto que, segundo conta na mensagem que a acompanhava, já antes nos terá enviado.Ele admite a possibiliadde de a foto se ter extraviado, mas eu acrescento outra hipótese igualmente plausível: ter efectivamente chegado mas, por força das montanhas de informação que arquivo-em-astas/edito/apago/passo-para-cd's ou por força do meu pouco sentido de organização (escolham...) terá desaparecido sem ser editada (postada...)

Agora sim, aí fica.


Reparem na data: faz 37 anos no mês que vem. É, portanto, obtida pouco depois da nossa partida.


Para Armando Monteiro, agradecimento e abraço.


Z. O.

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Luanda:
O Tudo e o Nada
Publicada há um ano pelo semanário Expresso (de Lisboa), esta reportagem foi repetida na altura por vários meios de comunicação on-line (por exemplo no "Digital News - Angola Digital) e circulou pela internet, via e-mail.

O texto é do repórter Luís Pedro Cabral

As fotos são de Abílio Henriques, da C.Caç.2544, obtidas com equipamento precário em Julho de 2008
O título é da responsabilidade do blog Lumege

Desponta em Luanda uma nova sociedade angolana que, entre festas e champanhe, vive do petróleo, dos diamantes e de negócios multimilionários
Há quem viva entre recepções oficiais nos jardins da Cidade Alta e galas no palácio oficial do Presidente. Para trás ficam os que nada têm, num país em que a taxa de desemprego é de 80%

Luanda Sul


Hoje há festa em Luanda. Hoje, um dia qualquer. Um bebé nasceu entre o lixo, próximo de um esgoto a céu aberto, alguém atirou uma lata de «gasosa» para um chão imundo, alguém lhe deu um pontapé, alguém a recolheu para vender no mercado da sobrevivência, alguém caiu de um prédio sem varanda, sem água, sem luz, cheio de nada, cheio de gente, construído em altura, como em extensão se construíram quilómetros de barracas instáveis e insalubres, chamados musseques. Todos no âmago desta Luanda, uma camisa-de-forças recheada de automóveis, quase tantos como os buracos das suas ruas. Esta Luanda encerra toda a Angola, encerrando-se da Angola que resta. A assimetria entre a capital e as províncias é enorme. E parece menor se comparada com as paralelas assimétricas que dividem os ricos inacreditavelmente ricos, os inacreditavelmente-novos-ricos e os pobres, ainda inacreditavelmente mais pobres, de Luanda. Hoje, alguém morreu de cólera, de paludismo, alguém arrasta feridas de guerra pela cidade, vende cigarros na rua, lava o corpo na lama, chora ausências de nutrição, procura comida na lixeira, foi assaltado por um miúdo, bebeu de mais, fumou de mais, abusou, foi abusado, encontrou mais uma jazida de diamantes, inaugurou mais uma torneira de petróleo. E alguém terá de abandonar o musseque com a família às costas, a fugir das águas da chuva, do polícia que lhe diz para parar, para pagar, «pentear», dar «gasosa», a correr de encontro à fome que já tinha, nos dias pesados do calor, sem mais nada que isso, só uma estranha alegria que faz o angolano sempre sorrir. «Estamos sempre a subir». Tão certo como o contrário.


Central de Transportes em Viana. Caminho de Ferro em 1º plano

Nessa noite, cansada de trabalhar, cansada porque não tem trabalho, sem coragem para levantar-se entre os despojos do seu caos, essa Luanda estava incapaz de comparecer ao evento. Fazia anos - não seria elegante dizer quantos - Isabel dos Santos, primogénita do Presidente José Eduardo dos Santos, que escolheu o Miami, um bar da moda na ilha de Luanda, do qual é sócia, para celebrar com coisa de setecentos amigos chegados. Todos os convidados, escrutinados por um pelotão de seguranças, deviam vestir de branco. Abaixo do bar, numa enorme tenda sobre a areia da praia, seria servido o jantar. Ao lado, separado por um passadiço, brilhava a jóia da coroa, o bolo de anos, num altar envolto em arranjos florais. Por trás, fogo de artifício para a primeira fatia do bolo. Um grupo de «capoeira» articulava-se onde podia. Seguranças ofereciam olhares atentos, absolutamente convencidos do seu estado incógnito. Os convidados sacudiam o protocolo. «Boa party», dizia o novo ao velho, olhos à deriva. «Estas damas não são do teu campeonato», advertiu o «cota».


Saída de Luanda-Sul. Mercado

Isabel chegou dentro de um vestido em fundo branco, com estampado exclusivo de flores magenta e rosa - evidente como uma piscina olímpica no deserto - com Sindika Dokolo, o marido, filho de um banqueiro congolês, herdeiro prematuro da condição de milionário. Em séquito, abriram alas vagarosamente, consentindo que os desfrutassem. Três amigas aproximavam-se a grande velocidade, instáveis em salto alto, voando para um abraço cúmplice. «Huammm!!!» Beijo na bochecha da filha do Presidente. «Parabéns, querida! O teu vestido é lindo. Estás boa?» Tudo indicava que sim. «Ainda bem que vieste», disse Isabel. «Ya. Como é que eu ia faltar?!», declarou a amiga. As outras duas, de sorriso aberto, espreitavam com os queixos em posição oftalmológica nos seus ombros. Que desculpassem, Isabel tinha afazeres protocolares.


Próximo de Morro dos Veados

Convidadas da festa da filha de José Eduardo dos Santos: «dress code», branco Depois de um jantar bem regado, com interrupções fotográficas para a «Caras» angolana, decorria animadíssima a noite. Ocasião para iniciar a travessia para o bolo. Champanhe ao alto à saúde de Isabel, uma das empresárias mais poderosas de África, movendo-se em áreas multimilionárias como o petróleo ou os diamantes. Na última visita a Angola, o primeiro-ministro José Sócrates elogiou o seu empreendedorismo, endereçando-lhe convite para ministrar em Lisboa uma conferência sobre dinamismo empresarial. Talvez fosse aí o momento para explorar a contradição destes números: crescimento da economia angolana ao ano - 18 por cento; taxa de desemprego - 80 por cento. Ali, não era de certeza. Explodira alegria e fogo de artifício. O bolo de aniversário tinha agora um cenário de chuva brilhante, que iluminava o mar e os guardas que no pontão embalavam metralhadoras kalashnikovs.
Descera a madrugada em arromba. Os mais idosos começavam a desistir. Entravam outros, «party-people», «subjet-set» generalistas, a arejar as narinas com leques coloridos, envergando óculos panorâmicos, próprios para o amanhecer na pista. Excelente média de empresário por metro quadrado. O Mister África 2007, que agora chegava, cruzava-se com um deputado, de saída. A sociedade emergente desfilava, celebrando-se. O Miami era agora uma mini-Ibiza. O balcão do bar segurava um amontoado de gente, escorriam suores na pista, corpos apertavam-se, soltava-se África. Com a luz da manhã, os resistentes abandonaram.


Estrada para Viana. Snack Bar
À tarde, na esplanada de um restaurante chinês, na ilha de Luanda, hoje mais uma península, a cidade aparecia de novo deslumbrante, a coberto da distância, só interrompida por barcos de pesca rudimentares ou pelos iates que balouçavam ancorados. Câmara, luzes, acção: «Incrível! Como é que pode?», frase da Melhor Actriz angolana de telenovelas 2006, Tânia Bwity. Decorria a gravação da próxima telenovela da Televisão Pública de Angola, de título «Crime e Punição» - nada de Dostoievski -, sob direcção e argumento de Aloísio Filho, brasileiro, contente por ali estar, a bordo de um carro-digital com um estúdio móvel do mais moderno que é possível. «Incrível! Como é que pode?» Take 2. Os artistas, diz Tânia, são em muitos sentidos o espelho convexo da Angola que se mostra ao mundo, e ópio para os 12 milhões no anonimato, que usa quilómetros de puxadas de fios eléctricos só para os ver. «Incrível! Como é que pode?» Take 3. A avaliar pelo cenário, nada de errado.
INTERIOR da UNYKA, loja do estilista Rucka Santos, uma das mais luxuosas de Luanda (à espreita, um sinal dos tempos: uma cliente chinesa) A luz do dia começou a esconder-se. Do outro lado, Luanda adquiria brilho, camuflada sob as luzes de uma urbanidade que não tem. Esconde tantos segredos esta cidade, tantas singularidades, um fosso social que determina tudo ou nada, onde bolina uma classe média tímida, em boa parte expatriados ao serviço de multinacionais. Dizia alguém à Rádio Nacional sobre o problema dos buracos, que entopem o que está sobrelotado: «Como resolver o problema? Comprando um jipe.» Faz isto tanto sentido como a insegurança ser um excelente negócio para quem vende a segurança. Ou como estradas tão más entre províncias resultam num enorme estímulo para as companhias de aviação privadas. Angola está em bruto, como um diamante, mas não sofre de ingenuidade.


Luanda sul


De modo que se torna difícil massificar as modas internacionais, enquanto na rua há miúdos a coçar os piolhos, ou democratizar o luxo num universo transversal que habita condomínios de pobreza. Luanda é uma festa de crianças onde poucos têm altura para chegar à caixa das bolachas. É, portanto, o que é. Mas é também o inverso. Sol e alegria, desprendimento, ruído, vida vivida rápido, «ya» e «tásse bem». O ritmo vagaroso é apressado. A sua pressa tem muito tempo. O tempo tem relógios à venda, a bom preço nos zungueiros (vendedores de rua), directamente de um retalhista da R.D. do Congo. Que «take» reservará o futuro?
A BORDO de um iate, a caminho do Mussulo, recanto paradisíaco de Luanda Sul Se for da moda angolana, ao fundo está um sorriso. Os estilistas de Luanda, em processo de internacionalização, são como uma S.A. que se exporta, importando tecidos para as suas criações. Há tradicionalistas, retro-vanguarda, corte clássico, puristas, tribalistas, neoliberais, esquerda «fashion», os que estudaram Gestão em Lisboa, outros advocacia em Londres, uns que tiveram educação nos EUA, outros ali mesmo. Todos tomaram novo curso neste sector específico do universo amplo da futilidade. E há Shunnoz Tião, transcendência, antigo estudante de Psicologia, autoproclamado inventor da Pensologia, segundo o autor, uma espécie de corrente intelectual, com artes de igreja alternativa. «Não somos nada», diz Tião. «Não somos carne», diz Tião. Tião, contudo, desenha roupas para a carne que as pode comprar, vive da carne onde passeiam os exemplares com a sua assinatura. Com Tekassala, parceiro de ateliê, foram os Estilistas do Ano em Angola. Hoje, para encontrá-los é preciso viajar para as grandes capitais europeias, nas teias da globalização. O mesmo aconteceu com Rucka Santos. A sua loja, UNYKA, vende a exclusividade que o dinheiro pode comprar. Rucka organizou recentemente o espectáculo de Missy Elliot, embaixadora multimilionária do «rap» americano, que veio a Luanda ver como Angola é pobre entre o aeroporto e a sala de espectáculos. «Ela ficou muito impressionada com as mulheres com a fruta à cabeça», diz Rucka.





Luanda Sul


Vista da marina, onde iates e barcos de pesca tradicionais partilham águas «O mercado é reduzido, mas abastado», garantem. Tanto vai ao cabeleireiro a Paris, como lhe pode apetecer comprar-lhes uma colecção inteira e deixar o troco. Na «chaise longue» social, essa Luanda é como se fosse a capital do paraíso, pequeníssima, tão real como a outra, imensa e submissa, atada de pés e mãos como um gigante em Liliput. A sobrevoar a cidade num helicóptero particular, em direcção ao iate, na travessia para uma mansão, nem se notam as evidências. Os grandes problemas tornam-se pequenos, minúsculos, ínfimos. E desaparecem, voando para longe na nuvem doce de um Cohiba à brisa da utopia.
Vive em Luanda uma cidade cor-de-rosa, de festas, brindes à saúde dela própria, em pose para a «Caras», por acaso propriedade de Tchizé dos Santos, filha do Presidente. O angolano tem natureza vaidosa, gosta de exibir. A «Caras» dá os «high-lights» de tudo a quem nada tem. Os luxos, as recepções oficiais nos jardins da Cidade Alta, no palácio oficial do Presidente, as galas, as festas no Mussulo, recanto paradisíaco de Luanda Sul, navegando para lá nos seus iates, trajando lantejoulas e «smokings», com vista para uma cidade feroz, nas ruas de outra realidade.

Luanda Sul

Festa de praia Não seria por isso que Luís «Dufa» Rasgado, destacado empresário de Benguela, com vínculo ao MPLA, deixaria de assinalar o seu 60.º aniversário. A sociedade das aparências - ou das evidências - celebrava mais uma noite. Dizia no convite para se usar indumentária adequada, as melhores jóias, um «je ne sais quoi» de qualquer coisa, fosse o convidado pele de lobo em cordeiro ou exactamente o contrário. Fosse como fosse, ao entrar deixaram para trás uma rua cheia de guardas. E estes deixaram para trás as barracas e os milhões que nelas habitam, que deixaram para trás a província, as origens, longe, em sítios onde hoje só moram os velhos e a incapacidade de voltar. Para trás, musseque e pobreza. Para a frente, acepipes.
Gin-tónico, talvez? Whiskie irlandês com duas pedras de gelo purificado? Uma cervejinha importada a estalar? Salgadinho? O aniversariante, de «smoking» branco, da mesma cor do seu sorriso, estava à porta do Endiama, uma casa colonial de luxo no bairro de Miramar, onde fica a residência não-oficial do Presidente, assim como a «Casa Branca», que foi morada de Jonas Savimbi, líder defunto da UNITA. Abraço, beijo, agradecimentos pela comparência. «O trânsito está um inferno», atirou uma convidada, acertando a traseira do vestido, por onde escapava um pedaço de roupa interior. «Não se pode», devolveu outra, irrepreensível em corte clássico sobre camisa de folhos, penteado de fixação improvável.
SHUNNOZ TIÃO desenha roupas para os ricos. A sua parceria com Tekassala garantiu-lhes o título de Estilistas do Ano em Angola Muito difícil o trânsito na cidade. Se chove, pior. Os assaltos também não ajudam. Luanda foi desenhada para 500 mil pessoas. Tem hoje mais de cinco milhões. Nada flui. Só os mil esquemas que a rua oferece. Aliás, vende. Nada é de graça. Tudo se paga. Tudo falta. Tudo se arranja. Só os limitados conhecem como são duros os limites. E guardam isso para eles, como se guardassem um segredo. Os que navegam na zona franca do «cash-flow» saboreiam esta nova Angola que superou o colonialismo português, mas não o arrumou, que saiu de uma longa guerra civil, mas não sarou todas as feridas, que tem abundância de petróleo e diamantes e transborda pobreza a cada rua. E transborda riqueza, como certa roupa interior num vestido apertado.
É a Angola dos descendentes da ascendência, ínfima minoria. Alto negócio, carro de luxo, charuto, helicóptero, iate e champanhe, apartamento na cidade e casa no campo, da política de relacionamentos, do apetite sôfrego das economias internacionais. Crescem em Luanda prédios moderníssimos, esguios por questões de propriedade privada e valor de metro quadrado numa das cidades mais caras do mundo. Mas os passeios e as estradas em redor são feitos de buracos públicos. As chinelas havaianas que nelas passeiam - baptizadas «facilitas» -, tornaram-se mito, calçaram todos os pés, foram augúrio de modernidade. Mas os pés continuam sujos. E nada podem, caso se cruzem na rua com os pneus de um jipe topo de gama. O trânsito estava um inferno? Provável.
ESTIVANDRA Oliveira, Miss Angola 2006, fotografada na varanda da suite do Hotel Alvalade, em Luanda Os convidados integravam-se, escorriam pela cerimónia, mais descontraídos, segurando copos, descrevendo círculos. Uma bola gigante multimédia assinalava o evento: «Parabéns Dufa». Perto das mesas alongava-se um «buffet». Carnes, peixes, mariscos, frios, quentes, dentro de enormes caixas de cobre com tampa deslizante, para manter à temperatura exacta a comida. O vinho tinto devia estar a 16 graus. Para o Moët & Chandon, que começava a jorrar, o calor era inimigo da perfeição. Lá fora, dentro da enorme panela ao lume chamada Luanda, nas barracas onde não existe frigorífico e os escassos alimentos se conservam em sal, a Cuca, cerveja local, também sofre aquecimento prematuro. Tantas coisas dividem esse mundo deste, só mesmo imponderáveis os podiam unir num problema comum, sublinhando a diferença que os separa: uns incomodam-se porque não conseguem ter tudo. Outros sofrem porque só conseguem ter nada.




Estrada para Viana

Na pista, meninas com traje de princesinhas rodopiavam alegremente. Por trás do palco, um desfile de doces e uma colecção de frutos. Ao lado, outra de frutos secos. Um conviva mais animado, que sabia do que falava em matéria de fruta seca, pegou num exemplar e declarou: «Este é bom para a virilidade», olhar malandro. «É... hermafrodita». Adiante. Repasto, sobremesa, mais brindes, discursos, mais champanhe, digestivos, mais champanhe e mais champanhe, champanhe para o momento da noite: Dufa dirigiu-se ao centro da pista, para soprar as velas. Seguiram-se horas de baile, comida, bebida, alegria.
OS RICOS são poucos e muito ricos. Os pobres são muitos e muito pobres. São dois mundos diferentes num convívio de vizinhos Só a chuva deteve a festa, já de madrugada. De madrugada, o trânsito já não é um inferno. O inferno dorme a essa hora. Mas a chuva vai acordá-lo em sobressalto, despertando a Angola que não vai à «vernissage» e ao beberete, não tem preocupações com os «down jones» e o preço do barril de crude, não bebe conhaque em balão aquecido, não tem um todo-o-terreno Porsche e conta «off-shore», nem é servida em bandejas de prata. Essa Luanda, desenraizada, agoniza em contrastes. E sorri. E, sorrindo, é a Angola perdedora, neste jogo de subserviências. Tem a Babilónia debaixo dos pés, mas não encontra o caminho no meio do lixo e das barracas, a tropeçar no vácuo, a cair em nada. Se escavar um pouco do seu solo, é provável que encontre petróleo ou diamantes. A escavar no seu musseque, só encontra musseque.

Terça-feira, Julho 15, 2008

Whisky... velho!
Uma garrafa comprada no Luacano
aberta 40 anos depois

Para conhecer a história, ligar o som e clicar nas linhas seguintes:

http://www.youtube.com/watch?v=
mYOGSVB48aM&eurl=http://
batalhaocavalaria1883.blogspot.com/

Da C.Cav.1537 Chegou correio

Alguém sabe do Pinela?

Acaba de nos chegar esta mensagem do alferes Barreira, que se percebe ser dirigida ao Furriel António Vieira, que comentou aqui recentemente. Nenhum deles é nosso conhecido, mas isso não impede que aqui deixemos o apelo: Alguém sabe o paradeiro do alferes Pinela?

"Eu era da CCAV 1537 e fui render a v/companhia ao Mucussueje. Encontrei lá um amigo meu de Bragança , o alferes Pinela. Ainda me lembro bem da sua lavadeira, a Laurinda, que depois ficou comigo, alferes Barreira. Temos um blogue, procura por bcav1883 no google e logo lá vais. Sabes alguma coisa do Pinela? Nunca mais o vi.

Este é o endereço do nosso blogue: http://batalhaocavalaria1883.blogspot.com/"


Abílio Henriques em Luanda
Luanda Sul, hoje
Estrada de Luanda-Sul para Viana
Para ampliar, clicar sobre a foto

Estrada de Luanda-Sul para Viana. Posto de vendas de Materiais de Construção
Para ampliar, clicar sobre a foto

Pronto a Vestir
Para ampliar, clicar sobre a foto

O Abílio Henriques, que foi Furriel Miliciano da C.Caç.2544 e um dos mais entusiastas e colaboradores deste blog, esteve em Luanda há poucos dias.

As fotos que nos manda foram obtidas mediante telemóvel, em condições precárias, conforme nos relata. Mas promete equipar-se melhor para a próxima deslocação que fará outra vez a Angola.


Para já, aqui ficam três imagens. Outras se seguirão nos próximos dias.

Sábado, Julho 12, 2008

De Cavalaria
Chegou correio
Por curiosidade vesitei o vosso blog, porque uma comp. do Bat. a que pertenci esteve aí desde o Natal de 1966 a Junho de 1967 era a Comp: Cav. 780 eu pertencia a Comp. Cav.781 que estava no Mucussuege.

Voces têm um lindo blog, só lhes desejos felicidades.

Sou Antonio Vieira. Fui Fur. Mil. Mec. da Comp.Cav.781.

Podem ver o blog do BATALHAO CAVALARIA 782

Recordemos, com esta simpática mensagem que nos é enviada, a data que hoje tem um especial relevo para nós: completam-se neste dia 39 anos do nosso desembarque em Luanda. Luanda que encerra no seu nome a palavra Lua. Lua onde, seste preciso dia de há 39 anos, o homem desembarcou pela primeira vez.

Um dia de desembarques, este 12 de Julho de 1969!!!

Zé Oliveira

Alô Faria, vou hoje jantar a Vila Real e fico para amanhã. Estou no grupo das caricaturas.
Aparece!

Sexta-feira, Julho 11, 2008

Do B.Caç.2877
Chegou correio

Na caixa dos comentários entrou hoje esta mensagem, enviada por um camarada do B.Caç.2877, que viajoun connosco para Angola no Vera Cruz:

"Aqui lhes deixamos um grande abraço de amizade e camaradagem.
Muitos fomos e regressamos. Infelizmente nem todos.
Tomamos a liberdade de colocar no post de 12de Julho 08 uma referência e a cópia da apresentação do vosso Blog.

Até sempre

Bras Gonçalves

As palavras com que o Brás Gonçalves termina a mensagem aí de cima referem-se ao texto que temos no cabeçalho de apresentação do nosso blog. Agradecemos a referência e a transcrição e retribuimos os cunprimentos.

Segue o texto que Brás Gonçalves publica em http://bcac2877.blogspot.com/. Assinalamos a verde o texto transcrito do blog "Lumege".


Aqui deixamos, em mais um ano passado, a recordação amarga do nosso embarque para Luanda a 12 de Julho de 1969.
Muitos dos que foram, não voltaram.
Muitos dos que voltaram, já não estão vivos para nos acompanharem.
De todos e para todos, aqui deixamos um grande abraço de amizade, de companheirismo que se gera, se sedimenta e perdura para sempre, quando nascido de tempos e momentos de grandes dificuldade e incertezas.
Assim foi a vida de todos nós, naqueles 2 anos, perdidos, na nossa vida.
Por mais que não queiramos, as recordações da passagem pela guerra deixa marcas que irão permanecer por todo o resto da nossa vida.
Os sons, os cheiros, as memórias, vão passando muitas vezes, como um filme, aos pedaços, sobre as nossas consciências.
Aparecem em qualquer momento, sem se saber porquê.
Vivem acumuladas, como o pó num velho sotão, que de quando em quando é visitado e limpo.
Rebuscamos e aqui deixamos, parte da apresentação do Blog da CCAC2544 que seguiu connosco no Vera Cruz.
Um grande abraço tambem para todos eles



O dia em que desembarcámos em Luanda está registado a letras de ouro na História da Humanidade. Porque foi o dia em que o Homem desembarcou na Lua! Depois do Grafanil, veio o Lumege e mais tarde o Forte República. Éramos a CCaç. 2544 do Batalhão de Caçadores 2878, jovens apanhados na curva serôdea do colonialismo. Não desejámos a Guerra Colonial, mas participámos nela. Com que proveito? O da amizade que construímos e mantemos.


Esta foto-legenda, publicada no Século de 13 de Julho de 1969, regista em curto texto e documenta fotograficamente o nosso embarque no Vera Cruz a caminho de Angola, justamente no dia que hoje, 12 de Julho, cumpre 39 anos.

Há exactamente dois anos, publicávamos a imagem desta mesma notícia graças ao esforço do Fernando Hipólito, que a recolheu durante pesquisa que fez na Hemeroteca Municipal de Lisboa. Obteve-a nessa altura do modo possível, ou seja: por fotocópia. Por isso, a inserção que então fizemos não tinha a melhor qualidade. Entretanto, e mercê de um post publicado ontem no blog http://bcac2877.blogspot.com, dos camaradas que fizeram connosco no mesmo embarque, é-nos agora possível editar o mesmo documento mas agora com a qualidade acrescida que permite o recorte autêntico.

A última linha do texto deste recorte foi restaurada pelo blog Lumege, pois apresentava apenas as cabeças das letras.

Para ler o texto do recorte, clicar sobre a imagem




Lumege actual, visto do ar
As ruínas do nosso quartel aparecem no centro da imagem.
A messe de sargentos e o refeitório parece terem dersaparecido. Por serem de madeira, foram incendiados?
À esquerda, aparece a pista de aviação. Tem aparência de bastante usada.
Para ampliar, clicar sobre a foto

Já aqui dissemos, mas repetimos: para passear sobre o foto-mapa actualizado da região do Lumege (de todo o mundo, afinal!) basta clicar nas letras verdes abaixo e começar a actuar com o rato ao longo do monitor. Na escala da esquerda, pode aumentar (ou diminuir) a escala do foto-mapa. Actuando nas janelas em cima à direita, que aparecem no ecran sobre a foto, pode optar por ter as legendas (nomes das localidades, etc), que no caso do Lumege e região se resumem a bem pouco.
Angola&ie=UTF8&ll=-11.554287,20.781198&spn=0.008809,0.013218&t=h&z=
16&iwloc=addr

Alô terras do Sol Nascente!
Do Japão, quem nos visita?
...não é só curiosidade, é mesmo a suspeita de que podemos estar perante uma história curiosa: Quem, do Japão, nos visita aqui no blog?

Como já repararam, temos agora um geolocalizador de visitas aí na coluna do lado direito. (Até nos diz se em Paris faz sol ou troveja, mas enfim... o serviço do geolocalizador é de borla e a gente aceita, não escolhe...). Não sei se todos estão conhecedores de que indo ali ao geolocalizador e clicando sobre as bandeiras, somos remetidos para outra página. Depois, já nessa página, se clicarmos numa das bandeiras, ficamos a saber a localização mais exacta dos visitantes. E é assim que sabemos que, hoje, alguém nos leu a partir de Osaka.

Quem terá sido?!...

.

Quarta-feira, Julho 02, 2008

Chegou correio

"Pela primeira vez visitei o blog. Como apaixonado por aquelas terras, embora não me considere um ex-combatente, pois tive a "felicidade", de nunca ter saido das cidades de Luanda, excepto quinze dias no Luso e um dia de passagem por Nova Lisboa.

É com muito apreço que deixo o meu louvor a quem dedica parte do seu tempo dando noticias e divulgar os factos ocorridos.
Bem Haja."

Jaime

Nota:
Por uns instantes, assaltou-nos a possibilidade de estarmos a receber uma mensagem do Jaimito que, vindo do outro lado da "barricada", foi recolhido pela C.Caç.2544 e integrou a turma da escola primária do Lumege com aulas dadas pela esposa do Comandante da Companhia, o Sr. Capitão Tangarrinhas (ver neste blog nota de 20 de Maio de 2008) Mas não é ele quem nos contacta, é outro Jaime. Então, dois apelos:- Ao Jaime que agora nos escreve, pergunto: não quer contar o que é que o levou de Luanda até ao Luso passar uns dias?- Ao outro Jaime, o tal que, vindo do mato e do outro lado da guerrilha (mas entusiasta do Benfica!), será que estes milagres da internet o colocam em contacto connosco?

Domingo, Junho 29, 2008

Comentem mais!

Hoje, domingo e belo tempo para praia (ou para passeio pelo campo) pelo menos aqui por Portugal, apesar disso, e até meio da tarde já houve 8 visitas aqui ao blog "Lumege".

Duas visitas vieram de Lisboa e veio uma visita de cada uma das seguintes localidades: Marinha Grande, Belas, Barreiro, Leiria, Luanda (Angola), Neuvy-pailloux (França).
Mas ninguém deixou comentários; e seria interessante que o fizessem. No meu caso, verifico que aqui bem perto de mim, na Marinha Grande onde aliás estarei amanhã a partir das nove, alguém veio partilhar connosco aqui no blog.

Registem a vossa passagem! Falem-nos das razões que vos levaram a vir "conhecer" o Lumege!
Para deixar comentário, basta clicar aqui mesmo abaixo desta linha sobre a palavra verde comments.

Sábado, Junho 28, 2008

Chegou correio
Escreve-nos o Sr. Videira do Cameia Bar

As palavras seguintes foram deixadas em comentário em dois posts (de 31/7/06 e 21/4/06).
Retribuimos os votos e gostaríamos de, no próximo ano, poder abraçar o Sr. Videira e esposa (e filhos) no convívio da C.Caç.2544. A data e local de almoço já estão marcados, é a 30 de Maio na Figueira da Foz. Hoje em dia, de Seia à Figueira é uma viagem rápida que os filhos ajudarão a planear! Tem um ano para pensar nisso.
Segue a mensagem do Sr. Videira:

"Parabéns pela ideia do Blog, deste Ponto de Encontro!

Eu, António Videira e a minha esposa Adelaide Videira (os proprietários do Cameia Bar) estamos muito honrados com os vossos comentários.

Aproveitamos ainda a ocasião, para mandar um beijinho muito especial ao nosso afilhado “Nelito” Tavares, filho do Sr. Hostilio Tavares e a todos que connosco viveram num clima de fraternidade, e foi essa forma de viver em comunidade que mais saudades nos deixou…

Emocionamo-nos ao recordar as pessoas e os lugares, trazendo-nos à memória os tempos vividos…

A todos votos de muita saúde."

Terça-feira, Junho 24, 2008

Na Mealhada

C.Caç.2544 reuniu para almoço



Foram 23 os combatentes que...

...armados de facas e garfos...

...de pé ou sentados...

...seguiram a atitude exemplar do Comando...

...comendo e confraternizando.

Até as veteranas participaram nesta operação!

A alguns, chegava o gás mostarda ao nariz.

Outros jogavam de canto e à defesa!


E tudo acabou em bem, com o bolo cortado em 54 fatias, As mais gordinhas foram para os 23 combatentes e as restantes para os seus acompanhantes...

Para o ano há mais, a 30 de Maio na Figueira da Foz.

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CONFIDENCIAL
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Nem todos viram tudo durante a última confraternização da C.Caç.2544, mas a nossa câmara indiscreta esteve lá!








































Depois do telejornal
O ex-alferes Cardoso Hoje na RTP
O Alferes Cardoso, de quem se fala abaixo, intervém hoje num programa de televisão da RTP, depois do telejornal da noite.
A notícia foi obtida pelo Fernando Hipólito junto do ex-capitão Tangarrinhas no decurso do almoço de confraternização do passado sábado.
Trata-se de uma informação incompleta, que não refere programa nem canal de TV onde passa, mas a todo o momento introduziremos aqui novos pormenores.

Domingo, Junho 22, 2008

Chegou correio
O Alferes Cardoso

José Maciel deixou o seguinte comentário:
"Eu nao conheci o Alferes Cardoso. O Sargento Queirós (creio que substituiu o Alf Cardoso) esteve algumas vezes em Chafinda com o grupo de GE's, no início de 1971, quando da minha permanência naquele destacamento".

Tem razão, José Maciel. O Alferes Cardoso, que já tinha terminado a sua comissão militar obrigatória e continuou em funções mediante contrato que decorreu da sua reconhecida eficácia, sofreu ferimentos em combate. Foi, aliás, o único ferido que o seu grupo alguma vez sofrera. Foi substituído pelo sargento Queirós, que pertencera à companhia "Os Cobras" continuando no exército também ele contratado, situação excepcional.

J.O.
Para ler o texto abaixo, clicar sobre a imagem
O alferes Cardoso é este da foto acima. O que se reproduz é uma página do livro "Guerra Colonial - Um repórter em Angola", de Fernando Farinha (e Carlos de Matos Gomes), da Notícias Editorial.
Para evitar equívocos, completamos a frase que se pode ler por cima da foto:
"E nunca chegou ao fim de qualquer acção em que não tivesse apanhado material ou armamento".
Este livro reune reportagens de guerra que Fernando Farinha publicava regularmente na revista Notícia, cuja séde era em Luanda embora tivesse uma redacção em Lisboa (chefiada por Edite Soeiro) e outra em Lourenço Marques, capital de Moçambique.
A Notícia tinha uma particularidade interessante: Em Luanda, preparavam-se os fotolitos em triplicado, seguindo um conjunto deles por avião para Moçambique e outro para Lisboa, para que a revista fosse impressa simultaneamente nos três territórios.
Voltarei a falar de Fernando Farinha em breve.

Sábado, Junho 21, 2008

B.CAÇ.2878
CCS reuniu (ignoro onde, mas reuniu!)
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Para ampliar, clicar sobre a foto
Eis dois momentos de um mesmo minuto do passado dia 14, quando a CCS do nosso Batalhão confraternizava. Onde? não sei. E passo a explicar:
Hoje, dia 21, reune com o mesmo objectivo a nossa C.Caç.2544. Não participo, por absoluta impossibilidade.
Como sabem, eu pertencia ao quadro orgânico da Quarenta e Quatro, mas passei a quase totalidade da comissão em serviçço na CCS.
Recebi atempadamente a informação da data e local da confraternizaçãoda 2544, mas nada recebi acerca da confraternização da CCS (devido a qualquer lapso que nem importa averiguar).
Há uns 15 dias, mais ou menos, telefonou-me o Pedro da Cantina para combinarmos a viagem juntos, pois ele mora a poucos quilómetros de distância de mim. Como eu apenas tinha recebido comunicação da confraternização da C.Caç.2544, confundi-me e, na minha cabeça, o Pedro "passou a ser" da companhia do Lumege. E respondi-lhe "não posso ir", mas estava a pensar na data de hoje, 21. E não pensei mais nisso.
Uma confusão do caraças!
Quando agora o Barrão Mendes me manda estas fotos, caio em mim! Olho para as caras e... é a CCS que está aqui reunida! Onde? Não faço ideia!
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Pesar pela morte do jerónimo...

Escreve o Barrão Mendes: "li a notícia da morte do Jerónimo, fiquei bastante chocado, mas nada a fazer, é a ordem da vida."
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...e regozijo pela participação do alf. Cardoso
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Acrescenta o Barrão Mendes: "O almoço da CCS foi no passado fim-de-semana, pela primeira vez esteve presente o ex-alferes Cardoso".
Como se recoram, o alferes Cardoso comandava o GE 300 e ficou lendário pelo espírito de grupo que conseguiu criar com os seus homens, todos africanos.
Cheguei a acompanhar o GE 300 numa operação de cinco dias na zona do Cassai, a pedido meu, movido pela curiosidade de conhecer a actuação do grupo, ao mesmo tempo que ficava também a conhecer o modo de actuação profissional de um jornalista francês que estava a trabalhar para uma publicação da África do Sul. Chamava-se Claude Gilbert e estava em reportagem de guerra para a revista Scoppe.
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José Oliveira

Nota:
O Alferes Cardoso parece-me ser o quarto da esq. para a dir. (de pé)

Quinta-feira, Junho 12, 2008

Vamos sobrevoar o Lumege!

A ideia de colocar aqui uma fotografia de satélite que mostrasse o Lumege foi do Hipólito, que me mandou o endereço electrónico de um geolocalizador. Tentei colocar aqui um link para o site que ele me indicou, mas acabei por usar outra fonte de informação: o www.maps.google.com. Talvez por já estar habituado a este e não conhecer o outro, este parece-me mais fácil de manobrar. Mas as fotos são as mesmas para ambos os sites, portanto vamos ter o mesmo resultado.
Instruções de voo:
1 - Clicar sobre as letras azuis que estão abaixo;
2 - Na imagem, escolher (lado direito, em cima) a opção "Satélite";
3 - Com o botão esquerdo do rato, subir o cursor (lado esquerdo, parece uma escada)até à penúltima posição;
4 - Para passear, arrastar a mãozinha (premindo o botão esquerdo do rato sem largar);

Para orientação, tenham em conta estes elementos que se identificam com facilidade: Linha de Caminho de Ferro, Igreja e pista de aviação.

Vamos lá então clicar sobre as letras verdes!

http://maps.google.com/maps?f=q&hl=pt-
PT&geocode=&q=Lumeje,+Moxico,+
Angola&ie=UTF8&ll=-11.554287,
20.781198&spn=0.008809,0.013218&t=
h&z=16&iwloc=addr



Quarta-feira, Junho 11, 2008

Luto na CCS do Batalhão
Faleceu o cripto Jerónimo

O Manuel Jerónimo, operador de cripto na CCS do nosso Batalhão, faleceu no passado dia 6 com 61 anos.
Fora operado a uma hérnia discal, conforme noticiámos. E, segundo declarações de uma das filhas ao blog "Leste de Angola", foi-lhe depois diagnosticado um tumor na coluna, que estava oculto aquando da intervenção à hérnia.
Foi a sepultar no dia 7 no cemitério de Pegões Velhos.
Foto e informações de "Leste de Angola"

Viva Angola!
Desde que este blog dispõe de localizador de visitas, tivemos hoje a primeira entrada de um web-leitor de Angola. Pois venham mais! E deixem os seus comentários!

Ponto de encontro
Chegou mais correio

Rocha e Abílio (ao fundo) na ponte sobre o Lumege
(Foto do álbum de Abílio Henriques)

A mensagem seguinte, que acaba de chegar, reporta-se a uma outra de Dulcídio Ribeiro que pode ser consultada em 8 de Março de 2007 (recorrendo ao Arquivo, coluna do lado direito, sob o título "Archive")

"Conheço muito bem o teu avô. Eu sou também do Lumeje. Sou neto do velho Santos Pais e estudei com teu primo Osvaldo no Internato Do Luso.

Sou o Cido. Tu não te deves lembrar de mim pois eras muito pequeno, mas conheço teu pai, tua mãe, tua avó, avô, Filomena, Lita, tuas tias, Julita, Belita Etc.

Beijos para elas todas.

............................Cido"


Terça-feira, Junho 10, 2008

Chegou correio

"Estou deveras emocionada... E tudo porque um amigo me enviou este vosso link, precisamente porque sabe o carinho que nutro pelo Lumeje... Só não sou natural do Lumeje, porque minha mãee teve, e por questões de deficiênncia, de deslocar-se para o Luena, ou Luso, para lá me dar à luz por cesariana...

As coisas lindas que já descobri aqui...

E vou só tentar colocar esta minha mensagem para ver se entra... Já que é a primeira vez que deixo uma mensagem num Blog deste género... mas se sair vou voltar... ai vou... vou... até porque tenho de dizer umas coisinhas a alguém que muito gosto..."
.................................Adelaide

Viva, Adelaide!
Conte-nos coisas acerca das recordações que tem do Lumege! Como vê, as mensagens chegam cá! Conte-nos que idade tinha quando lá estivemos! O que faziam os seus pais, enfim, o que quiser. Se lhe for mais fácil, pode usar este endereço:
Através dele, pode mesmo mandar fotos do Lumege que goste de ver publicadas. Só tem de ter a preocupação de escrever o endereço com o teclado, pois isso aí acima é uma imagem, não é um link (por uma questão de segurança).

Provavelmente saberá disso, mas existe muito mais material publicado no arquivo deste blog (na coluna do lado direito, sob o título "Archive").

Domingo, Maio 25, 2008


Para o pessoal da CCS
Cripto Jerónimo internado no Montijo



Carlos Talaia, Cabrita Lopes, João Pedro e Manuel Jerónimo


Foto e informação recolhida no blog "Leste de Angola"

Manuel Jerónimo (à direita), que foi operador de cripto na CCS do Batalhão de Caçadores 2878, foi sujeito a uma intervenção cirúrgica a uma hérnia discal. Enfrentando algumas complicações clínicas imprevistas, continua há mais de um mês no Hospital do Montijo.
"Leste de Angola" falou com uma filha do Jerónimo e dá mais pormenores em http://lestedeangola.weblog.com.pt/

Mais documentação
Para a História

Continua a chegar-nos documentação.

São elementos para a História de Angola que, se não esclarecessem nada de essencial acerca do que realmente foi importante (mas esclarecem), possuem pelo menos o mérito de nos ajudar a compreender com que dificuldades e persistência trabalhavam os nossos "opositores".

Insistimos em pedir que o autor do envio destas informações nos contacte, identificando-se. Se pretender fazê-lo de modo reservado (isto é: sem se identificar publicamente aqui no blog) pode fazê-lo para o mail do coordenador do blog Lumege cujo endereço é:
Se for essa a sua vontade, não divulgaremos a sua identificação.
Se quiser enviar-nos fotos ou outro material gráfico, pode igualmente fazê-lo através deste mesmo endereço. Segue a documentação recebida:

MÁRIO AFONSO D´ALMEIDA
BirKesdorf, 8/9/1961BIRKESDORF - DUREN
(RHLD)Durenerstrab
( 119) 25ALLEMAGNE
Exmo. Snr.Dr. E. Santos
B. P. 2353BRAZZAVILLE
Meu cara Doutor,
O nosso colega Videira pediu - me, em Paris , para entrar em contacto consigo a fim de que me esclarecesse sobre um número de pontos concernentes à nossa actividade médica, como veis membros duma organização para assistência aos refugiados , organização esta que , por meu irmão , vim a saber que se intitulava ( CORPO VOLUNTÁRIO DE ASSISTÊNCIA AOS REFUGIADOS). Esclareço que por mim, se fora só, escrever - lhe apenas à pedir instruções para seguir logo que elas chegassem. Como minha mulher e meu filho me acompanharão é pensando neles lhe peço o favor de enviar informações sobre o seguinte:
a) ALOJAMENTO,
b)LOCAL OU LOCAIS DE TRABALHO,
c) MEIOS DE DESLOCAÇÃO,
d) URGÊNCIA DA MINHA PRESENÇA
e) HONORÁRIOS.
Aguardando a sua resposta termino enviando as cordiais saudações a todos os amigos e colegas. Creia - me inteiramente solidário com tão nobre causa e receba um abraço de quem atenciosamente se subscreve,
MARIO AFONSO D`ALMEIDA
( CARTA PERTENCENTE AO ESPOLIO DE UM DOS FUNDADORES DO M.P.L.A. , Dr Hugo José Azancot de Menezes)

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Your Ref: GMH/ Cr
Our Ref: MWKC/ JP/ N/7a
Mr. G . M. HOUSER,
AMERICAN COMMITTEE ON AFRICA,
4 WEST 40TH STREET,
NEW YORK 18,
N.Y.,U.S.A.Dear
Mr. Houser,
Thank you very much for your letter of the 17th june, 1959. Our Angola friend about Whom Mr. Mboya talked with you When you met in America, is Dr HUGO MENEZES who Comes from portugese Angola, and we have been trying to one of the independent African countries so that he can be free to express himself.´His present adress is as above, and weShall be grateful if you can give him all the assistance possible.We are particularly glad to note that you are trying very hard to bring the portugese question before the United Nations. Dr Hugo will be very useful in thisrespect and i hope you will not hesitate to write to him.Looking forward to hearing from you in the near future.
With best wishes,
Yours sincerely,
M. W. KANYAMA CHIUME
PUBLICITY SECRETARY
NY ASALAND
AFRICAN CONGRESS



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JORNAL” REPÚBLICA”
FUNDADOR: DR. ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA,
DIRECTOR: CARVALHO DUARTEDIRECTOR-
ADJUNTO: ALFREDO GUISADO
DIÁRIO DA TARDE DE MAIOR CIRCULAÇÃO EM TODO PAÍS
CHEFE DE REDACÇÃO E EDITOR: ARTUR INEZ
TERÇA -FEIRA,10DE SETEMBRO DE 1957
ANO 47( 2ª SÉRIE) -
Nº9598- PREÇO 1$00
APRESENTOU UMA GRAVURA COM OS PRESIDENTES DOS ORGÃOS DIRECTIVOS DA CASA DOS ESTUDANTES DO IMPÉRIO: HUGO MENEZES, DE S. TOMÉ,CARLOS ERVEDOSA, DE ANGOLA,FERNANDO VAZ, DE MOÇAMBIQUE.



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MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DA AFRICA SOB DOMINAÇÃO PORTUGUESA
CONAKRY
Convoca-se ao camarada HUGO DE MENEZES a comparecer na reunião legal que tera lugar em 26 do corrente pelas 15horas no BOURSE du travail sob a presidência do camarada , com a seguinte ordem da dia:
Conakry, 24 de março de 1960
O Secretário Geral Luis da Silva



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DOCUMMENT D,UN DES FONDACTEUR DU M.P.L.A. (DOCTEUR HUGO AZANCOT DE MENEZES)
Camarade PRESIDENT,
En attendant de te faire un rapport complet sur la conférence Africaine de Luanda ( Angola) organisée par L`organisation Internacional du travail ( O.I.T.), nous avons pensé utile de te communiquer ce document qui nous a permis de demasquer et de dénoncer lors des assises la honteuse politique anti- sociale du gouvernement Portuguais.A l´ouverture de la conférence le 1er Décembre nous avons constaté qu´aucun Africain n´etait inclu dans la délégation Portuguaise. Le groupe ouvrier ne pouvait par conséqent avoir aucune information sur les conditions de vie et de travail des Angolais.Nous avons forcé les barrages de police et nous avons pu entrer en contacte avec la population noire par des voies habituelles .Il faut signaler ici que nous avions déjá deux adresses données à beaucoup de relations et même une certaine influence dans la jeunesse en Angola. Ceci nous a facilité énorm´ment les prises de contact et c´est par cette voie que nous avons obtenus d´un groupe de travailleurs noirs, et métis ce document complet.Nous pensons que notre délégation à L´O.N.U pourra utiliser ces tensionamento authentiques.Les procès verbaux de la réunionLa Revue de la presse PortugaisePendant la session, nos interventions suivront ultérieurement.LE CHEF DE LA DELEGATION OUVRIEREDIALLO SEYDOUSECRETAIRE GENERAL DE L´ U.G.T.A.N.



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Conakry, le 31/8/ 1959 Nº----------/
BPLE BUREAU POLITIQUE DU PARTI DEMOCRATIQUEDE GUINEE à - CONAKRY-
Aux responsable de MAC ( Portuguais ) Conakry.
Chers camarades
Nous vous accusons réception de votre lettre s/ Nº --------- du 31-8-59 relative á la creation d`un bureau, a la subvention etc……………………………………...........Cette affaire sera examinée au cours de la plus prochaine réunion du Bureau Politique du P.D.G. dont la decision vous sera comuniquée immediatement./.
Fraternellement
Le Secretaire Permanent Parti Democratique de Guinée----
Bueau PolitiqueMara Diomba Député
(carta pertencente ao espolio de um dos fundadores do M.P.L.A. , Dr Hugo José Azancot de Menezes).

Terça-feira, Maio 20, 2008

Fotos cedidas pelo capitão Tangarrinhas
Um Lumege tranquilo
,
À porta do edifício principal do aquartelamento da C.Caç.2544, o comandante da Companhia, capitão Tangarrinhas, tem ao colo um dos seus filhos e está acompanhado da esposa, que aproveitou o tempo da nossa estada ali para dar aulas na escola do Lumege.
O emblema da nossa companhia e as armas foram esculpidos em cimento salvo erro pelo alferes Almeida, 2º Comandante da Companhia.

Enquanto a C.Caç.2544 esteve no Lumege, a professora da escola local era a esposa do capitão Tangarrinhas.

Um dos alunos era o Jaime, garoto que fora capturado no mato, aos familiares que pertenciam a um dos movimentos nossos adversários. Seria interessante que alguém nos relatasse as circunstâncias em que o Jaime veio parar à mãos da C.Caç.2544.

O Jaime recusava-se a falar da sua família, da sua vida no mato, de tudo o que pudesse comprometer os seus. Disso lembro-me eu. Mas não me lembrava (ou não presenciei) um episódio interessante que salvo erro o Abílio Henriques recordou há tempos:

o garoto fechava-se em copas acerca de tudo, mas certo dia em que o rádio relata um desafio de futebol em Portugal e o locutor dizia que o Benfica tinha marcado, ou defendido, ou coisa assim, o Jaime soltou um enfático grito de entusiasmo: "Benfica!"

O Jaime é o garoto de camisola esverdeada, ao centro Eu não tinha a certeza absoluta, mas o Diamantino Rocha confirmou.

E os restantes garotos? Quem são eles? Temos tido tão gratas surpresas com este blog, que nada nos admirava que alguém se revisse aqui, passados 39 anos!
Para facilitar, pode ampliar a imagem clicando sobre ela.


Estação de Caminho de Ferro do Lumege.
Estamos em 1969 e o alferes Marques de Freitas (ao centro) espera pela chegada do "camacouve" que o levará de férias até Portugal.
O capitão Tangarrinhas, de mangas arregaçadas, troca com ele as últimas impressões. Ambos cabisbaixos, sabe-se lá porquê...
Em regra, a passagem do comboio era um acontecimento que fazia deslocar à estação boa parte da maior massa humana da localidade: os militares da C.Caç.2544.
A localidade não tinha mais do que uma vintena de casas de brancos.

Segunda-feira, Maio 19, 2008

Em 21 de Junho,
Convívio-2008 é na Mealhada

Todos terão recebido a "Ordem de serviço" que aparece abaixo. Mas, para a eventualidade de ter havido algum extravio de correio, damos aqui nota do essencial:

Data: 21 de Junho
Hora de concentração: Convém que seja antes de almoço
Local: Restaurante "O Leitãozinho", Mealhada.
Para chegar lá: Tomando como referência o centro da Mealhada, seguir pelo IC-2 (Ex Nacional 1) durante 3 Km no sentido de Coimbra, até Santa Luzia. Encontra-se a Iberplanta e as bombas da Galp. O restaurante fica em frente ao Artesanato.
Ementa: Sopa de legumes, Leitão à Bairrada, Bacalhau assado no forno com puré, Sobremesas, Bebidas, Café.
Preço: 22,50 Euros
Enviar cheque para:
Papelaria Romana (do Figueira)
Praça da República, 13
3150-127 CONDEIXA-A-NOVA
Mais esclarecimentos: Fernando Teixeira (965643285) e Figueira (966559717).

"Morte na Picada"
"Já comprei oito"

Excelente o «Morte na Picada». Já comprei oito para ofertas de aniversários aos camaradas que estiveram comigo em Henrique de Carvalho em 1968, na CC 2387.Vê-se mesmo que o Sr. Antunes Ferreira percebeu no que estava metido e foi capaz de escrevê-lo. Andou lá e isso diz tudo. Venham mais.

João Armando Raul Silva, ex-furr.mil.


"Morte na Picada"
Empolga, emociona, tem graça


Já li o livro. É empolgante, é emocionante, tem muita graça, tem muitas mulheres boazonas, está muito bem escrito - e é comovente. Concordo com o Joaquim Furtado: é, se não o melhor, um dos melhores publicados no nosso País sobre a guerra colonial. Já o recomendei a amigos do meu tempo de mobilizado em Angola.Parabens ao autor, parabens ao editor e parabens ao dono deste excelente blog.


Manuel Pedro, ex-capitão miliciano

Embora nascido sob a bandeira da C.Caç.2544, este blog é aberto a todo o universo da guerra colonial. Por isso, aqui se recebem de braços abertos notícias como a do aparecimento da edição divulgada abaixo.

Registamos e agradecemos os cumprimentos endereçados a este blog, mas salientamos que ele não tem um "dono"; é, antes, "propriedade" de toda a C.Caç.2544.



Sábado, Maio 17, 2008

Morte na Picada
Para ler e recordar
Contos da guerra em Angola da autoria de Antunes Ferreira
.

A informação começou por nos chegar em comentário.
Pegámos no assunto e, junto do autor, recolhemos mais detalhes. Que aqui se registam.

«Morte na Picada», da autoria de Antunes Ferreira, numa edição da Via Occidentalis, está a caminho do sucesso. Aquando do seu lançamento na fnac do Colombo, no dia 15 de Abril (mais de 200 pessoas presentes), Joaquim Furtado – um grande Jornalista, autor da série A Guerra Colonial, um enorme êxito na RTP - afirmou, na apresentação que o livro, «de que gostei mesmo muito», em seu entender, «é o melhor que, no género, e sobre o tema foi publicado em Portugal». O «Morte na Picada» tem no prelo a 2.ª edição.
Recorda-se que o Correio da Manhã já há três semanas que está a proporcionar aos seus leitores a primeira parte dos programas de Joaquim Furtado em DVD semanal. A segunda série vai começar a passar também na RTP, muito brevemente.
Entretanto, o autor deslocou-se a Coimbra e ao Porto e lá apresentou o livro, nas livrarias Bertrand dos centros comerciais Dolce Vita daquelas cidades, bem como autografou exemplares. A Bertrand é a distribuidora do volume, uma série de contos (short stories) sobre a guerra colonial de Angola, cuja acção decorre em meados dos anos 60.
Antunes Ferreira tem vindo a conceder várias entrevistas a órgãos da Comunicação Social, entre os quais avulta o Diário de Notícias, em que trabalhou como jornalista durante 16 anos e de que foi Chefe da Redacção. Mas, outros jornais e rádios têm igualmente registado o acontecimento.
A editora da obra é a Via Occidentalis, (
www.via-occidentalis.blogs.sapo.pt) de Lisboa. No blogue podem ser consultados todos os dados sobre o livro, cujo preço de capa é € 14,70. Tem um prefácio da autoria de Joaquim Vieira e a capa e as fotos do interior são de Fernando Farinha, para muitos o maior repórter fotográfico da guerra de Angola.
«Morte na Picada» tem sido muito bem recebido junto de ex-combatentes das guerras coloniais (ultramarinas) que, apesar de se tratar de ficção, vêm nas suas páginas um retrato muito próximo da realidade. o que não admira, pois Antunes Ferreira, que nela participou, tem a experiência daquilo que, segundo diz, «foi uma infelicidade, sobretudo porque estava contra esse crime».

Notas para a história
Mais documentação

Continua a chegar-nos documentação que, uma vez mais, repescamos da zona de comentários para aqui. Pedimos ao responsável pela colocação deste material documental que nos forneça o seu contacto.

Se não erramos na interpretação, o autor dos textos que noa têm estado a chegar começa o texto seguinte aludindo ao facto de, em post anterior, termos chamado a este material "documentação histórica"

UMA CRÍTICA MUITO DURA AOS MÉTODOS DO MPLA

Ao saber da conversa ocorrida em Acra (Ghana), Lúcio Lara reagiu: « Os cubanos falam de mais»
HUGO AZANCOT DE MENEZES

Longe de mim a pretensão de ter feito história ou de escrevê-la.Contudo, vivi factos que envolvem, também , outros protagonistas. Alguns, figuras ilustres. Outros, gente humilde, sem nome e sem história, relacionados, apesar de tudo, com períodos inolvidáveis das nossas vidas. Alguns destes factos , ainda que de fraca relevância, podem ter interesse, como « entrelinhas da História», para ajudar a compreender situações controversas. Conheci Ernesto Che Guevara em Acra , em 1964, e comprometi - me a não publicar alguns temas abordados na entrevista que tive o privilégio de lhe fazer como « repórter» do jornal Faúlha. Já se passaram mais de 30 anos. O contexto actual é outro. Pela primeira vez os revelo, na certeza de que já não é o quebrar de um compromisso, nem a profanação de uma imagem que na entrevista realizou-se na residência do embaixador de Cuba em Acra , Armando Entralgo González, que nos distinguiu com a sua presença. Ali estava Che… A sua tez muito pálida contrastava com o verde - escuro da farda. As botas negras, impecavelmente limpas. Encontrei-o em plena crise de asma, Socorria - se , amiúde, de uma bomba de borracha. Che Guevara, deus dos ateus, dos espoliados e dos explorados do terceiro mundo, deus da guerrilha, tinha na mão uma bomba, não para destruir mas para se tratar… de falta de ar. Aspirava as bombadas, dando sempre mostras de um grande auto -domínio. Fora-me solicitado que submetesse o questionário à sua prévia apreciação - e assim o fiz. Uma das questões dizia respeito à cultura da cana - de - açúcar em Cuba. Como encarava ele a aparente contradição de combater teoricamente a monocultura - apanágio dos sistemas de exploração colonial e tão típica dos sistemas de exploração colonial e tão típica do subdesenvolvimento - ao mesmo tempo que fomentava, ao extremo, a cultura da cana e a produção de açúcar - mono -produto de que Cuba se tornaria, afinal, cada vez mais dependente?Outro tema que nos preocupava, a nós , africanos, era o papel dos cidadãos cubanos de origem africana na revolução cubana e a fraca representação deles nos órgãos de direcção dos país e do partido, os quais tinham proscrito qualquer discriminação racial. Não constituiria o comandante Juan D´Almeida - único afro - cubano na direcção do partido - uma excepção? Entretanto, a crise de asma agudizava-se , o que nem a mim me dava o à - vontade requerido nem, obviamente, ao meu interlocutor a disposição necessária para o diálogo. Insistiu para que eu o iniciasse. Ao responder - lhe que não me sentia á vontade para fazê-lo, em virtude de seu estado, disse - me em tom provocante e com certa ironia :« Vejo que você é um jornalista muito tímido.» No mesmo tom lhe respondi, que não me tinha pronunciado como jornalista, mas como médico . « Comandante, as suas condições não lhe permitem dar qualquer entrevista», disse-lhe eu. Olhando-me , meio surpreso e sempre irónico, replicou: « Companheiro, eu não falo como doente, também falo como médico.Em meu entender, estou em condições de dar a entrevista.» Mas a crise de asma não melhorava, tornando impossível o diálogo. Foi necessário adiá-lo. Reencontrámo-nos dias depois. Estava, então, quase eufórico. Referindo-se á atitude dos cidadãos cubanos de origem africana, à sua fraca participação na revolução, disse não gostar de se referir á origem ou à raça dos homens. Apenas à espécie humana, a cidadãos, a companheiros. Manifestei-lhe a minha total concordância. «A verdade », disse-lhe eu, «é que a revolução cubana tinha suscitado em todos nós , africanos, uma enorme expectativa, muita esperança, pois que, pela primeira vez, assistia-mos a um processo revolucionário de cariz marxista, num país subdesenvolvido e eis - colonial , tendo, lado a lado, cidadãos de origem europeia e africana, e onde a discriminação racial tinha sido, e ainda era, tão notório.» Cuba seria pois, para nós, africanos, um teste. Seguíamos atentamente a sua evolução e queríamos ver como seria resolvido este problema.Muitos, em África, mostravam-se cépticos. Mais do que interesse, da nossa parte existia ansiedade. Segundo Che Guevara , a população de origem africana, a principio, não participava no processo. Via-o com uma certa indiferença, como mais uma luta…«deles». Mas a desconfiança estava a desaparecer, era cada vez maior a adesão, á medida que iam constatando que este processo era totalmente diferente daqueles que o precederam. Que era um processo para todos. Che Guevara acabava de chegar do Congo - Brazzaville. Visitara as bases do MPLA em Cabinda (de facto, na zona fronteiriça Congo/ Brazzaville /Cabinda) . Pedi - lhe que me desse as impressões da sua visita. Che não era um diplomata, mas um guerrilheiro, e foi directamente à questão: « O MPLA tem ao seu dispor condições de luta excepcionais. Quem nos dera a nós que, durante a guerrilha, em Cuba, tivéssemos algo comparável. Mas estas condições não estão a ser devidamente aproveitadas, exploradas … O MPLA não luta, não procura o inimigo , não ataca… O inimigo deve ser procurado, deve ser fustigado, deve ser perseguido, mesmo no banho. Agostinho Neto está a utilizar a luta armada apenas como mero instrumento de pressão política.» Dei parte da conversa a Agostinho Neto. Não reagiu. Tal como a Lúcio Lara, que me respondeu: « Os cubanos falam demais.» Mas Che falava verdade. Durante vários anos, na minha qualidade de responsável dos serviços de assistência médica da 2º região político - militar do MPLA (Cabinda ) , fui disso testemunha a cada passo. Aí e assim , como contestação a esta e outras situações idênticas, surgiria dentro do movimento, antes de Abril de 1974, a Revolta Activa.

Hugo José Azancot de Menezes foi médico. Foi um dos fundadores do MPLA

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Conacry,10 de agosto de 1961 Ref. 383/21/61
Hugo Azancot de Menezes
Recebida aos 24/08/61

Caro HugoEstimamos que tu e a tua família tenham feito uma excelente viagem e que vocês todos gozem de boa saúde.Diz-nos urgentemente de que necessitares aí. Estamos aqui para servir da melhor maneira.
1-Junto te envio copia de uma carta que o director do EXPRESSEN dirigiu ao bureau da CONCP. Pelos vistos já estão a caminho de Léopoldville 3 toneladas de medicamentos, de medicamentos, os quais se destinam a CVAAR.
Achamos que é muito importante reter a seguinte passagem da carta do director do EXPRESSEN: “ Nos remede sont a leur disposition, mais s`ils n`arrivent pas a Léo ces temps -ci les remede seront distribués aux infirmeries au long de la frontiere. Se for possível , é muito conveniente que te apresentes urgentemente ao M. Gosta Streiffert , coordenador em chefe da acção em favor dos refugiados angolanos no congo. Os fins da tua visita ao Streiffert deverão ser os seguintes:

a) Garantir- lhe a próxima chegada ao Congo de mais dois médicos angolanos. ( Com efeito, o ministro da saúde deste país acaba de dizer ao Eduardo que ele pode partir quando ele quiser . Em face disso, é quase certo que o Eduardo e o Boavida partirão no próximo barco, ou mesmo antes, de avião.

b) Avisar ao Streiffer que os três médicos angolanos -- Tu ,Boavida e Santos -,que estarão aí certamente antes da chegada dos medicamentos, estão prontos a entrar imediatamente em actividade com os medicamentos enviados da Suécia pelo EXPRESSEN.

c) Deixar boa impressão ao Streiffer . Para isso, recomendaremos -te um trato o mais diplomático possível e a maior circunspecção possível . É fundamental que, depois do teu encontro com o Streiffer , este não fique com a impressão de que a vossa actividade vai constituir uma espécie de concorrência as funções dele e a actividade da liga das sociedades da cruz vermelha para o Congo.Pelo contrario.

d) Sondar , habitualmente , a opinião íntima do Streiffer sobre a vossa futura presença junto dos refugiados . Tentar saber se há influências, opostas a actividade da CVAAR , na pessoa do Streiffer e dos seus colegas.

e) Deixar em toda gente a convicção firme de que a actividade da CVAAR será humanitária e apolítica . Quero, no entanto, lembrar-te quee a melhor maneira de impor a ideia de que a CVAAR é apolítica não consiste em declarares que ela “ é apolítica”, mas sim em mostrares um interesse humano, médico, por todas as vítimas da guerra. Quero dizer: o apoliticismo da CVAAR será inculcado no espírito dessa gente de maneira indirecta: através das tuas atitudes e do teu interesse humano e de técnico pelos doentes vítimas dos acontecimentos de Angola.Fala pouco e ouve muito. É pela bouca que morre o peixe.

f) É fundamental que, depois do Streiffer te conhecer , deixes neste indivíduo uma espécie de compromisso de consciência que o impeça de dar os medicamentos um outro destino diferente ,sem primeiramente te consultar.

2- O Aquino Bragança vai enviar-te de Rabat o original da carta do director do EXPRESSEN . Em caso de necessidade , essa carta poderá servir de tira-teimas sobre o destinatário dos medicamentos. Tudo faremos para que dentro de dias o Eduardo e o Américo estejam aí.

3)- Diz-nos urgentemente se a War ON Wait já transferiu o dinheiro para aí. Tenho insistido com o CABRAL para que isso se realize o mais depressa possível . Mas achamos estranho que o CABRAL não tenha, até hoje, acusado a recepção da vossa carta para a WAR ON WAIT. Achamos conveniente que, logo que chegues ao Congo , escrevas ao CABRAL informando-o de que já estas aí e que outros médicos chegarão dentro de dias . Saúde para a tua família e para ti. Coragem , bom trabalho e prudência!

P.S.- O original desta carta ,enviámo-la , nesta mesma data , à nossa caixa postal de Brazzaville.

VIRIATO DA CRUZ

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Conacry,10 de agosto de 1961
Ref. 383/21/61
Hugo Azancot de Menezes
Recebida aos 24/08/61

Caro Hugo

Estimamos que tu e a tua família tenham feito uma excelente viagem e que vocês todos gozem de boa saúde. Diz-nos urgentemente de que necessitares aí. Estamos aqui para servir da melhor maneira.

1-Junto te envio copia de uma carta que o director do EXPRESSEN dirigiu ao bureau da CONCP.Pelos vistos já estão a caminho de Léopoldville 3 toneladas de medicamentos, de medicamentos , os quais se destinam a CVAAR. Achamos que é muito importante reter a seguinte passagem da carta do director do EXPRESSEN: “ Nos remede sont a leur disposition, mais s`ils n`arrivent pas a Léo ces temps -ci les remede seront distribués aux infirmeries au long de la frontiere. Se for possível ,é muito conveniente que te apresentes urgentemente ao M. Gosta Streiffert , coordenador em chefe da acção em favor dos refugiados angolanos no congo.Os fins da tua visita ao Streiffert deverão ser os seguintes:

a) Garantir- lhe a próxima chegada ao Congo de mais dois médicos angolanos. ( Com efeito, o ministro da saúde deste país acaba de dizer ao Eduardo que ele pode partir quando ele quiser . Em face disso, é quase certo que o Eduardo e o Boavida partirão no próximo barco, ou mesmo antes, de avião.

b) Avisar ao Streiffer que os três médicos angolanos -- Tu ,Boavida e Santos -, que estarão aí certamente antes da chegada dos medicamentos, estão prontos a entrar imediatamente em actividade com os medicamentos enviados da Suécia pelo EXPRESSEN.

c) Deixar boa impressão ao Streiffer . Para isso, recomendaremos -te um trato o mais diplomático possível e a maior circunspecção possível . É fundamental que, depois do teu encontro com o Streiffer , este não fique com a impressão de que a vossa actividade vai constituir uma espécie de concorrência as funções dele e a actividade da liga das sociedades da cruz vermelha para o Congo.Pelo contrario.

d) Sondar , habitualmente , a opinião íntima do Streiffer sobre a vossa futura presença junto dos refugiados . Tentar saber se há influências, opostas a actividade da CVAAR , na pessoa do Streiffer e dos seus colegas.

e) Deixar em toda gente a convicção firme de que a actividade da CVAAR será humanitária e apolítica . Quero, no entanto, lembrar-te quee a melhor maneira de impor a ideia de que a CVAAR é apolítica não consiste em declarares que ela “ é apolítica”, mas sim em mostrares um interesse humano, médico, por todas as vítimas da guerra. Quero dizer: o apoliticismo da CVAAR será inculcado no espírito dessa gente de maneira indirecta: através das tuas atitudes e do teu interesse humano e de técnico pelos doentes vítimas dos acontecimentos de Angola.Fala pouco e ouve muito. É pela bouca que morre o peixe.

f) É fundamental que, depois do Streiffer te conhecer , deixes neste indivíduo uma espécie de compromisso de consciência que o impeça de dar os medicamentos um outro destino diferente ,sem primeiramente te consultar.

2- O Aquino Bragança vai enviar-te de Rabat o original da carta do director do EXPRESSEN . Em caso de necessidade , essa carta poderá servir de tira-teimas sobre o destinatário dos medicamentos. Tudo faremos para que dentro de dias o Eduardo e o Américo estejam aí.

3)- Diz-nos urgentemente se a War ON Wait já transferiu o dinheiro para aí. Tenho insistido com o CABRAL para que isso se realize o mais depressa possível . Mas achamos estranho que o CABRAL não tenha, até hoje, acusado a recepção da vossa carta para a WAR ON WAIT.Achamos conveniente que, logo que chegues ao Congo , escrevas ao CABRAL informando-o de que já estas aí e que outros médicos chegarão dentro de dias .

Saúde para a tua família e para ti.Coragem , bom trabalho e prudência!

P.S.- O original desta carta ,enviámo-la , nesta mesma data , à nossa caixa postal de Brazzaville.

VIRIATO DA CRUZ


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Your Ref: GMH/ CrOur Ref: MWKC/ JP/ N/7a

Mr. G . M. HOUSER,
AMERICAN COMMITTEE ON AFRICA,
4 WEST 40TH STREET,
NEW YORK 18, N.Y.,U.S.A.

Dear Mr. Houser,

Thank you very much for your letter of the 17th june, 1959. Our Angola friend about Whom Mr. Mboya talked with you When you met in America, is Dr HUGO MENEZES who Comes from portugese Angola, and we have been trying to one of the independent African countries so that he can be free to express himself.´His present adress is as above, and weShall be grateful if you can give him all the assistance possible. We are particularly glad to note that you are trying very hard to bring the portugese question before the United Nations. Dr Hugo will be very useful in thisrespect and i hope you will not hesitate to write to him.Looking forward to hearing from you in the near future.

With best wishes,

Yours sincerely,
M. W. KANYAMA
CHIUMEPUBLICITY SECRETARYNYASALAND AFRICAN CONGRESS


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DOLISIE, 3 DE MAIO DE 1971

PREZADO CAMARADA MONSTRO,

Apenas algumas linhas para vos enviar as nossas melhores e fraternais saudações. Muito grato ficamos pela sua carta - e não são estas curtas linhas que traço agora que vão constituir uma resposta à mesma. Oportunamente , escrever -lhe-ei uma carta maior. Creia que é meu desejo sincero que nos correspondamos. O filme feito aqui , quando da sua passagem por Dolisie , ainda não chegou. Estou muito admirado com este tempo de demora, pois que de costume recebemos os filmes depois de 2 a 3 semanas depois de tirados.A camarada Salete envia - vos miutos cumprimentos; espero que a receita saia boa.Por hoje é tudo. Aceite, prezado camarada,as minhas melhores saudações.

Cumprimentos à camarada Luiza.

Hugo(Hugo José Azancot de Menezes)


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GHANA BROADCASTING CORPORATION Broadcasting house,
P.O. ´BOX 1633 Accra,
Ghana 19th November, 1962
MY Ref . Nº DOB.295/120

Sir,

I have the honour to offer you new terms of engagement on Programme Contract in the Portuguese section of RADIO GHANA with effect from today. Duration of Engagement: - The engagement will be for a period of two years in the first instance but will be subject to renewal at the end of that time if you wish it and , if your work has been satisfactory.The engagement can be terminated by two months notice being given by either side or alternatively - on Radio Ghana´S side - by the payment of two months salary in lieu of notice. Salary: - Your salary will be £100 a month and will be subject to Ghanaian Income Tax and Compulsory Savings both of which will be deducted at source. The compulsory Savings is returnable.Accommodation: - Hard furnished accommodation - bungalow or self - contained flat will be available at Accra. The rent will be £90 per year. Leave : On completion of year` service you will be eligible for 36 days paid leave.Free Medical Attention : While on this engagement in Ghana you will be eligible to receive free medical and dental treatment.Duties : - Your duties will be to work as a producer and Announcer / Translator in the Portuguese Section of Radio Ghana assisting in edit: translating and announcing news bulletins, commentaries and programmes in Portuguese, in writing, preparing and producing material suitable for inclusion in these programmes; and for any assistance that may be requied of you for the general programme output in Portuguese or in English.You will be expected to work full time for Radio Ghana during outside activities such as commercial work or writing for the Press can be undertaken only with the permission of the Director. I have the honour to be, Sir, Your obedient Servant,

(W.F. Coleman) Director of Broadcasting
Dr. Hugo de Menezes,
Portuguese Section,
Broadcasting House,
Accra.



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MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO BRAZZAVILLE,
23 DE DEZEMBRO DE1965
DE ANGOLAM.P.L.A.TÉL. 49-15B.P. 2353

HUGO DE MENEZESP.O.BOX1633

BRAZZAVILLE ACCRA-GHANARÉPUBLIQUE DU CONGO
DEPARTAMENTO DE : PRESIDÊNCIA

Caro camarada ,

Informamos que é necessário enviar novamente fotografias e todos os elementos de identificação para o título de viagem. Aproveitamos a oportunidade para Desejar bom Ano Novo. Saudações revolucionárias. Vitoria ou mortePelo Comité Director Agostinho Neto- Presidente -A Força Do M.P.L.A. , RESIDE NO APOIO QUE LHE CONCEDEM AS CAMADAS POPULARES NO INTERIOR DO PAIS ( Conferência de quadros do M.P.L.A..- 3 a 10 de janeiro de 1964) LA FORCE DU M.P.L.A. RESIDE DANS LE SOUTIENS QUE LUI ACCORDENT LES MASSES POPULAIRES DANS L`INTERIEUR DU PAYS (conférence des cadres du M.P.L.A.- 3 au 10 janvier 1964)



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Mário de Andrade
14 Rue de Monastir Rabat, le 2 janvier 65
Rabat

Meu caro Hugo,

Embora tardiamente , Sarah e eu próprio formulamos os melhores votos para 1965, à família Menezes … “ sita em Accra”. Enviamos um telegrama (assinado pelo secretariado da CONCP) a saber exactamente quando pensavas fazer sair o primeiro número do jornal. Evidentemente, preparei algumas notas sobre a nova literatura e a revolução nas colónias portuguesas. Alem disso, penso que seria extremamente importante que o jornal fizesse eco regular das publicações da CONCP. Informo - te, a este respeito, que , em principio, terá lugar (passe o galicismo em Rabat, no fim desta semana a primeira reunião do comité preparatório da 2ª conferência das organizações - membros. Claro que mandarei o comunicado final.Como vão as démarches para o lançamento do jornal Faulha? Queres informar o DAMZ que “ Etincelle” chega-nos aqui via… marítima?Gostaria de obter a referência do livro sobre as relações económicas com Portugal, de que me falaste. Poderei continuar a expedir outros livros de que necessites para os teus estudos.Diz algo, brevemente.

Abraços doMário (Mario Pinto de Andrade)



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Your Ref: GMH/ Cr
Our Ref: MWKC/ JP/ N/7a

Mr. G . M. HOUSER,AMERICAN COMMITTEE ON AFRICA,
4 WEST 40TH STREET,
NEW YORK 18,
N.Y.,U.S.A.

Dear Mr. Houser,

Thank you very much for your letter of the 17th june, 1959. Our Angola friend about Whom Mr. Mboya talked with you When you met in America, is Dr HUGO MENEZES who Comes from portugese Angola, and we have been trying to one of the independent African countries so that he can be free to express himself.´His present adress is as above, and weShall be grateful if you can give him all the assistance possible.We are particularly glad to note that you are trying very hard to bring the portugese question before the United Nations. Dr Hugo will be very useful in thisrespect and i hope you will not hesitate to write to him.Looking forward to hearing from you in the near future.

With best wishes,

Yours sincerely,
M. W. KANYAMA CHIUMEPUBLICITY SECRETARYNYASALAND AFRICAN CONGRESS



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CORPO VOLUNTÁRIO ANGOLANO DE ASSISTÊNCIA AOS REFUGIADOS( C.V.A.A.R.)B.P.856, LÉOPOLDVILLE5 de Outubro de 1962

DR. HUGO DE MENEZESBUREAU OF AFRICAN AFFAIRSP. O. BOX M24
ACCRAGHANA

Caro compatriota,

Estamos a enviar-lhe cópia da resposta à carta em que nos pediam um endereço em Ghana para onde mandar medicamentos para os refugiados angolanos. Esperamos que não seja muito difícil remeter depois o estoque para LÉO.Pelo despacho nº 5781 de 2 de Outubro do primeiro Burgomestre de Lèopoldville, o C.V.A.A.R. tem já autorização oficial a partir de 10 de Setembro de 1962. Junto enviamos-lhe a credencial para actuar aí na medida do possível.Continua a aumentar o número de refugiados e há uma falta enorme de medicamentos tanto nos dez postos actuais ( Luali, Moanda- Banana , Boma, Matadi, Songololo, Moerbeke, Lukala, Kindopolo, Kimpangu e Malele) como no dispensário central. A segunda turma do curso de enfermagem começa no dia 8 deste com 42 alunos inscritos. Há quase mil crianças e adultos a frequentar já e inscritos nas campanhas de escolarização e alfabetização lançadas pelo C.V.A.A.R. Precisamos de dinheiro para transportar os medicamentos , etc.,à fronteira, manter os enfermeiros e alunos , livros ,etc.Para qualquer coisa que precisar daqui,
eis -nos ao seu dispor .

Cordialmente,
Deolinda Almeida


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Ref.69/B/62 Léopoldville,21 de 1962

Caro Hugo

Saúde Para que possas continuar a acompanhar os assuntos da nossa luta em especial ao desejado Front junto envio pelo Kassinda um dossier de todas as demarches efectuadas para prosseguimento do do acordo de principio aasinado entre Accra p elos três partidos que bem conheces. O dossier se destina ao presidente Krumah e por isso peço - te de o fazeres chegar ao destinatário . É nosso empenho para que essa entidade seja o juiz do processo e por essa razão pretendemos pôr -lhe ao corrente de todas as demarches efectuadas nesse sentido . Quanto ao governo do Congo tomamos agora uma posição séria. Apresentamos ontem um protesto ao Ministro de informação pelas noticias tendenciosas na Radio- difusão do chamado “Governo da República de Angola no Exílio” e seus “ministros “. Igualmente enviamos cópias do protesto ao Presidente da república, Primeiro Ministro do interior. Ultimamente a situação do refugiado em Léopoldville agrava-se pois que cobram actualmente para o “sejour “ 50 frs mensais. Já apresentamos também uma reclamação por tal facto porque achamos impróprio para com os refugiados que nada possuem. A situação no interior continua a mesma . Os nossos adversários continuam com as duas mentiras, simplesmente os 22 militares preparados não querem entrar no interior de Angola sem formação do verdadeiro Front . O soba da Sanzala muitas manobras utiliza para mante-los dentro mas parece nada resultar. Temos recebido muitas noticias do interior. O povo está exausto e impaciente com a desunião constante dos partidos. Esperamos que procures usar da tua influência junto do soba de lá para que a decisão penda para nós mesmo sem o Front. Esperamos que nos informes se há possibilidades de podermos mandar publicar ai o relatório do Padua . Agradecemos a informação ainda na volta do correio visto tratar-se de um assunto de importância e muito urgente. Eu não sei o se o Mário te falou desse assunto, mas posso assegurar-te que foi aprovado numa reunião do C.D ( comité director) a publicação do relatório. APublicação pretende-se que seja em brochura, se demora para não perder a actualidade , visto os relatos apanhados no depoimento da Onu terem sido já publicados por 250 jornais conforme noticia em nosso poder. Temos de andar meu caro. Desejo-te bom trabalho e muito êxito.

Aceite cumprimentos de todos.

Do amigo e compatriota
Graça


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GHANA BROADCASTING CORPORATIONBroadcasting house,
P.O. ´BOX 1633
Accra, Ghana 19th November ,1962
MY Ref . Nº DOB.295/120

Sir,

I have the honour to offer you new terms of engagement on Programme Contract in the Portuguese section of RADIO GHANA with effect from today.Duration of Engagement: - The engagement will be for a period of two years in the first instance but will be subject to renewal at the end of that time if you wish it and , if your work has been satisfactory.The engagement can be terminated by two months notice being given by either side or alternatively - on Radio Ghana´S side - by the payment of two months salary in lieu of notice.Salary: - Your salary will be £100 a month and will be subject to Ghanaian Income Tax and Compulsory Savings both of which will be deducted at source. The compulsory Savings is returnable.Accommodation: - Hard furnished accommodation - bungalow or self - contained flat will be available at Accra. The rent will be £90 per year.Leave : On completion of year` service you will be eligible for 36 days paid leave. Free Medical Attention : While on this engagement in Ghana you will be eligible to receive free medical and dental treatment. Duties : - Your duties will be to work as a producer and Announcer / Translator in the Portuguese Section of Radio Ghana assisting in edit: translating and announcing news bulletins, commentaries and programmes in Portuguese, in writing, preparing and producing material suitable for inclusion in these programmes; and for any assistance that may be requied of you for the general programme output in Portuguese or in English.You will be expected to work full time for Radio Ghana during outside activities such as commercial work or writing for the Press can be undertaken only with the permission of the Director. I have the honour to be,Sir,Your obedient Servant,(W.F. Coleman)Director of Broadcasting

Dr. Hugo de Menezes,

Portuguese Section, Broadcasting House, Accra.


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CORPO VOLUNTÁRIO ANGOLANO DE ASSISTÊNCIA AOS REFUGIADOS( C.V.A.A.R.)B.P.856,
LÉOPOLDVILLE5 de Outubro de 1962

DR. HUGO DE MENEZESBUREAU OF AFRICAN AFFAIRS

P. O. BOX M24
ACCRAGHANA

Caro compatriota,

Estamos a enviar-lhe cópia da resposta à carta em que nos pediam um endereço em Ghana para onde mandar medicamentos para os refugiados angolanos. Esperamos que não seja muito difícil remeter depois o estoque para LÉO.Pelo despacho nº 5781 de 2 de Outubro do primeiro Burgomestre de Lèopoldville, o C.V.A.A.R. tem já autorização oficial a partir de 10 de Setembro de 1962. Junto enviamos-lhe a credencial para actuar aí na medida do possível.Continua a aumentar o número de refugiados e há uma falta enorme de medicamentos tanto nos dez postos actuais ( Luali, Moanda- Banana , Boma, Matadi, Songololo, Moerbeke, Lukala, Kindopolo, Kimpangu e Malele) como no dispensário central. A segunda turma do curso de enfermagem começa no dia 8 deste com 42 alunos inscritos. Há quase mil crianças e adultos a frequentar já e inscritos nas campanhas de escolarização e alfabetização lançadas pelo C.V.A.A.R. Precisamos de dinheiro para transportar os medicamentos , etc.,à fronteira, manter os enfermeiros e alunos , livros ,etc.Para qualquer coisa que precisar daqui,
eis -nos ao seu dispor .

Cordialmente,
Deolinda Almeida

Terça-feira, Abril 08, 2008




  • E CHEGOU ABRIL


  • 25 de Abril


  • Esta é a madrugada que eu esperava

  • O dia inicial inteiro e limpo

  • Onde emergimos da noite e do silêncio

  • E livres habitamos a substância do tempo



  • Sophia de Mello Breyner Andresen

Segunda-feira, Abril 07, 2008

Documentos históricos

Os textos seguintes foram colocados hoje por anónimo em comentário a um post de 3 de Maio de 2006.
Mesmo sendo anónimos, parece-nos que possuem inequívoco interesse documental. Como estamos convictos de que poucos leitores os iriam encontrar naquela data já distante quase dois anos, segue a sua transcrição:


O PERCURSO De DR HUGO JOSÉ AZANCOT DE MENEZES

Hugo de Menezes nasceu na cidade de São Tomé a 02 de fevereiro de 1928, filho do Dr Ayres Sacramento de Menezes.

Aos três anos de idade chegou a Angola onde fez o ensino primário. Nos anos 40, fez o estudo secundário e superior em Lisboa, onde concluiu o curso de medicina pela faculdade de Lisboa.

Neste país, participou na fundação e direcção de associações estudantis, como a Casa dos Estudantes do Império juntamente com Mário Pinto de Andrade , Jacob Azancot de Menezes, Manuel Pedro Azancot de Menezes, Marcelino dos Santos e outros.

Em Janeiro de 1959 parte de Lisboa para Londres com objectivo de fazer uma especialidade, e contactar nacionalistas das colónias de expressão inglesa como Joshua Nkomo (então presidente da Zapu, e mais tarde vice-presidente do Zimbabué), George Houser (director executivo do Américan Commitee on África), Al�o Bashorun (defensor de Naby Yola , na Nigéria e bastonário da ordem dos advogados no mesmo pais, Felix Moumi� ( presidente da UPC, União das populações dos Camarões), Bem Barka (na altura secretário da UMT- União Marroquina do trabalho), e outros, os quais se tornou amigo e confidente das suas ideias revolucionárias.

Uns meses depois vai para Paris, onde se junta a nacionalistas da Fianfe ( políticos nacionalistas das ex. colónias Francesas ) como por exemplo Henry Lopez (actualmente embaixador do Congo em Paris), o então embaixador da Guiné-Conacry em Paris (Naby Yola). A este último pediu para ir para Conacry, não só com objectivo de exercer a sua profissão de médico como também para prosseguir as actividades políticas iniciadas em lisboa. Desta forma , Hugo de Menezes chega ao já independente pais africano a 05-de agosto de 1959 por decisão do próprio presidente Sekou -Touré.

Ainda em 1959 funda o movimento de libertação dos territórios sob a dominação Portuguesa. Em fevereiro de 1960 apresenta-se em Tunes na 2ª conferência dos povos africanos, como membro do MAC, com ele encontram-se Amilcar Cabral, Viriato da Cruz, Mario Pinto de Andrade , e outros.

Encontram-se igualmente presente o nacionalista Gilmore, hoje Holden Roberto, com o qual a partir desta data iniciou correspondência e diálogo assíduos. De regresso ao país que o acolheu, Hugo utiliza da sua influência junto do presidente Sekou-touré a fim de permitir a entrada de alguns camaradas seus que então pudessem lançar o grito da liberdade.

Lúcio Lara e sua família foram os primeiros, seguindo-lhe Viriato da Cruz e esposa Maria Eugénia Cruz , Mário de Andrade , Amílcar Cabral e dr Eduardo Macedo dos Santos e esposa Maria Judith dos Santos e Maria da Conceição Boavida que em conjunto com a esposa do Dr Hugo José Azancot de Menezes a Maria de La Salette Guerra de Menezes criam o primeiro núcleo da OMA (fundada a organização das mulheres angolanas) sendo cinco as fundadoras da OMA ( Ruth Lara, Maria de La Salete Guerra de Menezes ,Maria da Conceição Boavida (esposa do Dr Américo Boavida), Maria Judith dos Santos (esposa de um dos fundadores do M.P.L.A Dr Eduardo dos Santos) ,Helena Trovoada (esposa de Miguel Trovoada antigo presidente de São Tomé e Príncipe). A Maria De La Salette como militante participa em diversas actividades da OMA e em sua casa aloja a Diolinda Rodrigues de Almeida e Matias Rodrigues Miguéis .Na residência de Hugo, noites e dias árduos, passados em discussões e trabalhos nasce o MPLA (Movimento Popular de libertação de Angola).

Desta forma é criado o 1º comité director do MPLA , possuindo Menezes o cartão nº 6, sendo na realidade Membro fundador nº5 do MPLA . De todos , é o único que possui uma actividade remunerada, utilizando o seu rendimento e meio de transporte pessoal para que o movimento desse os seus primeiros passos.Dr Hugo de Menezes e Dr Eduardo Macedo dos Santos fazem os primeiros contactos com os refugiados angolanos existentes no Congo de forma clandestina.

A 5 de Agosto de 1961 parte com a família para o Congo Leopoldville ,aí forma com outros jovens médicos angolanos recém chegados o CVAAR (Centro Voluntário de assistência aos Angolanos refugiados). Participou na aquisição clandestina de armas de um paiol do governo congolês. Em 1962 representa o MPLA em Accra(Ghana) como Freedom Fighters e a esposa tornando-se locutora da rádio GHANA para emissões em língua portuguesa.

Em Accra , contando unicamente com os seus próprios meios, redigiu e editou o primeiro jornal do MPLA , Faúlha. Em 1964 entrevistou Ernesto Che Guevara como repórter do mesmo jornal, na residência do embaixador de Cuba em Ghana, Armando Entralgo Gonzales.

Ainda em Accra, emprega-se na rádio Ghana juntamente com a sua esposa nas emissões de língua portuguesa onde fazem um trabalho excepcional. Enviam para todo mundo mensagens sobre atrocidades do colonialismo português, e convida os angolanos a reagirem e lutarem pela sua liberdade. Estas emissões são ouvidas por todos cantos de Angola. Em 1966 é criada a CLSTP (Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe), sendo Hugo um dos fundadores. Neste mesmo ano dá-se o golpe de estado, e Nkwme Nkruma é deposto.

Nesta sequência , Hugo de Menezes como representante dos interesses do MPLA em Accra ,exilou-se na embaixada de Cuba com ordem de Fidel Castro. Com o golpe de estado, as representações diplomáticas que praticavam uma política favorável a Nkwme Nkruma são obrigadas a abandonar Ghana . Nesta sequência , Hugo foge com a família para o Togo. Em 1967 Dr Hugo José Azancot parte com esposa para a República Popular do Congo - Dolisie onde ambos leccionam no Internato de 4 de Fevereiro e dão apoio aos guerrilheiros das bases em especial à Base Augusto Ngangula ,trabalhando paralelamente para o estado Congolês para poder custear as despesas familhares para que seu esposo tivesse uma disponibilidade total no M.P.L.A sem qualquer remuneração. Em 1968, Agostinho Neto actual presidente do MPLA convida-o a regressar para o movimento no Congo Brazzaville como médico da segunda região militar: Dirige o SAM e dá assistência médica a todos os militantes que vivem a aquela zona. Acompanha os guerrilheiros nas suas bases, no interior do território Angolano, onde é alcunhado "CALA a BOCA" por atravessar essa zona considerada perigosa sempre em silêncio. Hugo de Menezes colabora na abertura do primeiro estabelecimento de ensino primário e secundário em Dolisie ,onde ele e sua esposa dão aulas. Saturado dos conflitos internos no MPLA, aliado a difícil e prolongada vida de sobrevivência, em 1972 parte para Brazzaville. Em 1973, descontente com a situação no MPLA e a falta de democraticidade interna , foi , com os irmãos Mário e Joaquim Pinto de Andrade , Gentil Viana e outros, signatários do "Manifesto dos 19", que daria lugar a revolta activa. Neste mesmo ano, participa no congresso de Lusaka pela revolta activa. Em 1974 entra em Angola, juntamente com Liceu Vieira Dias e Maria de Céu Carmo Reis (Depois da chegada a Luanda a saída do aeroporto, um grupo de pessoas organizadas apedrejou o Hugo de tal forma que foi necessário a intervenção do próprio Liceu Vieira Dias). Em 1977 é convidado para o cargo de director do hospital Maria Pia onde exerce durante alguns anos. Na década de 80 exerce o cargo de presidente da junta médica nacional, dirige e elabora o primeiro simpósio nacional de remédios. Em 1992 participa na formação do PRD (partido renovador democrático). Em 1997-1998 é diagnosticado cancro. A 11 de Maio de 2000 morre Azancot de Menezes, figura mítica da historia Angolana.
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Caro HugoSaúde para si e para a família.

Nós por cá tudo normal excepto a complicação dos disparates dos amigos da Firma UPA- PDA que se pretendem grandes vítimas do nacionalismo angolano quando é certo sofrerem do nacionalismo de ricos.

Deves estar ao corrente de que provavelmente na 2ª quinzena de Setembro se deve realizar o congresso popular para modificações disciplinares no nosso movimento. Como todos os membros do comité Director devem assistir a ele, era e à máxima conveniência que respondesse ao telegrama que o MPLA te enviou confirmando a minha aceitação da proposta do presidente Nkrumah e tua a fim de eu ficar a trabalhar em Accra.

Convém que me responda se recebeu o telegrama e quando conta que eu possa aparecer aí para também aqui se fazer um plano de trabalho de sorte a minha ausência mesmo inopinada não prejudique a boa marcha das coisas.Recomendações da minha família à sua.Abraço e saudações nacionalistas.

Ao seu dispor Leo , 30/08/ 1962
José Domingos
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Conacry,10 de agosto de 1961
Ref. 383/21/61

Hugo Azancot de Menezes

Recebida aos 24/08/61

Caro HugoEstimamos que tu e a tua família tenham feito uma excelente viagem e que vocês todos gozem de boa saúde.

Diz-nos urgentemente de que necessitares aí. Estamos aqui para servir da melhor maneira.

1-Junto te envio copia de uma carta que o director do EXPRESSEN dirigiu ao bureau da CONCP. Pelos vistos já estão a caminho de Leopoldville 3 toneladas de medicamentos, os quais se destinam a CVAAR. Achamos que é muito importante reter a seguinte passagem da carta do director do EXPRESSEN: À Nos remede sont a leur disposition, mais s`ils n`arrivent pas a L�o ces temps -ci les remede seront distribués aux infirmeries au long de la frontiere.

Se for possível , é muito conveniente que te apresentes urgentemente ao M. Gosta Streiffert , coordenador em chefe da acção em favor dos refugiados angolanos no congo. Os fins da tua visita ao Streiffert deverão ser os seguintes:

a) Garantir- lhe a póxima chegada ao Congo de mais dois médicos angolanos. (Com efeito, o ministro da saúde deste país acaba de dizer ao Eduardo que ele pode partir quando ele quiser. Em face disso, é quase certo que o Eduardo e o Boavida partirão no próximo barco, ou mesmo antes, de avião.

b) Avisar ao Streiffer que os três médicos angolanos - Tu , Boavida e Santos -, que estarão aí certamente antes da chegada dos medicamentos, estão prontos a entrar imediatamente em actividade com os medicamentos enviados da Suécia pelo EXPRESSEN.

c) Deixar boa impressão ao Streiffer . Para isso, recomendaremos -te um trato o mais diplomático possível e a maior circunspecção possível . É fundamental que, depois do teu encontro com o Streiffer , este não fique com a impressão de que a vossa actividade vai constituir uma espécie de concorrência as funções dele e a actividade da liga das sociedades da cruz vermelha para o Congo. Pelo contrario.

d) Sondar, habitualmente, a opinião íntima do Streiffer sobre a vossa futura presença junto dos refugiados . Tentar saber se há influências, opostas a actividade da CVAAR , na pessoa do Streiffer e dos seus colegas.

e) Deixar em toda gente a convicção firme de que a actividade da CVAAR será humanitária e apolítica. Quero, no entanto, lembrar-te quee a melhor maneira de impor a ideia de que a CVAAR é apolítica não consiste em declarares que ela é "apolítica", mas sim em mostrares um interesse humano, médico, por todas as vítimas da guerra. Quero dizer: o apoliticismo da CVAAR será inculcado no espírito dessa gente de maneira indirecta: através das tuas atitudes e do teu interesse humano e de técnico pelos doentes vítimas dos acontecimentos de Angola. Fala pouco e ouve muito. É pela bouca que morre o peixe.

f) É fundamental que, depois do Streiffer te conhecer , deixes neste indivíduo uma espécie de compromisso de consciência que o impeça de dar os medicamentos um outro destino diferente, sem primeiramente te consultar.

2- O Aquino Bragança vai enviar-te de Rabat o original da carta do director do EXPRESSEN. Em caso de necessidade, essa carta poderá servir de tira-teimas sobre o destinatário dos medicamentos. Tudo faremos para que dentro de dias o Eduardo e o Américo estejam aí.

3)- Diz-nos urgentemente se a War ON Wait já transferiu o dinheiro para aí. Tenho insistido com o CABRAL para que isso se realize o mais depressa possível . Mas achamos estranho que o CABRAL não tenha, até hoje, acusado a recepção da vossa carta para a WAR ON WAIT. Achamos conveniente que, logo que chegues ao Congo , escrevas ao CABRAL informando-o de que já estas aí e que outros médicos chegarão dentro de dias. Saúde para a tua família e para ti.Coragem, bom trabalho e prudência!

P.S.- O original desta carta ,enviámo-la, nesta mesma data , à nossa caixa postal de Brazzaville.

VIRIATO DA CRUZ

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MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTA��O DE DE ANGOLAM.P.L.A.51,

Avenue Tombeur de Tabora

LEOPOLDVILLECOMIT�DIRECTORNACIONALISTAS ANGOLANOS

Transcreve-se a nota Nº .A/M/F enviada , em 10.11.1961, ao comité Executivo da União das populações de ANGOLA:


Como V.Exas. Sabem, em nove de setembro de 1961, uma esquadra da nossa organização militar, que se dirigia a Nambuangongo em missão de socorro às populações cercadas pelas tropas portuguesas , foi, pela traição, cercada e feita prisioneira por grupos armados da União das Populações de Angola que actuam no corredor de entrada e saída dos patriotas angolanos.

Desde aquela data até hoje, mantendo - se embora vigilante e tendo conhecimento , não sem revolta, dos maus tratos que foram infligidos por militantes da UPA aos nossos compatriotas, o comité Director do M.P.L.A. Esperou ver qual seria o comportamento dos órgãos dirigentes da UPA Diante desse crime de lesa - pátria e que enodoa o digno movimento patriótico do povo angolano.

O Comité Director do M.P.L.A. Faz o mais enérgico protesto contra esse acto anti - patriótico, que visa a enfraquecer a resistência armada do povo angolano e que introduz, por iniciativa da UPA, a luta fratricida nos campos de batalha de Angola. Sob pena desse "affaire" ser levado imediatamente ao conhecimento da opinião pública e dos organismos internacionais , o comité Director do MPLA - exige a imediata libertação de todos os nossos compatriotas; - exige a entrega de todos as armas, munições e demais bagagens - que foram retirados aos guerrilheiros daquela nossa esquadra ; e - responsabiliza, desde já , a União das Populaçõps de Angola pela - vida desses nossos valorosos compatriotas.

Na expectativa, subscrevemo-nos
Atenciosamente

(ass)
Mario Pinto de Andrade
Viriato da cruzMatias Miguéis
Eduardo dos SantosHugo de Menezes

Segunda-feira, Março 31, 2008




UM DOS EFEITOS DA GUERRA EM ANGOLA :

FOTO: WEBBLOGVOZDOSEVEN

Para Recordar
Destacamento Cameia
.
Cerimónia do içar da bandeira


Quarta-feira, Março 26, 2008

OS TRÊS GLORIOSOS NA PONTE SOBRE O RIO LUMEGE


Na foto :
Henriques (O Tomarense); Zé Oliveira (o fundador do Blog "Lumege"; o do "Buraco da Fechadura"); Rocha (o homem da invicta e bela cidade do Porto)

A esta postagem do Abílio Henriques, acrescento que esta foto foi feita numa manhã em que fomos à lenha para a cozinha, cortada a poucos quilómetros do Lumege. A viatura de carga era, salvo erro, uma Berliet.

Z.O.


Sábado, Outubro 06, 2007

Contador foi recolocado
Acaba de ser reinstalado o contador de visitas, que estava inoperativo desde há bastante tempo, devido a causa desconhecida.
Como se perdeu a referência de números de visitas, mas considerando que havíamos registado 5.454 visitantes em 30 de Março de 2007, decidimos calcular uma média com os dados disponíveis. E, usando essa média, atribuímos 7.894 visiantes até à data de hoje. É a partir desse valor que o contador continua a contagem.

Chafinda era bonita
Armando Monteiro, que foi alferes do Batalhão que nos rendeu, é presença regular deste blog.

Infelizmente, devido a um desencontro de correspondência só agora chega ao nosso conhecimento esta achega acerca de Chafinda, em resposta a uma pergunta que lhe havíamos feito. Pedimos desculpa pelo desencontro e agradecemos mais esta colaboração.

Em Chafinda estava aquartelada a C.Caç. 2678, agregado ao nosso Batalhão. Ainda ficou, após o nosso regresso, pois tinha chegado a Angola depois de nós.


Chafinda era bonita, mas não recomendada para turismo. Pergunta-me se a foto da C.Caç 2678 foi lá tirada, por esse motivo lhe envio a foto do edifício principal do destacamento com uma HK 21 bem lá no alto do posto de vigia, e o emblema da C.Caç. 2678 bem pintado na parede.

A picada para Chafinda é que não era nada recomendável, pois era frequentemente minada, mas lá que era muito fotogénica também era verdade, veja-se o dramatismo da situação e o cenário em que as coisas se desenrolavam, onde estava a próxima mina, de onde viria o próximo tiro?

Mas vista do ar era outra coisa, trata-se de quedas do Rio Luena que corre para a Cameia a caminho do Zambéze, ou seja toda esta zona pertence já à África oriental, motivo da cobiça dos ingleses aquando da questão do mapa-côr-de-Rosa.

Armando Monteiro

Chegou correio
Este blog, embora criado essencialmente para estreitar as velhas amizades entre os membros da ex C.Caç. 2544, tem sido plataforma de encontro de outros que, não tendo sido nossos companheiros próximos nem familiares respectivos, aqui serão sempre bem recebidos.
Temos o maior gosto em ajudar aos reencontros.
Segue uma mensagem recebida hoje:

Sandra disse...
Olá a todos,

não sei se estão recordados de mim, mas o meu nome é Sandra Cabaços, filha de José Cabaços, deixei uma foto da 20ª Companhia no mês de Abril e recebi este fantástico mail tantos meses depois:

"Sandra,Você não me conhece mas, verifiquei na internet e encontrei algo sobre os trinta e oito anos passados do meu tempo de serviço militar e, naturalmente dos bons amigos que lá conheci , que foram os meus camaradas de armas. Mais ainda, quando eu vi na fotografia os camaradas e amigos que, inclusive eram do meu grupo de combate, que era o 1°, da 20ª C.Cmds, a saudade bateu forte!Diz ao teu Pai (Cabaços e Ruivo das Neves e aos outros) que eu sou o Furriel C.Cmd. Ramos Gonçalves.(...)"

Este senhor encontra-se no Brasil, fica aqui esta mensagem; caso alguém o deseje contactar, enviem-me um mail para sandra.cabacos@gmail.com que eu farei chegar a mensagem.
Cumprimentos a todos...
Sandra Cabaços

Sábado, Outubro 06, 2007

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Chegou correio
Alô CCS do B.Caç 2878!
O Armando Almeida, das Transmissões da CCS do B. Caç 2878, deseja estabelecer o contacto com os antigos companheiros de Angola, conforme se pode ler na mensagem que nos mandou. (Foram suprimidas as frases de carácter pessoal dirigidas ao coordenador deste blog, mas podem ser lidas nos comentários ao post de 17 de Maio de 2006).

Olá (...)
Desejos de boa saúde para todos os camaradas.
Continuo sem conseguir contactar com ninguém.
Enviei-lhe um ou dois e-mails mas aparentemente não os recebeu.
(...)
Já fui a Portugal três vezes (desde há cerca de um ano) mas continuo sem saber quem contactar.
(...)
Melhores cumprimentos!
O Primeiro Cabo Chefe do Centro de Mensagens da CCS do BAT. CAC. 2878
Armando Almeida


Resposta
Amigo Armando,
Não tomei conhecimento da chegada de nenhum mail seu. Mas, por vir de remetente desconhecido, poderei talvez tê-lo eliminado sem abrir.
Se desejar contactar-me, tanto por e-mail como por telefone, esteja à vontade! Terei muito gosto em comunicar consigo! Diga-me se tem skype. É mais prático e mais económico.
Segue o meu endereço de mail.

Diga-me concretamente quem deseja contactar. Por mail, enviar-lhe-ei os endereços que pretende. Tenho bastantes endereços, embora o pessoal das Transmissões esteja bastante omisso na listagem.

Abraço

Zé Oliveira

Nota final: Ler mais em 17 de Novembro de 2006



Sexta-feira, Agosto 24, 2007

Comentários já são possíveis
Durante algum tempo, foi impossível a colocação de comentários nos posts deste blog.

Estamos convictos de que o problema está ultrapassado, mas o melhor é fazerem daí a experiência...

(Contudo, os posts que estavam impossibilitados de receber comentários continual com essa impossibilidade. Se alguém quiser comentar algum dos teimosos posts abaixo, por favor faça-o neste post que está a ler ou num dos que vierem acima).

Segunda-feira, Agosto 20, 2007

Mais um testemunho de familiar do Sr. Costa
"Vivi no Lumege até aos 11 anos"
Mais um depoimento que nos chega,repassado de calor humano.
Contacte-nos quando quiser, João Garcia! E vá pensando em vir conviver connosco num dos próximos almoços anuais da C.Caç 2544!

"Senhor Costa à beira dos 100 anos!"
Fantástico, e é meu Avô! Chamo-me João Manuel Costa Garcia, tenho 45 anos, sou neto do Sr. Costa, e vivi no Lumege até aos 11 anos. Afortunadamente, tenho memórias vivas daquela bonita terra. Possivelmente lembrar-se-ão de João António Garcia e Graciete Costa (meus pais). Tinham um comércio junto ao campo de futebol, próximo da linha do caminho-de-ferro.

Recordar caras amigas
Ao navegar neste Blog tive oportunidade de recordar caras amigas há muito tempo longe do nosso convívio, outras infelizmente já desaparecidas. Com tristeza minha, não me recordo de alguns militares que compunham essa companhia, com excepção do sargento José da Conceição Rodrigues* e do Capitão Tangarrinhas, possivelmente por terem filhos que fizeram parte das amizades de infância. Tive conhecimento do vosso blog, à semelhança da minha prima Rute Correia, através de Josão Rodrigues, filho do sargento José da Conceição Rodrigues, que pela informação de que disponho, vos foi substituir no Lumege.

Não tenho muitas fotografias
Hoje vivo em Alverca com a minha esposa e filho e os meus pais e irmãos em Montes da Senhora, Concelho de Proença-a-Nova. Infelizmente não tenho muitas fotografias, ao contrario da minha prima, pois por ironia do destino não nos foi possível trazê-las, já que viemos para Portugal numa altura bastante conturbada (Agosto/75). Com certeza farei pesquisas e se algo me chegar às mãos, acreditem que vos farei chegar. Deixo também o meu endereço e-mail (jmcgarcia@netcabo.pt) para que alguém que consulte este blog e se lembre de nós, me possa contactar... Aproveito para vos dar os parabéns por esta excelente iniciativa.

Um grande abraço,
João Costa Garcia

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Chegou correio
Senhor Costa à beira dos 100 anos!
O texto abaixo entrou hoje como comentário a um post relativamente antigo.
Para evitar o risco de que passasse despercebido a grande parte dos leitores, é redimensionado aqui, com a repetição da foto a que faz referência, para facilidade de identificação das pessoas referidas.
Agradecemos à autora a amabilidade das suas palavras e ficamos à espera de mais colaboração sua, sejam recordações escritas ou fotos. E perguntamos-lhe: chegou a visitar o Lumege?
Como reside em Vila do Conde, fique atenta: em breve inserimos matéria que tem um pouco a ver com a sua terra de adopção. (Só ainda não entrou, por míngua de tempo...)
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Que alegria!

Chamo-me Rute Correia e nasci em Angola há 34 anos, mais precisamente em Carmona, mas com muitas raízes no Lumege, de onde é natural a minha mãe.

Só recentemente soube da existência deste blog e foi com curiosidade e alegria que toda a família, reunida, percorreu afincadamente toda esta página! E, surpresa das surpresas, ali estava a minha avó! Palmira Costa, a terceira a contar da esquerda, esposa do certamente conhecido Sr. Costa.
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Também figura na fotografia uma tia minha, Maria José Gomes, segunda a contar da direita, esposa do Sr. Gomes, como era conhecido. Ambos já falecidos.Pois bem, quem não conhecia o Sr. Costa no Lumege?

Sr. Costa completa 100 anos no próximo ano
É com grande alegria que informo, a quem o guarda na caixinha das recordações, que completará no próximo ano, a linda idade de 100 anos! Resistiu à perda da terra que foi sua durante anos e na qual trabalhou àrduamente. Nela viu nascer os seus filhos, Júlia Adelaide Costa, minha mãe, Osvaldo Costa, Filomena Costa, Graciette Costa, Julito Costa e Raúl Costa.Engraçado, que também temos fotografias dessa mesma festa, a festa que decorreu em Dezembro de 1970!

Quem me facultou o vosso blog, foi o Josão Rodrigues, filho do sargento José da Conceição Rodrigues, que pela informação de que disponho, vos foi substituir no Lumege.Com mais tempo, também enviarei fotografias que remontam a esse tempo.Actualmente, grande parte da família Costa vive em Vila do Conde, a família Gomes ficou por Lisboa.Muitos parabéns por esta iniciativa, (…).

Aqui fica o meu e-mail: rutemarine @ hotmail.com

Rute Costa Correia

Quinta-feira, Julho 12, 2007


Partimos há 38 anos

C.Caç.2544 marchando para o embarque no Vera Cruz. Esta foto faz hoje 38 anos


Faz hoje anos que iniciámos a nossa viagem de Lisboa para Angola, a bordo do paquete Vera Cruz.


A propósito disso, escreve-nos um companheiro de viagem (na ida e na volta) que pertenceu ao B.Caç.2877. São dele estas palavras: "(...) hoje para nós , e companheiros dos batalhões , é um dia histórico . (...) faz 38 anos que, há poucas horas , tinhamos deixado Lisboa , rumo ao desconhecido. E felizes os que regressaram. Já agora, saudade e sentida homenagem aos que lá cairam (...)


Adelino Martins

Quarta-feira, Julho 04, 2007

Confraternização da C.Caç.2544
Acampamento em Vila Real

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Emboscados no Hotel Mira Corgo, com esta paisagem mais convidativa para os olhos do que para progressões no terreno, os militares da C.Caç. 2544 e respectivos adidos familiares comprovaram que o Vague-mestre da Companhia não esqueceu a sua arte de bem alimentar o pessoal. (O furriel Nóbrega Faria não aparece na foto, porque passou o tempo todo na cozinha a garantir a qualidade da ração de combate).
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Como aprenderam que um militar está sempre de serviço, mesmo quando retempera forças, os garbosos operacionais guarneceram-se de granadas de morteiro, umas ofensivas e outras defensivas, que é como quem diz (que é bebo quem diz...): maduro e verde.
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Mas como em cenário de guerra todo o cuidado é pouco, manda a prudência que se verifique se as granadas estão em condições. Porque com tiros de pólvora seca nunca se ganhou nenhuma guerra.
..

Como as granadas de morteiro são projécteis de tiro curvo, é preciso verificar se a calculadora funciona, porque é necessário calcular o ângulo de tiro com a máxima precisão.
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Mas o estratega adverte que pode muito bem acontecer que estas granadas sejam de efeito especial e, em lugar de tiro curvo, desenvolvam o efeito de zig-zag.
. Entretanto, constata-se que o síndroma da ferrugem que atacava nas oficinas auto se agarrou de tal modo à pele do responsável, que ainda hoje, volvidos tantos anos, se mantém evidente.
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Como é das regras castrenses, cabe ao comandante da Companhia prestar honras à bandeira.
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Embora seja admirado e respeitado por todos os seus homens, o comandante da Companhia não conseguiu evitar que lhe cortassem a cabeça

Quinta-feira, Abril 26, 2007

9 de Junho
Renovar abraços


É aqui (Hotel Mira Corgo) que renovaremos os nossos abraços no próximo dia 9 de Junho.
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.Como o Faria explicou na carta que mandou a todos, o nosso encontro será no coração da cidade de Vila Real, a cerca de 100 metros da Câmara Municipal.
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Quem desce a avenida principal do centro da cidade (Av. Carvalho Araújo), depara-se com um edifício um pouco austero, de granito, encimando uma escadaria também de granito. O hotel fica a cerca de cem metros da Câmara.


Quarta-feira, Abril 25, 2007

9 de Junho (Sábado)
"Operação garfo" é em Vila Real
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Naturalmente já todos têm em sua posse a carta informativa, incluindo os croquis que os conduzirão ao teatro das operações.
Mas para quem perdeu a cartinha que recebeu do Faria, aqui vai o essencial da Ordem de Serviço:
A confraternização/2007 da CCaç 2544 decorre este ano no Hotel Mira Corgo no próximo dia 9 de Junho (um sábado).
Programa
. 11h00 - Encontro à entrada do Hotel
. 12h00 - Visita à cidade em "trem" (quem enjoar não vai)
. 13h15 - Almoço
Preço por pessoa: 22 euros
Para mais informações:
Nóbrega Faria
- Telem. 919 400 400
- Telef/Fax 259 326 789

Terça-feira, Abril 24, 2007



25 de Abril
"Encontro com o passado"
Foram nossos contemporâneos em Angola


Há dias, a Sandra deixou aqui um curto comentário na sua qualidade de filha de um ex-combatente da Guerra Colonial e prometia editar no seu blog duas fotos do tempo em que, tal como nós, o seu pai combateu em Angola.

Agora, comunica-nos que já inseriu essas fotos no seu blog (http://bluestrass.blogspot.com). São estas que seguem, que aqui reproduzimos na esperança de que estejamos a reforçar a possibilidade de contacto com os fotografados, conforme ela pede.

1969 - grupo da 20ª Companhia de Comandos

A cantora Tonicha era madrinha desta Companhia, que integrava um seu irmão





1970 - CCAÇ 106 - R20 Caipemba (Angola)
Quem conhecer estes militares, por favor contacte sandracabacos@gmail.com

Entretanto, convidamos todos para uma visita ao blog da Sandra, e a ler excertos de uma peça de teatro que escreveu e publica "para festejar o 25 de Abril", conforme ela própria declara. A peça chama-se “Encontro com o Passado” e foi escrita em Outubro de 2001, contando a história de um locutor de rádio que se encontra (no tempo actual) a fazer uma emissão da noite de 24 para 25 de Abril.

Segunda-feira, Abril 23, 2007


Chegou correio

"Também estive em Chafinda"

A propósito de um testemunho aqui publicado acerca de Chafinda, chegou-nos a seguinte mensagem:


"Camarada, também eu estive em Chafinda de visita aos meus camaradas do Esq.Cav 403 (Dragões de Angola) quando éramos nós a prestar ali serviço. Tenho algumas fotos de lá com as quedas do rio Luena. Um abraço.


Tinoco"


Nota final:
Se o Tinoco quiser, mande-nos fotos das quedas, para publicarmos aqui. Pode enviar para:

Sexta-feira, Abril 20, 2007

Chegou correio
"Lumege" continua a ser ponto de encontro
O texto seguinte é uma mensagem que uma desconhecida nos enviou.
Sabemos que se chama Sandra, que tem 32 anos e se interessa por teatro, artesanato, música e literatura.
Não te esqueças, Sandra, de nos avisar quando colocares as fotos do teu pai na net! Também queremos espreitar!
Segue a carta dela:

"Olá!
Andava a pesquisar sobre a guerra colonial e encontrei o vosso blog. O meu pai também esteve em Angola nesta altura, aliás fez esta semana que passou 38 anos anos sobre essa data, ainda hoje é dificil para ele falar de algumas coisas, mas finalmente este ano consegui convence-lo a procurar pessoas da sua companhia. Em breve no meu blog vou colocar 2 fotos, das dezenas que ele tem. Com mais calma voltarei ao vosso cantinho para ler com atenção os vossos post's.
Melhores cumprimentos.

Sandra"

O blog da Sandra: http://bluestrass.blogspot.com

Sexta-feira, Março 30, 2007

Contador de visitas mais à mão

O contador de visitas, que estava cada vez mais inacessível porque cada vez mais "soterrado" pelos conteúdos, foi agora transferido aqui para a coluna da direita, logo abaixo dos Links.

Aproveitamos para assinalar que, desde o dia 26 de Janeiro de 2006, data do início deste blog, houve até este momento 5.454 visitas. Número assinalável, tendo em conta a dimensão restrita do universo que aqui se reflecte.

Não deixa de ser curioso que grande parte das visitas sejam feitas por pessoas alheias ao grupo de ex-militares da nossa Companhia, alguns deles tentando encontrar através deste espaço os seus antigos camaradas. E desejamos que tenham sempre êxito.

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Nota para uma foto
O Senhor Correia
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Texto de Abílio Henriques

Para animar este canto, gostaria de relembrar que a tia a que se reporta a foto e o texto do penúltimo post era a esposa do Sr. Correia.

Quem era o Sr. Correia? Era o proprietário do supermercado a poucos metros da casa do Administrador do Lumege, que abastecia o depósito de alimentos do nosso quartel com produtos frescos e outros.

O Sr. Correia era visita assídua da Companhia 2544 e por vezes bebia uns copos com a malta.


Foto (do album de Abílio Henriques) no dormitório da Messe de Sargentos (camarata dos Furrieis).
Da esquerda para a direita: Faria (de branco); Santos (acima); Alf. Almeida (?) (encoberto, em baixo; Alho (ao centro); Gonçalves (à dir da máq. fot.); Abílio Henriques (a espreitar); Hipólito; Fernandes (de pé)

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Atenção, pessoal da C.Caç.504
Antonio Pepe procura camaradas

"Sou um assiduo visitante do vosso blog, que aplaudo pois primite-nos recordar os tempos dessa guerra que, embora imposta, serviu para fomentar amizades sinceras e profundas.

Embarquei para Angola em 21de setembro de 1963 e regressei em 5 de janeiro de 1966, pertenci á companhia de caçadores 504 e andámos pelo Negage Quelo, Lufico e Casa da Telha.

Recordo com muitas saudades todos os amigos dessa companhia. Alguns como o Costa, o Norberto, o furriel Silva, o Ledo, vamo-nos encontrando de vez em quando, mas há muitos que nunca mais os vi e gostaria de ver. Para todos um abração e que sejam felizes. Se quiserem podem contactar-me pelo telemóvel 962868943".

Nota do blog Lumege
Este blog tem sido ponto de encontro, já por mais de uma vez. Portanto, não nos admiraríamos que algum dos camaradas de António Pepe nos esteja a ler. Ou mesmo alguém que, não o tendo acompanhado naquelas andanças militares, poderá ter um familiar ou amigo cuja passagem por Angola se enquadra nas datas e localidades referidas. Se assim for, pode ajudar António Pepe a abraçar os seus companheiros dos idos tempos de juventude. E tem duas maneiras de o fazer: ligar para o nº de telemóvel que está acima, ou contactar este blog clicando na palavra comments (linha abaixo).

Quinta-feira, Março 08, 2007

Mensagem do Brasil
Lembram-se da Fernanda Brásio e da madrinha?
Lembram-se? Só por este reencontro que proporcionámos, já valeu a pena existir este blog.
Entretanto, um sobrinho desta senhora escreveu-nos do Brasil a contar como ficou emocionado por ter reencontrado aqui a sua tia. Pode ler-se abaixo da foto.
Entretanto, descendo no blog até 29 de Março de 2006, pode reler a história do reencontro de Fernanda Brásio com a sua madrinha.
Escreva-nos mais vezes, Dulcídio! Conte-nos coisas dos seus tempos do Lumege!
Brevemente publicaremos mais fotos dedicadas a si.
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"Que saudade.
Gostei demais ver a minha tia com sua afilhada. Eu sou neto do velho Santos Pais do Lumege.
Sou natural do Lumege estudei lá a primária depois fui para o Luso para o colégio de S. Bento. Fiz o serviço militar na FAP em Saurimo e depois no Luso.
Vão colocando fotos do Lumege pois eu não tenho nenhuma, pois ficaram na minha casa que foi tomada. (Não vou culpar ninguém).
Estou actualmente no Brasil. Mas meu coração nunca saíu de Angola.
Um abraço para todos".


Dulcídio Ribeiro

Uma escola nova no Lumege

Uma escola de seis salas de aulas no município de Lumeje-Cameia é um dos dois empreendimentos de destaque a serem construidos este ano na província do Moxico. O outro é a cosntrução de um hospital municipal dos Luchazesb.
Estas obras fazem parte de um conjunto de quatro novos empreendimentos sociais a serem erguidos no âmbito do Programa de Melhoria e Aumento da Oferta dos Serviços Básicos às Populações.

Outras obras no Leste

Serão também adjudicadas as obras de construção de mais uma escola com três salas de aulas na comuna de Lago-Dilolo (Luacano) e um centro de saúde na comuna de Lucusse.
A informação é do jornal electrónico AngolaPress, edição de hoje, oito de Março.

Terça-feira, Março 06, 2007

Lumege-Angola 1969-1971


O INSTINTO

Texto de Fernando Hipólito
Foto e distintivo da colecção de Abílio Henriques

Eu nunca tinha ouvido falar em G.E. (Grupos Especiais, constituídos por nativos recrutados para apoio da tropa portuguesa). Vi-os no Lumege no primeiro dia de chegada, e no segundo dia já tínhamos ordens para fazer segurança a uma picada, por onde passaria uma coluna com militares da nossa CCAÇ, que iria render outra CCAÇ mais antiga.




Os capitães, (nosso e da CCAÇ que estávamos a render) decidiram enviar GEs para uma determinada zona do percurso nessa noite.


Na manhã seguinte, partimos nas viaturas que nos iam deixando no percurso, para fazer a respectiva segurança na ida e regresso. Por coincidência, a minha secção ficou no mesmo local onde tinham sido colocados GEs sem nós sabermos. Eles escondidos, e nós em fila patrulhando a picada. De repente, a 3 metros de mim, um barulho. Viro-me rápidamente. Vejo uma cabeça de africano com um boné de pele e... ainda hoje estou para saber por que não disparei.



Era um dos GEs, que apareceu todo sorridente, como se nada tivesse acontecido.



Este episódio jamais esquecerei. Sensibilidades...


Grupo de combate do alferes Freitas (de bigode) com
aguns GEs incorporados. Na linha da frente, ao centro, o Calixto

Agora, aqui só para nós:
Isto aconteceu após a barracada do Alferes Almeida na nossa primeira saída. Ele recusou-se a sair, e os capitães enviaram os GEs para um sítio chamado "bananeiras", onde aconteceu o que aqui descrevo.

Domingo, Fevereiro 25, 2007

Buraco da Fechadura

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

Mandem relatos de memórias!
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Não há por aí quem tenha coisas para contar? Afinal, nós fomos uma das poucas Companhias que conseguiram regressar com todos os homens vivos da guerra colonial! Portanto, não somos portadores de traumas que poderiam turvar-nos a vontade de querer contar coisas!
Então, por que não relatamos as nossas memórias desses tempos? Foram dois anos de experiências fortes em outros territórios que não conhecíamos, com outros hábitos e outras culturas, foram peripécias de guerrilha, foram amizades criadas, enfim, muito material que dá muito pano para mangas.

A existência deste blog só faz sentido, se houver mais volume de participação.

Nada receiem aqueles que porventura tenham menos jeito ou aptidão para escrever. Sempre que for necessário, nós colocamos as vírgulas no sítio e retocamos outros pormenores que necessitem disso.

Para contactar o coordenador do blog, basta clicar aqui na linha de baixo, em cima da palavra coment e escrever o que vos apeteça.

Até já.

Título do filme:
Final Feliz
Texto de Abílio Henriques
Foto do album de Fernando Hipólito

Abílio Henriques, autor deste relato, é o do meio (em baixo), ladeado pelo coordenador deste blog (em cabelo) e pelo Santos. Na fila de trás e da esquerda para a direita: João Miranda (o mais alto, de óculos), um furriel cujo nome o coordenador não recorda, Numídio (de óculos), Fernandes, Hipólito (sorrindo), Alho (mão no bolso) e Gonçalves.
Estão aqui quase todos os furrieis da C.Caç 2544, fotografados durante a atracagem que o Vera Cruz fez na ilha da Madeira
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Numa operação que tinha como objectivo a recuperação de armas do movimento nacionalista que operava na zona (recuso-me a chamar-lhes terroristas), cabe-me uma missão na qual levo comigo um nacionalista que iria indicar-me o local onde estariam as armas. Chegados a esse local, é-me comunicado que seria necessário atravessar o rio, para isso seria preciso ir buscar uma canoa que estava dentro de água, etc etc.
Bem, lá aparece a canoa e embarcamos rio abaixo. Só que o nosso amigo (de calções, descalço, tronco nu) debruça-se na borda da frágil embarcação e mergulha no rio dando origem a que eu, todo vestido, carregando o armamento normal para a ocasião, mergulhasse também dentro das águas do rio Lumege num sítio onde por sinal a corrente era forte.

Naquele momento já não queria saber de armas, a minha preocupação era saír dali vivo! A muito custo lá saí do rio, dei uns tiros mais para avisar a malta que estava comigo (um pouco afastada) de que alguma coisa se passava, e depois de mais de meia hora a andar com água até ao pescoço lá consegui chegar ao ponto de partida, sentindo-me naquela altura exultante porque dois seres humanos continuavam vivos: eu e o guia.

Foi uma aventura com final feliz.


Domingo, Dezembro 31, 2006

No município de Lumeje - Cameia, vai ser construída uma escola com seis salas de aulas e um centro de saúde.
A iniciativa insere-se no âmbito do Programa de Investimentos Públicos e foi divulgada no Conselho da Província do Moxico reunido sexta-feira última no Luena, ( ex Luso) na sexta sessão extraordinária que apresentou o Orçamento Geral do Estado para o exercício económico 2007/08. Orientado pelo governador provincial do Moxico, João Ernesto dos santos "Liberdade" o encontro decidiu construir .A reunião recomendou a direcção provincial do comércio e da agricultura a estudarem mecanismos mais expeditos que visam a comercialização no próximo ano de produtos da cidade no campo e vice-versa.Aconselhou que este estudo deverá incluir as formas da aquisição de tractores de esteira e duas máquinas descascadoras de arroz, para a preparação da campanha agrícola que se avizinha.Relativamente ao sistema de barbarização dos salários dos funcionários públicos, a reunião concluiu ter havido contactos a nível central para a abertura de mais balcões do Banco de Poupança e Crédito (BPC) nesta província para evitar enchentes registados no único balcão existente.A sexta sessão extraordinária tomou conhecimento do projecto de construção de pontes de madeira e metálicas na província, pelo programa alimentar mundial (PAM), tendo constatado cinco pontes por concluir.O encontro autorizou a tercialização dos mercados existentes na cidade do Luena aos empresários interessados para a sua melhor gestão.

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

Continuação de "Eu estive em Chafinda"
Alguém os conheceu?
Não fizemos grande habilidade em acertar que este nosso visitante cá do "sítio" estaria provavelmente no estrangeiro. A mensagem não trazia acentos nem cedilhas, portanto, elementar, meu caro watson!

E isso mesmo, estou fora de Portugal desde 1975, embora faça visitas frequentes. Estou a residir nos arredores de New York. Como tempo é coisa que vou tendo com abundância, passo algum passeando por sites que têm algo a ver com o meu passado. Quando estive em Chafinda, o alferes era o Nelson e os furrieis de infantaria eram o Moura e o Baptista, não sei se conhecem algum deles. A minha secção (artilharia) era composta por tropa nativa. Uma boa noite e até uma próxima.

Jose Maciel


Não será muito provável que alguém da 2544 tenha conhecido os camaradas apontados abaixo, mas não é impossível. Alguém conheceu?

As Boas Festas do Abílio Henriques

(...)Vou aproveitar para deixar aqui um comentário relativo ao período que se avizinha. Não se lembram? Eu recordo os Natais (dois) passados no Lumege, as duas primeiras vezes que não passava o Natal com a minha família. Em contrapartida foram passados com uma segunda familia extraordinária, sim os camaradas, todos exemplos de tudo quanto tem de bom a raça humana, companheiros amigos, foi com eles que aprendi a ser homen, a sentir o que é a amizade fraterna, a palavra amiga nos momentos mais difícies.

Então desejo a todos que tenham um santo NATAL e que o próximo ano lhes traga as maiorse venturas e alegrias. Um braço fraterno para todos.

Abílio Henriques

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

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Segundo o jornal electrónico AngolaPress de ontem:
Novo administrador municipal do Lumege-Cameia
Relançamento do sector agrícola é uma das prioridades

O novo administrador do município de Lumege-Cameia, Rodrigues Chipango Sacuaha, nomeado na semana passado, no quadro da remodelação governamental realizada na província, foi apresentado hoje a população local.

Na ocasião, o governador Provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos "Liberdade", ao apresentar o administrador apelou a população a colaborar exercício do seu mandato.

Rodrigues Sacuaha que até então era o primeiro- secretário Provincial da JMPLA no Moxico e chefe de Departamento dos Desportos da direcção local substituiu ao cargo, Noa Augusto que agora passa a responsavel da Comissão Provincial Eleitoral.

No mesmo acto, o governador provincial apresentou igualmente, o administrador municipal adjunto daquela circunscrição, Benjamim José.No primeiro contacto com a população de Lumege-cameia, o novo responsável adiantou que o saneamento básico, reabilitação e construção das infra-estruturas sociais constitui a prioridade do seu programa de acção.

O relançamento do sector agrícola e a mobilização da população para aderirem aos postos de registo eleitoral são entre outras preferências de Rodrigues Sacuaha.

Localizado a 102 quilómetros a leste do Luena, o município do Lumege-Cameia conta actualmente com mais de 45 mil habitantes na sua maioria camponeses e pescadores.

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Acaba de nos chegar este apontamento das memórias de um leitor do blog Lumege.
Bom seria que ele mandasse outras evocações dos seus tempos de Angola! Ele e outros!
(É certo que o Abílio Henriques mandou um relato há uns meses atrás, mas infelizmente perdeu-se aqui entre os bytes e os bits do computador... Falta de cuidado e de organização do coordenador do blog, está bom de ver!... Mas quando eu reencontrar o Abílio pago a multa sob a forma de um almoço e depois ele refaz o texto. Combinado, Abílio?).
Outta coisa: Algo me diz que o José Maciel está fora de Portugal. Acertei?

José Maciel:
"Eu estive em Chafinda"
Eu estive em Chafinda de Março a Junho de 1971, pertencia a BTR 522, sediada no Luso. Em Chafinda tínhamos um furriel, um cabo e uns 4 ou 5 soldados para operar o obus 88. Estávamos anexados a um pelotão de infantaria, cuja companhia estava no Léua. A nível de soldados e cabos, todo o pessoal era da Madeira. O alferes e os furrieis eram do continente. O local era "bonito" mas a picada para o Léua era muito quente.

José Maciel
ex-furriel miliciano da BTR 522

Domingo, Dezembro 03, 2006

O contador anda envergonhado
Já passámos as 4250 visitas

Como certamente sabem, o contador de visitas está alojado lá em baixo, mesmo au fuuuuuundo do blog. Mas, à semelhança do que tem acontecido com outros blogs, também o nosso contador sofreu um ataque de trangolomango.
Creio que a coisa é como as gripes: ataca, chateia um bocado mas depois passa. Pelo menos foi assim no Buraco da Fechadura (e noutros sítios).
Entretanto, para saberem como vai (ou não vai) isto de visitas, vão lá abaaaaixo ao contador e cliquem sobre a palavrinha STATS. Contornam assim a dificuldade. Porque, embora não seja visível, o contador está a trabalhar (até mesmo hoje, que é domingo!)

Z.O.

...até que enfim!...
Consegui apagar o meu curriculum

A coisa tinha um bocado de mau aspecto. Nunca ninguém comentou isso para comigo, mas não o fizeram creio que por delicadeza. Refiro-me ao inoportuno aparecimento do curriculum da minha vertente de caricaturista aqui na coluna ao lado direito. Por várias vezes expliquei que isso sucedia contra a minha vontade, por ditadura do computador, que clonava para aqui esse curriculum a partir de outros meus blogs.

Mas nada como uma mal encarada manhã de domingo para tentar encontrar a solução. Porque os computadores só são ditadores até certo ponto!

Zé Oliveira
(Coordenador do blog Lumege)

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

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Em jeito de crónica
(ou as desventuras de um viajante...)
Alô, pessoal de transmissões

da CCS do BCaç2878!
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Há pouco mais de um mês, andava este vosso humilde servidor que coordena o blog "Lumege" todo apressado a preparar a ida para Alcalá de Henares (Madrid) onde participaria no Encontro Iberoamericano de Caricaturistas, quando as pressas deram em vagares. Tropeçou nas escadas de casa e lá vai disto, a descer completamente de cabeça, mas torcendo gravemente um pé.

Ainda retardou a partida por um dia, não fosse a coisa ser mesmo grave. Mas teve a gravidade suficiente para o impedir de conduzir automóvel, de modo que só lhe restou ir de comboio. Uma noite inteira em bolandas, com partida de Lisboa às dez da noite e chegada a Madrid cerca das nove da manhã.

Nas escadas rolantes da estação ferroviária de La Tocha, mal dormido e esquecido de que o pé direito não ia em condições, este vosso companheiro não encontrou no pé a resistência esperada e, mal as escadas começavam a subir, catrapuz, nova queda, outra vez de cabeça para baixo (que é a minha especialidade para descer escadas, está visto...). Foi uma cena patética, a cujos detalhes vos poupo.

E lá fui com o pé às costas directamente para o Congresso dos Caricaturistas, que já tinha começado. Não descansei a ponta de um corno até à uma e meia da manhã, hora a que logrei caír numa cama de hotel. E nem as dores me impediram de entrar no mais profundo dos sonos. Até às... três e meia! Porque me esquecera de desligar o telemóvel e... o meu tão ambicionado (e tão necessário) descanso não durara mais do que duas curtas horas.

Completamente estremunhado, oiço alguém perguntar-me se está a falar com o José Oliveira. Que sim, respondi. E se eu tinha pertencido ao BCaç 2878. Também respondi que sim. O meu interlocutor estava excitadíssimo! Falava-me a partir dos Estados Unidos da América, para onde emigrara mal acabara a tropa e nunca mais tivera notícias dos antigos camaradas de armas. Obteve algumas aqui neste blog (onde encontrou o meu número de telemóvel, que divulguei aquando da nossa confraternização em Leiria, organizada pelo Alho e pelo Rocha mas assessorada "no terreno" pela minha pessoa).

O meu interlocutor telefónico ia indagando por mais novidades, à medida que eu lhe ia repetindo que eram três e meia da manhã, quem nem estava em casa, que estava mal de saúde, que não tinha dormido nada de jeito na noite anterior... Cheguei a ser quase grosseiro, confesso, e aqui lhe peço desculpa. Ele era um dos elementos da equipa de transmissões da CCS, que tinha a sua sala de trabalho contígua à minha, tanto no Luso como em Malange, mas lamentavelmente é o único de cuja cara e nome não me lembro. Nem fixei o nome que ele me disse. Forneci-lhe o meu e-mail, para contacto mais tranquilo (e menos fora de horas...) mas entretanto ainda não deu sinal de vida. E já passou um mês. Talvez tenha anotado mal o endereço. Se assim foi, e se está a ler-me, clique aqui nesta última linha em cima das palavras comments to this post que aparecem a seguir à minha assinatura.

Depois de tudo isto, nem por sombras desejaria que se mantivesse cortada a nossa comunicação!

Zé Oliveira

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Graças ao empenho do Hipólito, sempre atento, publicamos a seguir um a nota cujo conteúdo em parte nos é dirigido. Retribuímos aos companheiros do BCaç2877 as saudações! E pedimos desculpa pela perda de qualidade da foto anexa, que não conseguimos transferir nas melhores condições.
Para saber mais acerca destes nossos companheiros de ida e volta, basta visitar http://bcac2877.blogspot.com
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Há 35 anos

regressávamos de África




Na dia de hoje, mas há 35 anos regressávamos de Angola, após quase 25 meses de comissão.
Passado este tempo, cada um dos que por lá passou, continua a recordar o que sentiu quando da volta ao convivio dos seus entes mais queridos.
Recordamos os que durante a noite e madrugada se mantiveram acordados na expectativa de avistarem terra, outros traziam umas faixas em pano para serem referencidos mais facilmente do cais, bem e, afinal todos traziam aesperança de rápidamente e finalmente porem o pé em terra, e em abraços longos e sentidos transmitirem todo o calor ue lhes ia na alma.
Daqui, mandamos um grande abraço a todos os companheiros do BCAÇ2878, viajantes connosco, na ida e regresso.

(Foto da Medalha que alguns de nós trouxemos pelos 2 anos na guerra em Angola)


Transcrito de http://BCAC2877.blogspot.com.

Sábado, Setembro 09, 2006

Faz hoje 20 anos que se incorporaram
BMI 1ªCAT 2º Pel.nº 67
Operador de Transmissões desejaria que se reencontrassem

Chegou-nos esta mensagem:

Parabéns pelas vossas iniciativas. Demonstram bem o vosso espírito de grupo e camaradagem. Pena é que o pessoal da minha incorporação não sofra do mesmo "mal". Bem hajam.

Carlos PIRES
Op. Transmissões BMI 1ªCAT 2º Pel.nº 67 INCORPORAÇÃO em 09/09/1986 R.I.2 ABRANTES

93 690 690 2

Montijo 09 de Setembro de 2006

Facilmente se depreende que o autor dessas palavras seria homem para deitar mãos à tarefa de "convocar" os seus camaradas de armas para uma confraternização como as nossas. Então... força nisso! E o mesmo dizemos aos seus companheiros; se algum passar os olhos aqui pelo blog "Lumege", anote o número do telemóvel do Pires e ligue-lhe!

Sabe, Pires? O coordenador deste blog orgulha-se de, lá pelas paragens de Angola e nos idos 1971, ter registado os nomes e moradas de todos os militares do Batalhão no jornal da unidade. Porque previa, nessa altura, que haveria de chegar o dia em que essa listagem ia ser útil para que nos pudessemos reencontrar. Se o Pires não tem uma listagem semelhante, tente obter uma através da unidade militar onde prestou serviço. Se não a obtiver, recorra aos blogs de tema militar (temos aqui links para vários), ao contacto directo com um ou outro companheiro que consiga localizar, pedindo-lhe que faça o mesmo, em cadeia, contacte os programas de televisão generalistas (os da manhã), os da rádio, os jornais. Se não todos, pelo menos alguns divulgam a sua pretensão.

Não hesite em contactar-nos sempre que lhe pareça útil.

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

No passado sábado
C.Caç.2544 reencontrou-se em Leiria
...e cantou o "parabéns a você" ao Comandante do Batalhão
...o Diamantino Rocha, da organização, acaba de chegar (depois de ter falhado pelo menos duas saídas da A1...) cumprimenta o José Oliveira junto ao mais conhecido hipermercado de Leiria, no momento em que o segundo tenta mais uma vez vencer a teimosia dos telemóveis que estão apostados em boicotar a comunicação do Figueira, que pretende avisar que chega um pouco mais tarde.
...o Alho foi ali e já vem, mas a esposa ficou a guardar-lhe a cadeira, psicologicamenet apoiada pela esposa do Oliveira, que aparece na foto com camisa de presidiário ao lado do Hipólito que ficou de costas pela simples razão de que não se apercebeu que o fotógrafo estava a disparar (se se tivesse apercebido de que ele se preparava para disparar, ter-se-ia emboscado imediatamente e, do abrigo, tê-lo-ia abatido sem dó nem piedade; e aproveitava para, com a mesma rajada, abater o operador de câmara e o vendedor de medalhas).
O Faria está a dizer que organizar o próximo encontro em Vila Real vai ser canja (porque canja é um prato barato, disso sabe ele, que foi o vague-mestre da Companhia), ao mesmo tempo que a esposa diz "pois pois, vague-mestre vague-mestre, mas na cozinha lá de casa quem trabalha sou eu!..." O Miranda ficou na zona mais escura da foto, mas a mania já é velha. Foi por causa dessa mania que ele decidiu nascer em Cabo Verde e decidiu trabalhar na "ferrugem" da Campanhia.
No momento da foto, o Rodrigues estava a contar que foi o último a incorporar a C.Caç.2544, ao mesmo tempo que o Miranda, a seu lado, lhe ripostava: "Não admira, os alentejanos chegam sempre tarde a todo o lado!" Ao que o Figueira, mesmo estando fora desta foto, respondeu: "Não é bem assim! Hoje, o último a chegar fui eu! Que venho de Condeixa!"
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Como o coordenador do blog não tem mais fotos do acontecimento, mete também esta. De copo na mão, porque a esposa é que estava "de serviço" à condução da viatura, conforme ela própria explica para o lado e o Hipólito comprova "dizendo" pois claro com a mão. O Faria aproveita o momento da flashada para passar uns segundos pelas brasas, ao mesmo tempo que a esposa diz assim para o Rodrigues: "Madrugou, sabe?"

"Parabés a você" via telefone

Momento enternecedor foi aquele em que toda a Companhia cantou os "parabés a você" (via telefone) ao Comandante do Batalhão, o então tenente-coronel Carvalho Fernandes, que nesse dia completava 84 anos de idade. A informação chegara pelo ex-capitão Tangarrinhas, comandante da nossa Companhia, que também foi o autor da emotiva iniciativa.

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

É já amanhã!
É já amanhã, Sábado, que trocaremos abraços (porque os abraços não se dão, trocam-se)!

Desta vez será em Leiria, no mesmo local de há nove anos.
Segundo o nosso blog apurou junto da organização (o Rocha e o Alho), concentração começa às onze horas junto do Continente (quem vier cansado da viagem tem o bar do hipermercado para tomar um café - passe a publicidade), após o que, ao meio dia, todos se encaminharão para as Cortes (para mais pormenores, consultar a data de 27 de Julho neste blog).

O Zé Oliveira, que reside ali mesmo ao pé, tem o telemóvel mesmo à mão para ajudar os perdidos a encontrarem o trilho para o rancho. Liguem-lhe para o 96 630 33 79.

A Ementa

Este blog, que é um jornal bem informado, pode adiantar a ementa:

Entradas
Morcela de arroz
Chouriço
Azeitonas
Etc.

Prato de peixe
Bacalhau à Lagareiro

Prato de Carne
Secretos de porco grelhados (mas o blog "Lumege" investigou: os secretos são... febras)

Vinhos
Especiais da casa (Só pode abusar quem trouxer condutora)

Sobremesa
Selecção de doces
Selecção de frutas

Depois da sobremesa
Café
Digestivo

Na hora da partida
"Bolo do Lumege"
Espumoso (Não abusar, até porque os balões da GNR andam avariados)

Surpresas
Não se desvendam aqui. É surpresa




Recordando o major Rosa Ferreira
Encontros/Reencontros

Como os companheiros de armas sabem, o coordenador deste blog passou a maior parte da sua comissão obrigatória em Angola deslocado em serviço na CCS, aquartelada na cidade do Luso (hoje Luena).

Por isso, o coordenador participa regularmente nos almoços de confraternização de ambas as Companhias. Assim aconteceu, este ano, ter confraternizado com o pessoal da CCS em Mafra. O grupo era grande, de modo que só na altura da despedida é que o coordenador do blog “Lumege” teve conhecimento de que, na sala, tinha estado a almoçar connosco – e já saíra – um filho do major Rosa Ferreira, responsável pela estratégia das Operações do Batalhão de Caçadores 2878 (infelizmente já falecido, como aqui noticiámos).

Desconhecendo o seu falecimento, os organizadores do encontro haviam enviado uma carta-convocatória também ao major Rosa Ferreira, como a todos os demais militares da CCS, à qual a família respondeu informando do triste desenlace.

Tendo nessa altura tomado conhecimento deste espaço na internet, o filho do major Rosa Ferreira escreveu uma mensagem sob o pseudónimo de “Justiceiro” que endereçou ao blog “Lumege”. Como segue:


Olá Zé Oliveira,
Sou o tal filho do Rosa Ferreira que foi ao almoço de convívio. A emoção foi muito forte pois reencontrei alguns amigos de que ainda me lembrava, nomeadamente o Carrulo meu Irmão de sempre .
Para todos um abraço

A mensagem é transcrita tal qual nos chegou (apenas foi corrigida para F maiúsculo a gralha na inicial do nome “Ferreira”). Também se manteve o carácter pessoal com que vem dirigida, embora o Zé Oliveira repita mais uma vez que este blog é colectivo, feito por todos (menos do que se desejaria…), apesar da inclusão do resumo do seu curriculum caricaturístico continuar teimosamente aqui na coluna do lado direito, por limitação técnica do coordenador que não sabe como removê-la.

Recordando Rosa Ferreira

Era um folgazão. Militar de carreira, sempre me pareceu adequar-se bem melhor à ideia que se tinha do militar miliciano.
Quando, a bordo do Vera Cruz (na imagem abaixo) que nos levava desde Alcântara até Angola, alguém decidiu quebrar a monotonia da viagem, surgiu entretanto um excelente pretexto: a travessia da linha do Equador, aquele momento geográfico em que se tem um pé no hemisfério norte e outro no hemisfério sul.
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Todos os passageiros do paquete foram convocados para o convés de modo que o “baptismo da passagem do Equador” (que incluía a quase totalidade de nós) fosse festivamente assinalado. E lembro-me bem do major Rosa Ferreira a vestir a pele de Neptuno, trajado a preceito, vestindo cores mais apropriadas de quem viesse das profundezas do inferno, tridente na mão, actuando à boa e lusitana maneira vicentina. Dos detalhes não me lembro, mas recordo-me de que choveu mangueirada sobre nós todos, coisa que pouco nos molestou, antes pelo contrário, porque o Equador é aquele sítio onde o calor tropical é mais tropical.

Tenho outras recordações do major Rosa Ferreira, meu vizinho da porta da frente na CCS do Luso, mas isso ficará para mais tarde.
Meu caro “Justiceiro”, gostaria que me enviasse o seu mail para o-oliveiradaserra®sapo.pt

O Carrulo era…
O Carrulo, referido no comentário, era o condutor do major Rosa Ferreira. Escolhido a dedo. Tanto, quanto foi escolhido a dedo para condutor do comandante o Eduardo Gomes, meu companheiro indispensável no desempenho técnico exigido pelas lides de edição do jornal Jamba.

Zé Oliveira

Domingo, Agosto 27, 2006

As fotos de há nove anos
Vamos reencontrar-nos aqui:
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Há nove anos, mais precisamente a 7 de Junho de 1997, a C.Caç 2544 confraternizava no agradável cenário do Moinho do Rouco, restaurante da proximidasde das Cortes, freguesia de Leiria onde Mário Soares remodelou a casa de seu pai, cujo nome atribuíu à Fundação João Soares. A razão desta menção perceber-se-á aquando da leitura do texto seguinte. Foi escrito na altura, pelo coordenador deste blog, a pedido da Redacção do Jornal das Cortes, que o publicou a 5 de Maio desse ano e simpaticamente ofereceu um exemplar a cada confraternizante.
Reproduz-se aqui hoje, porque se mantém actual.
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Foram à guerra, regressaram todos
- e confraternizam nas Cortes
Quase três décadas* depois, a Companhia de Caçadores 2544 vai reunir-se mais uma vez para recordar antigas juventudes deambuladas pelo leste de Angola (e um pouco pelo norte).

São antigos militares (hoje todos na casa dos quarenta e muitos; o autor destas linhas, que é um deles, vai nos quarenta e onze...*) originários dos 44 cantos de Portugal, que convergirão nas Cortes, no próximo dia 7 de Junho*, para renovar abraços e recordações. A "coisa" decorrerá no Moinho do Rouco, com oportunidade para molhar os pés no Lis enquanto se almoça. (Aqueles que trouxerem condutora, poderão molhar os pés mais à vontade...)

Além dos comes e bebes (pela medida grande...) haverá também uma visita à Casa-Museu João Soares.* Aliás, o Moinho do Rouco tem sido cenário para outras confraternizações similares, sendo do nosso conhecimento que, não há muito,* um desses grupos ali encontrou, por casualidade, o dr. Mário Soares e esposa, que se prestaram a acamaradar uns minutos com os ex-combatentes, sendo fotografados com eles.

Que importância tem isto? Esta: nos anos 60, o dr. Mário Soares foi um determinado lutador anti-colonialista, verberando as injustiças das guerras que travávamos, incansável caminhante das rotas da Europa, por onde viandava com o propósito da denúncia. Porém, hoje,* não se importa de fazer pose para a posteridade que as máquinas fotográficas perenizam, de braço dado com os agentes da guerra que ele tão afincadamente combateu. Porque assume (temos todos de assumir) que os "heroismos do colonialismo, não obstante lamentáveis, são factos da nossa história, equívocos que nos impuseram, realidades de que não temos de nos envergonhar.

Há dias, Carlos Fernandes (fundador do Jornal das Cortes) lamentava que os antigos combatentes de África (designadamente alguns convidados por si) tenham pudor em escrever as suas recordações dos tempos da guerrilha. Serão traumas que o tempo não apagará facilmente, será a inibição determinada por um sentimento de culpa por uma situação que, hoje, se sabe ter sido injusta.

Muitos de nós, que por lá passámos (afinal, quase todos os da minha geração), não fomos formados e informados no sentido de poder entender a injustiça (a ilicitude) da nossa presença possessiva em África. Fomos, bem pelo contrário, industriados na cultura de um nacionalismo pluri-continental desenvolvido por uma dita super-nação chamada Portugal, cuja propalada superioridade não era fácil contestar, quando a maioria da nossa população vivia pacatamente a sua vida rural, sem grande acesso às fontes informativas, aliás acauteladas pelos serviços de Censura, acolitada por um diligente Secretariado Nacional de Informação (SNI).

Foi no próprio teatro das operações que muitos de nós intuímos quão injusta era a nossa presença lá. Ali melhor se compreendia que aquela terra não era nossa. Grandes fronteiras a separavam do nosso chão pátrio: o oceano, a cultura, a própria cor da pepe. Iguais, mas diferentes. Porque, quer queiramos quer não, há fronteiras! Por muitas estrelas que se pintem numa bandeira.

Muitas Companhias de antigos militares se reunem periodicamente nestas confraternizações. Outras nunca o fizeram. Seria curioso averiguar se, para uma situação e outra, não haverá um motivo determinante, porventura assente em comportamentos colectivos que tenham acarretado - mais para uns grupos do que para outros - um traumático sentimento de culpa, inibidor do cariz de festa que estas reuniões comportam. Talvez para alguns seja doloroso recordar.

Não é o caso da CCaç 2544, que habitualmente se reune algures, desta vez nas Cortes. Trata-se de uma unidade que veio tão una como foi: sem mortos, nem feridos. Não obstante ter ido render camaradas numa zona de conhecido belicismo, assinalado com onze mortes na Companhia precedente, que também teve ferimentos em mais de metade do seu efectivo. Números assustadores, para quem chegava. Que, felizmente, não se repetiram. Mérito do comandante da nossa Companhia, capitão miliciano, de Setúbal, apanhado na curva da vida para uma prestação militar obrigatória, que soube desempenhar com inteligente civismo, bifurcado em dois sentidos: a dignidade e a vida dos seus homens, idem das populações nativas.

José Oliveira


*Escrito em 1997

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

A 11 de Novembro, 31º aniversário da independência de Angola
Lumege, capital provincial por um dia

É no município do Lumege-Cameia que vão decorrer as comemorações provinciais do 31º aniversário da independência nacional de Angola, a 11 de Novembro.

A notícia, que tem data de ontem e é hoje divulgada pelo jornal virtual AngolaPress, acrescenta que da reunião do Conselho da Província doMoxico saíu também a decisão de orientar as equipas de desminagem no sentido de priorizarem o troço ferroviário que liga a cidade do Luena (ex Luso) ao Kuito (Bié). Isso visa facilitar os trabalhos de reabilitação do caminho-de-ferro de Benguela (CFB), que decorrem desde o princípio de 2006, a cargo de uma empresa Chinesa chamada "CR20".

Prevê-se para Novembro próximo, o início das obras de recuperação do CFB na província do Moxico.

Domingo, Agosto 06, 2006

Repetiremos troca de abraços no próximo dia 2
Já falta menos de um mês!


É já no próximo dia 2, um sábado, que nos reuniremos mais uma vez para celebrar uma amizade que nos une desde os tempos da juventude e nasceu em circunstâncias que não desejámos mas cumprimos, como tinha de ser.
Para a maioria de nós, é a segunda vez que confraternizamos neste local. O cenáruio é convidativo, portanto quem veio da outra vez, voltará de certeza agora. E quem vier pela primeira vez, compreenderá porque digo isto.


O nosso encontro decorrerá num local que tem mais de seiscentos anos de história, no cenário encantador das margens do rio Lis, num espaço que é o aproveitamento escrupuloso de um moinho de água, que continua a fazer farinha em plena sala de refeições, movido pelas águas do rio Lis.

Para saber mais acerca deste paradisíaco local, basta ler as linhas seguintes:

Notícia histórica sobre o

Moinho do Rouco

A notícia histórica mais antiga sobre o Moinho do Rouco remonta a 24 .XI.1364. Nesta data, o rei D. Pedro fez doação a Afonso Esteves , amoxarife de Leiria, “emquanto fose de sua mercê” de metade de “huum moynho que o dicto senhor há a que chamam do Rouco que he na Ribeira das cortes”. Existia pois já antes desse ano. O seu nome, mais usualmente grafado Rouco, mas por vezes também “Ronco” e “Rouco” parece significar um antigo apelido ou alcunha. Já as duas outras versões poderão ser interpretadas como significando, respectivamente, “terra recentemente desbravada” e “sulco em pedra acima do nível do solo”.
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A existência doutros moinhos de água nas imediações das Cortes atesta-se apenas no século XIV. Entre eles documentam-se as moendas da Reixida Cavaleira (1344), do Leal (1383) e da Recura (1385). A actividade moageia na área desta freguesia, contudo, deve remontar à primeira metade do século XIII, época em que se intensificou a exploração agrícola na área peri-urbana de Leiria, assistindo-se ao surgimento de novos focos e povoamento (casais, granjas e aldeias). Cortes afirmou-se como uma das mais prósperas fundações.

...controlo dos impostos
De início, Leiria procurou manter junto do castelo citadino todas as estruturas agro-moageiras disponíveis. Obtinha-se assim um controle mais apertado da sua laboração, ao mesmo tempo que se garantia uma colecta de impostos sobre os farináceos rapidamente vendidos no mercado local.

Maioria dos moinhos era da coroa
Os esforços da colonização da bacia hidrográfica do rio Lis traduziram-se pela predominância das culturas cerealíferas, silvícola e vinícola associadas, em menor escala à frutícola e à produção de azeite. O povoamento do termo acabou por impor uma Maior distribuição dos engenhos moageiros por todo o território, garantindo o abastecimento dos mercados aldeãos e permitindo, ainda, escoar as produções das herdades com vista à sua distribuição nos mercados consumidores.
A coroa real teve um papel motor neste processo. De facto, a maior parte dos moinhos de água do curso do Lis pertenciam-lhe. O caso das Cortes é significativo, porquanto permite verificar esta leitura histórica.

Cobrança de impostos no cerne da questão
A doação de metade do Moinho do Rouco ao almoxarife leiriense, em 1364, procuraria não só premiar um oficial dedicado à recolha do fisco régio, como também garantir uma maior vigilância sobre a produtividade daquele estabelecimento moageiro.

Moinho de rodízio
É possível que, já na Idade Média, o Moinho do Rouco possuísse quatro mós, movidas através do recurso a rodízios de penas. A força hidráulica que os fazia rodar obtinha-se a partir duma pequena represa das águas do Lis. Esta abastecia quatro levadas ou condutas que embocavam em cubos e sèteitas donde a água era ejectada com grande pressão contra as penas, fazendo movimentar a péla ou árvore e elementos associads (lobete, veio, segurelha e mó). Do ponto de vista arquitectónico, o Moinho do Rouco filia-se na tipologia dos moinhos de rodízio mais frequentes no sul de Portugal, em zonas fortemente urbanizadas e com mercados consumidores fortes, revestindo “a forma de grandes instalações, de construção cuidada, e com várias moendas”.

Indústria uni-familiar
O trabalho nestas quatro mós era garantido por uma só família nuclear, que residia no local, posto que a manutenção desta estrutura para-industrial exigisse despesas substanciais. Na segunda metade de Oitocentos o Moinho foi adquirido pela família Charters de Azevedo.
A história contemporânea do Moinho do Rouco apresenta-o como pólo de progresso industrial. Em meados do século XX, o Moinho produzia energia eléctrica suficiente para a iluminação do local. Após um período de decadência, que levou à paralização da sua actividade moageira na década de 1970, esta unidade seria recuperada como restaurante e local turístico. Alia-se, assim, a uma envolvência natural, de extrema beleza, a uma ambiência histórica dum moinho régio com mais de seiscentos anos de história.

Saul Gomes
(Historiador – Professor da Universidade de Coimbra)

Inter-títulos da responsabilidade do blog 'Lumege'

Quinta-feira, Julho 27, 2006

Explicação (repetida)

Como coordenador deste blog vejo-me na obrigação de repetir uma explicação que já aqui dei:
Por uma questão de operacionalidade, este blog está alojado no login que possuo para outros espaços de internet. E, para interesse pessoal (profissional, se preferirem), tenho um curriculum inserido na página principal (acho que se chama templaite). E, como ainda não descobri como é que poderei limitar a sua publicação apenas a certos blogs, esse curriculum está a aparecer (automaticamente) em todos os que edito.

Peço a vossa compreensão.
Zé Oliveira

2 de Setembro
Mais uma confraternização da C.Caç 2544
O cenário já é conhecido de muitos de nós: o restaurante Moinho do Rouco, na aldeia das Cortes, Leiria, à sombra das árvores que marginam o Rio Lis a cerca de três quilómetros da sua nascente.

Depois de goradas as expectativas de um encontro no próprio RI-2 (Abrantes), por razões que já todos certamente conhecem (deve ter chegado recentemente explicação a casa de todos pelo correio e este blog também já explicou, conforme pode ler-se mais abaixo, em 7 de Julho), o programa foi reorganizado e o local teve de ser outro.


No próximo dia 2 de Setembro, regressaremos ao Moinho do Rouco, um restaurante que fica a três quilómetros e meio da cidade de Leiria, na aldeia das Cortes, a 500 metros da Casa Museu João Soares, pertencente à família de Mário Soares.




Estas imagens convidam-vos para a repetição da bela tarde ali passada há poucos anos.

Para os que se esqueceram do caminho (ou não vieram da outra vez que ali estivemos) lembramos que, chegados à cidade de Leiria, se devem encaminhar no sentido das Cortes. O restaurante não fica dentro da aldeia, mas sim junto à estrada principal, imediatamente a seguir à última cortada para as Cortes.

Encontro no Continente

Mas a explicação anterior serve apenas para os atrasados. Porque a concentração começa às 11 horas no hipermercado Continente, ponto facilmente acessível a todos e com facilidade de estacionamento.

Como chegar ao Continente

Quem vier de Sul pela A8, sai quando a auto-estrada termina. E, ao encaminhar-se para a cidade de Leiria, tem à sua direita o Continente, mal sai da A8.

Quem vier de Sul pelo IC-2 (ex EN 1) apercebe-se da proximidade da A8 e verificará que tem o Continente imediatamente a seguir, à sua direita. Antes de entrar na cidade de Leiria.

Quem vier do Norte, deve seguir as indicações que informam o caminho para a A8. Mas quando está quase a entrar na A8, verifica que tem o Continente à sua esquerda.

Quem tiver dificuldades, pode contactar o coordenador deste blog, que reside a cerca de 50 metros da saída da A8 e a 200 do Continente. Portanto, conhecendo bem a zona, pode fornecer orientações práticas. Portanto, os "perdidos" podem contactar Zé Oliveira pelo telemóvel 96 630 33 79 (era o Furriel do Jamba, lembram-se?)

Como participar

A organização da confraternização, que este ano está a cargo do Rocha e do Alho, pede que os interessados em participar façam o envio dos 15 euros do almoço (por cada pessoa) para:

António Diamantino Rocha,

Apartado 94

4505-266 FIÃES VFR

Seria interessante se este ano pudessemos contar com participantes que, não tendo sido militares, tiveram as suas vidas de algum modo ligadas à nossa passagem por Angola. É o caso de Fernanda Brásio e sua madrinha, da família Videira, etc.

Também esses (e outros) podem contactar a organização através do endereço acima ou mesmo através deste blog, deixando mensagem.

Quarta-feira, Julho 19, 2006

No Lumege
150 hectares de arroz
Cento e 50 hectares de terra estão preparados nas chanas do município de Lumege Cameia desde Abril do ano em curso, tendo em vista o lançamento de 18 mil toneladas de semente de arroz na próxima campanha agrícola. O responsável local da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Adelino Ramos disse na passada segunda-feira que a produção, a ser feita por camponeses organizados em duas associações, resulta da colheita realizada este ano, no âmbito do programa de multiplicação de sementes de arroz. Adelino Ramos disse que outros 150 hectares de terra foram igualmente preparados para a campanha agrícola, mas nestes serão cultivados mandioca, amendoim, milho, feijão, batata-doce e inhame. Os agricultores do Lumege Cameia enfrentam dificuldades pela falta de transporte para tirar os produtos cultivados do campo para a zona urbana.
O município de Lumege Cameia já foi tido como uma potência no abastecimento de arroz ao país.
Notícia de AngolaPress

Domingo, Julho 16, 2006

Postos Médicos e Escolas

Vinte e um postos de saúde e 18 salas de aulas serão inaugurados, este ano, no município de Lumeje-Cameia, para suprir as dificuldades que a população local enfrenta, disse hoje o Administrador Municipal, Nea Augusto.

A construção e reabilitação daquelas infra-estruturas é feita com base em recursos locais e conta com o apoio das autoridades tradicionais e população em geral. No sector de saúde, segundo afirmou Nea Augusto, para além da conclusão destes projectos, ainda em curso, o município necessitará de pelo menos de 50 técnicos, numa primeira fase, para juntar aos outros 54 enfermeiros já existentes para cobrir a rede sanitária. Uma ambulância e uma viatura de apoio aos serviços de saúde fazem parte da lista de necessidades daquele sector apontadas pelo administrador municipal.

O hospital municipal atende uma média de 50 a 80 pacientes nas consultas externas, com registos frequentes de malária, diarreias agudas, infecções respiratórias, gastrites, conjuntivites, sarna e infecções transmissíveis sexualmente.

No sector de educação considera que a conclusão da construção das novas salas de aulas vai permitir enquadrar no próximo ano lectivo, os três mil e 500 alunos em idade escolar que ficaram este ano fora do sistema normal de ensino. Adiantou que o município necerssita de 70 quadros docentes para cobrir a rede escolar em toda a sua extensão.

Lumeje volta a consumir água potável
A população da sede municipal de Lumeje-Cameia voltará este mês a consumir água potável, depois de superada a avaria no sistema de abastecimento. Para a resolução do problema, o governo angolano contratou uma empresa portuguesa denominada "Kalipre", que vai reabilitar a rede de distribuição de água àquela nossa conhecida localidade.

Obras do mesmo género serão também efectuadas este mês, na cidade do Luena (Luso) pela mesma empresa portuguesa.

A vila de Lumeje já beneficia de iluminação pública garantida por um gerador de 500 kva e este ano a rede será extensiva aos bairros periféricos, com a montagem de cabinas e renovação de cabos eléctricos que datam desde o período colonial.

Em notícia de AngolaPress, pode também ler-se que João Ernesto dos Santos "Liberdade" lamentou a degradação das estradas que ligam a cidade do Luena às sedes municipais, o que dificulta a transportação de combustíveis e lubrificantes. Recordemos que o funcionamento do Caminho de Ferro de Benguela ainda não foi restabelecido.

Raiva mata no Lumege

Duas pessoas morreram em Junho no município de Lumeje-Cameia, vítimas de mordeduras de cães raivosos, disse segundo declarações do responsável de Saúde naquela localidade, Valeriano Mucanda ao jornal electrónico AngolaPress.

As vítimas eram mãe e filho, e no mesmo período foram registados três outros casos sem provocar óbitos.

Mucanda mostrou-se preocupado com a falta de vacinas anti-rábica que se faz sentir no município, o que faz com que as pessoas mordidas sejam apenas tratadas com raízes e folhas de plantas silvestres. E alertou para a existência na sede municipal do Lumege de um número indeterminado de cães não imunizados, circulando à solta nas principais artérias da localidade, que poderão aumentar os casos de mordeduras nos próximos tempos. Solicitou o envio urgente de vacinas contra raiva, com vista prevenir e tratar as pessoas afectadas.

Apelo à colaboração

Este blog necessita de ser redinamizado.
O coordenador possui um acervo razoável de imagens que são um repositório fotográfico dos idos tempos da nossa passagem pelo Leste de Angola, mas faltam textos que enquadrem essas fotos.

Venham essas memórias!
Sem traumas!

Projecto agrícola no Lumege

No passado dia 10, o governador da província do Moxico visitou um projecto agrícola pertencente a uma associação de camponeses no município de Lumeje-Cameia, que já preparou quatro hectares de terra para cultivar mandioca, feijão, milho, batata-doce, banana, ginguba, na campanha agrícola que se avizinha.

Segundo declarações do governador, João Ernesto dos Santos "Liberdade", o governo vai continuar a empenhar-se activamente no processo de combate à fome e pobreza.

Para o efeito, referiu, serão incrementadas outras iniciativas para dinamizar o funcionamento do sector da agricultura, que vão desde o enquadramento e formação de quadros, assim como apoios em meios técnicos para permitir uma intervenção mais abrangente. Para o êxito da empreitada, João dos Santos garantiu que o seu governo vai reforçar a politica implementada a nível de todos os municípios que compõem a província do Moxico, visando o aumento da produção e melhorar o sistema da circulação de produtos do campo para cidade e vice-versa, bem como de apoio ao sector empresarial. Para a presente campanha agrícola, adiantou, o governo tem como prioridade a realização de projectos de multiplicação de sementes de arroz, milho, estacas de mandioca, cujos resultados são animadores no seio de camponeses. "Liberdade" satisfeito, com o resultado da colheita de diversos produtos do campo a nível da província, na presente época agrícola, louvou a iniciativa da população que tem contribuído na materialização das orientações do governo no âmbito do programa de combate a fome, miséria e pobreza.

Segunda-feira, Julho 10, 2006

Obras no Lumege

O Governador Provincial do Moxico, João Ernesto dos Santos "Liberdade", mostrou-se ontem, domingo, satisfeito com o grau de execução das obras de construção e reabilitação de infra-estruturas sociais em curso nos municípios do Leua e Lumege-Cameia.

No município do Lumege-Cameia, ultima fase desta deslocação, o governador viu as obras de construção de raiz de uma escola do I nível, com três turmas e de reabilitação dos sistemas de fornecimento de energia eléctrica e água potável.

O governador, que falava no termo de uma visita de ajuda e controlo efectuado naquelas localidades, salientou que as obras, realizadas no âmbito do programa de aumento e melhoramento dos serviços básicos as populações, correm a bom ritmo. No Léua, a primeira paragem, João Ernesto "Liberdade" visitou, na comuna de Liangongo, os trabalhos de construção de raiz de uma escola do primeiro nível, com três salas de aulas, para albergar mais de 300 crianças, que estudam por baixo das árvores. A escola, primeira a ser erguida na circunscrição de Liangongo, cujos trabalhos, a cargo da empresa de construção civil "Pérola LDA", tiveram inicio em Maio último e terminam em Setembro. Ainda no Léua, foi constatado o andamento das obras de reabilitação e apetrechamento do hospital municipal e o sistema de captação e tratamento de água potável, a cargo da empresa Portuguesa "Kalipre", que se encontram em fase avançada.
(Informação de AngolaPress)

Salários em atraso vão ser pagos
Os funcionários da Saúde e educação nos municípios de Lumeje-Cameiado, Alto-Zambeze, Bundas, e Moxico (sede) vão receber nos próximos dias os seus salários em atraso referentes aos meses de Março a Junho deste ano. A garantia foi dada hoje pelo Governador Provincial do Moxico, João Ernesto dos santos "Liberdade", assegurando que a Delegação Provincial das Finanças já tem as contas regularizadas para o levantamento do valor correspondente. Em relação ao efectivo do sector da Educação, serão pagos apenas os salários em atraso de dois meses, Maio e Junho de 2006, indicou. João Ernesto dos Santos justificou que o atraso de pagamento de salários se deveu ao ingresso do novo pessoal nestes sectores (saúde e educação), o que criou constrangimentos que acabam de ser reajustados no fundo salarial da província. O governador esclareceu que os salários não foram pagos antes porque faltava a cobertura orçamental e os parcelares foram actualizados e adicionados na conta da província, pelo Ministério das Finanças no mês passado.
(Informação de AngolaPress)

Sexta-feira, Julho 07, 2006

Confraternização de 2 de Setembro, que esteve programada para ser no próprio quartel do RI-2, poderá não se realizar este ano.

Chegou a estar aqui divulgado, durante algumas horas, o seguinte: "O comando do Regimento de Infantaria 2 (Abrantes) vai passar a albergar um Regimento de Cavalaria.
Isso implica uma mudança de Comando, de onde decorre que o actual Comandante tenha cancelado a autorização que concedera para o nosso almoço de confraternização dentro do próprio quartel".

Mais adiante, dizia-se: "A data de confraternização mantém-se, mas o local terá, quase de certeza, de ser outro." Em boa verdade, e através do Abílio Henriques, este blog acaba de saber que ainda não está garantido se haverá este ano a habitual jornada de confraternização. No RI-2 ou noutro local.

Continuamos a afirmar o que aqui se disse há poucas horas: "Contamos com a Fernanda Brásio e o filho do sr. Videira (quem sabe se com os pais!) para a nossa confraternização". Este ano, se houver. E / Ou nos próximos!

Fernanda Brásio a caminho de Portugal

Lembram-se de Fernanda Brásio, do Lumege, que este blog ajudou a encontrar a madrinha que já não via desde os ses distantes tempos de criança?
Fernanda acaba de nos contactar lamentando a falta de actualização do blog (é a falta de tempo e a falta de colaborações, Fernanda!) e informando que partiu ontem desde a Bélgica onde reside com a família, para uma visita a Portugal incluindo visitas a amigos em França e em Espanha.
Boa viagem, Fernanda!

Comissão Multi-sectorial para todo o território angolano
Protecção à fauna e flora, também no Lumege
Esteve ontem (6 de Julho) no Lumege-Cameia (e também nos municípios dos Bundas, Luchazes, Alto-Zambeze e Luau) uma delegação da Comissão Multi-sectorial para o diagnóstico da flora e a fauna que pretente avaliar o impacto causado na fauna e flora pela acção da caça à fauna selvagem.
A delegação pretende definir medidas necessárias à preservação e utilização racional desses recursos, por parte da população. O coordenador da referida comissão, Joaquim Duarte Gomes, mostrou-se preocupado pelo facto de em determinadas áreas da província, os caçadores furtivos realizarem o abate indiscriminado de animais e a destruição de arvores, transgredindo assim as orientações estipuladas pelo governo. Desencorajou a atitude de alguns cidadãos que nesta época seca (cacimbo) se dedicam à queima da flora, perigando a vida das espécies animais, bem como afecta negativamente o meio ambiente. Joaquim Gomes reconheceu que a falta de gás butano, resultante das dificuldades de transportação do produto à região, está na base da opção pela população do uso do carvão como fonte de energia para satisfazer as suas necessidades. Segundo ele, a comissão vai colaborar com as entidades do governo e autoridades tradicionais, na proposta das medidas necessárias à preservação e utilização racional, sustentável e segura dos recursos da fauna e da flora na locais. Quarta-feira a comissão composta por representantes dos ministérios da Agricultura e Desenvolvimento Rural, do Urbanismo e Ambiente, da Defesa Nacional e do Interior, trabalhou na comuna de Lucusse, na povoação de Luxia e Mercados informais da cidade do Luena. A comissão manteve encontros separados com o governador provincial em exercício, Mário Salomão, Comandantes da 3º Região Militar e da Polícia Nacional.
A protecção da Fauna e da flora constitui prioridade do governo.

No distrito do Moxico, houve 191 crimes em três meses
Só dois crimes no Lumege

Lumege-Cameia, Luacano e Lua com dois crimes cada durante o segundo trimestre deste ano, apresentando assim o mais baixo índice de criminalidade do Distrito.
O município sede (Moxico) lidera a lista com 159.
A informação, prestada à agência Angop pelo Comando Provincial da Policia Nacional no Moxico(que bebemos do jornal digital AngolaPress), regista que em igual período anterior tunham sido registados 193 casos.
Estes delitos resultaram na detenção de 203 indivíduos, dos quais cinco funcionários do Ministério do Interior, 11 estudantes, 13 membros das Forças Armadas Angolanas (FAA) e 144 desocupados. O documento refere que do total de crimes, 175 foram esclarecidos, o que corresponde a 92 por cento. Dos delitos registados, a nota da polícia destaca ofensas corporais com 101 casos, furtos com 46, crimes de natureza económica 26 e contra a ordem e tranquilidade pública 18. Luau 12, Alto-Zambeze seis. Kamanongue cinco. Bundas três. Os principais alvos de roubos foram as motorizadas, telemóveis, electrodomésticos, bens alimentares e materiais de construção. A nota aponta que a crença ao feiticismo, questões passionais, justiça por mãos próprias e o fraco poder económico da população, são as causas que estiveram na base dos crimes relatados.

Domingo, Junho 04, 2006

CCS do Batalhão desfiou recordações
Foi ontem, sábado.
O essencial da operação decorreu conforme constava da "ordem de serviço", com as tropas aquarteladas no restaurante O Cangalho-2, proximidades de Mafra, sem reclamações quanto ao rancho, mais bem desinfectado para uns, menos para outros, porque nem todos levaram esposas e era preciso trazer o unimog de volta. E por vezes o IN aparece por aí emboscado ao virar da curva.
O blog "Lumege" esteve lá, porque o coordenador passou a maior parte do seu tempo de Angola militando na CCS.

Uns de perto, outros de longe
O Garlão Martins, organizador, combatia em casa, pois reside na Venda do Pinheiro, ali a dois passos.
De mais longe, veio o alferes Braga (que desta vez não perdeu o barco e regressou a Alcáçovas a tempo e horas) e o Serafim Torres, que prometeu um aquartelamento de arromba para 2007, em Esposende, sua terra, organizando as operações com o Eduardo Gomes. Aliás, foram eles os iniciadores destes convívios da CCS em 1987. É, portanto, interessante que lhes caiba a missão de assinalarem os 20 anos de confraternização.

Major Rosa Ferreira faleceu
O major Rosa Ferreira, oficial responsável pelas Operações do Batalhão, faleceu há já alguns anos.
A notícia chegou-nos trazida pessoalmente por um seu filho, que participou no almoço.

Quinta-feira, Maio 25, 2006

Governo de Lisboa não viu ou não quis ver
Os ventos eram de mudança

Texto e foto: Abílio Henriques
É verdade tudo o que é descrito pelo Armando Monteiro acerca do seu embarque, cenas que se repetiram durante 14 anos. Mas eu interrogo-me se aquela situação não se poderia ter evitado; e penso que poderia, se os governantes tivessem prestado atenção aos ventos da mudança.
Se não, vejamos:

- Em 15 de Agosto 1947, surge a independência da Índia.
- Em 4 de Fevereiro 1953, manifestações em Batepá (São Tomé e Príncipe), que conduzem a uma violenta repressão.
- Em 20 de Maio de 1954, aprovado o Estatuto dos indígenas Portugueses das Províncias da Guiné, Angola e Moçambique, que divide populações em três grupos: indígenas, assimilados e brancos (rdículo).
- Em 24 de Junho 1954, Invasão dos enclaves de Dadrá e Ngar-Aveli pela União Indiana.
- Em Outubro de 1954, fundação da UPNA (união dos povos do Norte de Angola), em Leopoldeville, dirigida por Holden Roberto.
- Em 18 de Setembro de 1956, fundação, em Bissau, do PAIGC dirigido por Amilcar Cabral.
- Em 10 de Dezembro d e1956, fundação, em Luanda, do MPLA chefiado por Mário de Andrade.
- Em 6 de Março de 1957, independência do Gana (antiga Costa do Ouro).
- Em 26 de Dezembro de 1957, Início da Conferêcia Afro-Asiática do Cairo, com representações de 35 países, que proclamou o direito dos povos à autodeterminação, à soberania e à independência. Em 2 de Outubro de 1958, Independência da Guiné-Conacri.
- Em 3 de Agosto de de 1959, em Pidjiguiti, Bissau, uma manifestações com estivadores e grevistas, causando dezenas de mortos.
- Em 4 de Agosto de 1959, Início dada Conferência dos Estados Independentes, em Monróvia, que numa das resoluções aprovadas proclamava o direito à autodeterminação dos territórios coloniais.

Depois dos sinais

- Em 20 de Janeiro,uma directiva do CEMGFA altera os objectivos estratégicos da defesa nacional, apontando para uma futura guerra no Ultramar.

- Em 4 de Abril de 1960, Independência do Senegal.

- Portugal não começa a trabalhar não para uma autodeterminação, mas sim para a Guerra. Em 16 de Abril de 1960, Dcreto-lei que cria do Centro de Intrução de Operações Especiais em Lamego.

- Em 25 de Abril de 1960 Criação do Depósito Geral de